NIKOLAI HEL – MANAUS-AM

ESBOÇO DE UM CULTO MODERNO A MOLOQUE

“Onde quer que haja adoração a animais, ali haverá sacrifício humano.” G. K. Chesterton

Ativista pró-vida (já perseguida judicialmente) levanta um gigante manto negro.

Debaixo do mesmo, descobre uma menor grávida encaminhada para procedimento abortivo sob ordem judicial.

Natimorto? Gravidez de risco? Não: feto originado de prática sistemática, por anos à fio, de estupro no seio familiar (autoria do “tio”).

Equipe médica da unidade federativa onde a tragédia ocorreu se recusa a realizar o procedimento. Alegação: feto com mais de três meses (tinha cinco) e mais de meio quilo, o que faria com que o procedimento só pudesse ser realizado por um parto normal forçado (imaginem meio quilo sendo expelido pelo canal vaginal de uma menina de dez anos).

Solução (supostamente) menos prática (porém, humana): manter a gestação por mais um mês sob total amparo financeiro, ginecológico e psicológico para então realizar uma cesárea poupando a vida do feto que seria encaminhado para adoção (ninguém em sã consciência advoga por uma menina de dez anos assumir a responsabilidade pela criação, ainda mais considerando a forma como o feto se originou).

Solução mais prática (porém, legal): Código Penal tratoriza a Medicina (₢ ativismo judicial nunca existiu ₢) e providencia um avião para deslocar (sob forte escolta policial) a menina até a capital de outra unidade federativa para cumprir com a decisão judicial.

Há rumores de que, durante o processo, houve manipulação de informações acerca da idade do feto. Noutras palavras: vejam Art. 157 do CPP – Decreto Lei nº 3.689 de 03 de Outubro de 1941 para entenderem onde isso se encaixa. Se o rumor procede, colocar em xeque a confiabilidade e transparência de nosso sistema jurídico (“onde ocorre um, ocorre mais”).

Questionamento mais profundo e visceral: a não ser em uma gravidez de risco (onde o aborto seria equivalente a uma excludente de ilicitude chamada “estado de necessidade” para preservar a vida da gestante), o estupro como permissivo legal para aborto previsto no CP/40 está acima do direito à vida previsto no Art. 5º da CF/88? Fazendo uma analogia ao militarismo, isso soa como um subtenente comandando um coronel apenas pelo primeiro ser mais antigo que o segundo, ignorando totalmente o princípio da hierarquia.

A ativista pró-vida, que levantou o manto negro como um vento despudorado que levanta saias de moças virginais, pagou por sua atitude um preço um tanto quanto salgado e indigesto: ao revelar (mesmo que parcialmente) o nome da menor, e o itinerário onde seria realizado o aborto, por tabela desnudou a menina dos olhos de nosso judiciário, o ECA, transgredindo seu Art.17.

Sim, o estatuto que protege crianças assim como a CF/88 protege o cidadão brasileiro, conforme três matérias logo abaixo para quem quiser ver depois.(clique em cada um dos títulos para ler):

Estatuto proíbe que criança abaixo de 12 anos seja levada à Fundação Casa

Garoto de 12 anos é detido pela segunda vez em uma semana após furtos em Blumenau

O fim de Joãozinho, o menino que matou pela primeira vez aos 11 anos, em Goiás

 

* * *

(Sim, homicidas infantis estão além do alcance até mesmo do ECA, mais intangíveis judicialmente do que um V. Urubuscência.)

A transgressão foi inglória em todos os sentidos:

– ativistas pró-vida que obstruíam o acesso ao hospital para impedir o procedimento foram tachados de extremistas, fundamentalistas e (pasmem!) protetores da pedofilia e do estupro (logo a horda que se sente representada por figuras execráveis como aquela histérica deputada federal gaúcha, e a misândrica autora de “O Segundo Sexo”).

– não poupado, o feto (tão inocente quanto a menina) foi reduzido a condição de parasita ao ser eliminado através de envenenamento salino, injetando em seu coração cloreto de potássio (substância proibida até para sacrificar animais!).

– o estuprador foi capturado. ₢₢₢₢₢ Mas sem ignorar que isso só foi possível por haver esmagadora pressão das hordas progressistas, agora muito preocupadas em punir estupradores com os Direitos Humanos na porta da delegacia, cela separada dos demais detentos, direito à ampla defesa e contraditório e, no máximo 14 anos de prisão com direito a progressão de pena. ₢₢₢₢₢

– a menina? O cloreto de potássio também alcançou seu objetivo sobre a inocência e instinto materno dela, ₢ mas o que importa é que teve sua vontade soberana respeitada ₢ (aquela mesma vontade soberana protegida pela “Lei da Palmada”, aquela mesma vontade soberana que permite que faça cirurgia de mudança de sexo com o judiciário tratorizando a soberania familiar dos progenitores, etc.) e (ah…!) passa muito bem conforme mostrarei logo a seguir.

Provando que ₢ aborto é seguro e deve ser legalizado (e incentivado!) ₢:

– um influenciador digital de massas (cujo tom de cor capilar é tão camaleão e cromaticamente mimetizador quanto sua moralidade) querendo bancar os estudos da garota até sua maioridade.

– outro influenciador de massas (atualmente conhecido nas redes sociais por ser o sonho das feministas mais radicais como macho-beta endinheirado) querendo bancar tratamento psiquiátrico da garota até sua maioridade.

– equipe abortista (médica jamais!) enchendo de presentes e homenagens o quarto de hospital e avião da menina.

– hordas progressistas festejando o acontecimento tétrico e macabro nas redes sociais (o atual altar de Moloque). As mesmas hordas que evocam o naturalismo social para aliviar a barra dos Champinhas da vida, mas que condenam sumariamente a execução (cujo método, de tão vil, é vetado mesmo a animais moribundos) um feto cuja culpa (ser fruto de um estupro) mostra que o naturalismo social é também ultrajante e sordidamente seletivo.

Como desdobramentos de um pérfido sonho dourado de feministas pró-aborto (ser premiada e reconhecida pela destruição da vida intrauterina conforme o humor do momento), tais benesses, recompensas e mobilizações travestidas de ajuda humanitária por parte do séquito progressista evocaram minhas memórias cinematográficas mostrando que não só a arte imita a vida, como também vice-versa:


Assim como satanistas temem a Satanás ao invés de Deus e narcotraficantes temem ao crime organizado e o infame tribunal do crime invés da Polícia e do Estado, as hordas progressistas não alçaram de imediato a garota a status de celebridade pública através de programas de TV, documentários e livros, canal no Youtube, Instagram recheado de milhões de seguidores e dentre outros por temerem mais ao ECA do que respeitarem o Direito Natural e as leis celestes.

Consequentemente, expondo a real ambiguidade de tal estatuto, o trabalho feito em cima dessa menor será feito nas sombras. Sob total ocultamento do positivismo jurídico brasileiro, será preparada para um retorno aos holofotes da grande mídia quando atingir a maioridade penal, encabeçando as fileiras canhotas como um expoente tão poderoso quanto perigoso contra o Conservadorismo. A este será doutrinada a odiar como o movimento que a chama de “assassina” e que abranda e sacraliza o estupro e a pedofilia.

Enquanto isso, lembram-se da ativista pró-vida lá do início? Com suas redes sociais bloqueadas e soterradas pelo “ódio do bem”, Ministério Público pedindo uma indenização milionária e na iminência de novamente voltar a Colmeia para só sair de lá no julgamento, seu calvário está apenas começando. Enquanto a Direita a abandona como um embaraço colossal, a Esquerda age contra a ativista pró-vida vociferando ao estilo do refrão da música da icônica música de Chico Buarque “Geni e o Zepelim”.

O positivismo jurídico brasileiro continuaria imperturbável, a Esquerda continuaria no seu transe alienante de luta contra o Fascismo imaginário (pouco se lixando para a preservação da vida e da infância), a Direita sequer saberia da existência dessa criança e esse texto não seria possível se a transgressão ao ECA por parte da ativista pró-vida não se equivalesse ao despudor de Geni ao se deitar com o forasteiro condutor do zepelim.

Conclusão: Sara “Winter” Giromini se torna a “Geni da arena política brasileira”.

“JOGA PEDRA NA GENI
JOGA BOSTA NA GENI
ELA É FEITA PRA APANHAR
ELA É BOA DE CUSPIR
ELA DÁ PRA QUALQUER UM
MALDITA GENI”

Enquanto isso, até o próximo retorno, parte o zepelim prateado de Moloque, este casquinando gratamente por mais um sacrifício ao fogo (via cloreto de potássio).

PS: aos ₢ arautos da empatia ₢ que me perguntarem se eu sustentaria toda essa tese sendo a vítima uma filha minha, respondo-lhes que rejeitar um neto fruto de uma experiência tão nefasta não me dá aval para ser cúmplice de seu assassinato (muitos se ofereceram para adotar).

PS2: “E o cloreto de potássio?”. Simples: injete no coração no estuprador.

N.E – (₢) ponto de ironia.

8 pensou em “NIKOLAI HEL – MANAUS-AM

  1. Caro Nicolai Hel, perfeita sua análise e a subscrevo em cada ponto.

    Permita-me acrescentar alguns pontos que julgo importantes nesta história toda.

    Realmente, depois de ler a coluna do Jornalista Carlos Bricknann de quarta-feira (https://luizberto.com/category/carlos-brickmann-chumbo-gordo/) , pensei que a Sara Winter Geromel atuou de forma errada ao expor toda a situação. Hoje penso diferente, pois se ela errou, o que fez não é nada diante da exposição dos crimes que foram cometidos e da exploração infame que a esquerda faz do caso.

    Acho também que ainda há muito o que esclarecer nesta história e a meu ver, a menina de 10 anos deveria ter sua guarda retirada da avó, pois não pode voltar a morar com ela dado o antecedente.

    O tio preso disse que teve um “relacionamento” com a menina nos últimos 2 anos, porém ela era estuprada havia 4 anos. Impossível a avó não ter culpa nisso.

    Tem mais, acredito que a avó irá lucrar muito com esta história de bondade dos youtubers que resolveram investir uns trocados (para eles) em suas reputações, quando deram publicidade aos seus atos.

    • Nobre Francisco,

      honrado e grato pelo feedback e, antes de mais nada, devo dizer que seus comentários enriquecem qualquer espaço. Principalmente em ermos jornalísticos onde metais pesados sofrem de disfunções metabólicas. Invejo, portanto, a carga de informações antagônicas a tais ermos das quais és dotado.

      Acerca do que você falou, quatro coisas:

      primeiro, tratando-se de um caso tão multifacetado, complexo, profundo e com tantos desdobramentos, o fato que você citou é extremamente pertinente e com certeza a cobertura dada ao caso não se encerra somente no aborto concluído e no estuprador capturado. Nem também a ativista e sua fonte de informação. A família da garota tem que ser investigada e todos os envolvidos no processo judicial também conforme levantada a hipótese do Art. 157 do CPP.

      Segundo, como consequência da natureza dessa tragédia conforme falei anteriormente, é algo digno de matéria de tese acadêmica. De livro. De um romance macabro. É tão denso que fica impossível de, em um espaço assim (Papa Berto até se queixou pela trabalheira que ia dar a edição rompendo até certas regras editoriais), abordar todos os seus meandros (como o que você citou e que também é de suma importância).

      Terceiro, ainda que me fosse possível abordar o caso em sua plenitude, eu diria que foi o meu limite escrever todo esse texto. Foi o mais importante (e arriscado!) dos poucos que já enviei ao blog e, de longe, o mais desgastante e excruciante. Não só conteúdo emocional envolvido é extremamente pesado, como também eu confesso que fui um dos que viu a live da ativista rolando.
      Ou seja: sim, eu acompanhei tudo acontecendo (inclusive, com o bebê ainda sendo encaminhado para sua execução, quando ainda tinha vida) e confesso que isso me abalou tremendamente. Pôs em xeque a fé que eu tinha desse país aqui virar uma nação edificada, e no final do processo eu vi uma massa umbralina de demiurgos celebrando essa tragédia como se o Brasil tivesse ganho o hexa.
      Não vou fazer cena dramatizando que vi isso tudo com os olhos marejados. Contudo, senti um mal-estar e uma misantropia em níveis que me jogaram em um estado de profunda apatia. Sentir o coquetel dessas duas coisas no nível em que senti é vampirizante, e uns dois a três dias eu me senti como se tivesse saído de uma ressaca de vinho (embora eu seja abstêmio, imagino pelos relatos).

      Quarto (e último), a sua comparação do erro jurídico da ativista com o que se expôs nos joga naquela arena que são poucos que têm couraça de rinoceronte para se atreverem a nela ingressarem para combater. Onde o degradê não é colorido, mas monocromático em inúmeros tons de cinza. Onde a infame frase de Maquiavel (“os fins justificam os meios”), tanto invocada por positivistas jurídicos dogmáticos (particularmente pelos prevaricadores) como meio de inibir qualquer debate cascudo sobre o tripé “ética-moral-lei”, se torna coisa de criança.
      A verdade é que a transgressão de Sara Winter revelou o cancro que é a vicissitude do positivismo jurídico, e a ética e moral civilizatórias são seus portadores necessitados de quimio e radioterapia pesadas. Recai naquilo na frase de Nicolás Gómez Dávila que vi na última postagem do Sr. Adônis que serviu pra mim como uma revelação.

      Até onde pude entender, a Constituição Americana tem mais de duzentos anos por um motivo: é enxuta e seus componentes são axiomáticos. Quando algo é de ordem axiomática, não há espaço para questionamentos, pois a verdade é uma só, e onde há mais de uma verdade, tudo ali é mentira.
      É o caso da nossa Constituição e tudo que ela comanda. São muitas “verdades”. Incontáveis e infindáveis “verdades”, e que agem como cancros explodindo em ferozes metástases adoecendo nossa ética, moral e sociedade. Em casos assim, onde uma transgressão gera uma dissonância dessa magnitude entre ética, moral e lei, onde a relação entre causa e efeito cria tais paralaxes, um conjunto de leis como o nosso abre margem para questionamentos no tocante a validade desse conjunto e o que cabe permanecer como está.

      Mais uma vez, grato por enriquecer o espaço, nobre Francisco, e honrado em saber que meu texto atinge um grau satisfatório de qualidade que o torna apreciável para leitores da sua nobreza.

  2. Não me dá aval para ser cúmplice de seu assassinato (muitos se ofereceram para adotar)…

    Sancho não se lembra, em toda sua longa vida, de ter lido texto tão contundente, incomodante, apaixonante e brilhante. Poderia, ainda estender-me no assunto, mas (impróprio mas), por crer que o texto do gigantesco e destemido Nikolai (alçado à galeria sanchiana de mestre da escrita) não merece retoques ou salamaleques, o classifica como PERFEITO (punto e basta!).

    • Nobre sidekick do lendário Dom Quixote,

      vindo de um criador de contos tão ilustre e fecundo como ti, isso me deixa ancho que só a porra!

      Me sinto ganhador do Prêmio Pulitzer mesmo sem nunca ter escrito sequer um folhetim ou ter pisado numa faculdade de Jornalismo. Coisa digna pra eu esfregar na cara desses jornalisteiros fela da puta que assombram pela televisão pra ficarem tudinho espumando de raiva.

      Inclusive, tu me faz sentir burro pra caralho com seus contos. Não sei se te meto o cacete ou se te abraço. É uma confusão mais doida do que gato arisco querendo chegar perto da sacola de ração que tá na mão de estranho. Só digo que são como azeitonas: leva tempo pra acostumar com o sabor, mas são marcantes e viciantes (pelo menos eu acho, pois sou viciado em azeitonas).

      Forte abraço, nobre amigo.

      • Não sei se te meto o cacete ou se te abraço…

        Sobre meter o cacete, seria melhor o amigo se expressar com “enfiar porrada”, pois poderiam interpretar viadisticamente. Quanto ao abraço, creio que ABRAÇAR um amigo faz um bem do “caralho” para qualquer um.
        Nos abracemos, pois amigos possuem uma grande vantagem sobre qualquer parente: somos nós que os escolhemos nestes 7 bilhões que zumbizeiam pelo mundo.
        Abraço forte, grande amigo.

  3. Papa Berto, primeiramente gratidão enorme por publicar meu texto que não somente é cascudo e causticante, mas também transgressor de normas editoriais e que deve onerado a gazeta com horas extras a coitada da Chupicleide.

    Na próxima eu me estruturarei para ser mais sucinto e seguir as normas. Mais uma vez, muito obrigado. Forte abraço.

      • Eita porra!

        Primeiro o nobre Sancho. Agora o Papa Berto.

        Dois Pulitzer fubânicos num só dia pra quem nunca pisou numa faculdade de Jornalismo e sequer escreveu um folhetim xumbrega é de arrombar!

        Vou esfregar na cara do ex da Fátima Bernardes, da Mirian Suína e da Raquel Xêro-azedo só pra vê-los espumando de raiva.

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