CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

Há três anos viajei à Disneylândia por insistência de meus amados netos. Passei alguns dias na terra do Mickey e Pato Donald. Essa tal de Disneylândia não passa de um imenso supermercado de fantasia infantil construído na cidade de Orlando. Estranhei a temperatura, a previsão entre 12 a 25º centígrados furou, deu todos os dias 5 (cinco) graus, quase morro de frio, uma Sibéria para um nordestino rato da praia de Jatiúca. Tudo é longe. O acesso aos parques temáticos fazia-se apenas de carro, alugamos uma van que deixávamos estacionada numa área especial.

Um trenzinho circulava levando os visitantes aos parques. A entrada custava na época U$ 89,00 por pessoa; impossível conhecer todos os parques em uma semana. Meus netos adoraram o Magic Kigdom, Harry Portter, Sea Word entre outros. Gostei apenas do EPCOT CENTER, uma extensa área com divisórias separando as regiões de 12 países. Degustei um pouco da comida e bebida de todo o mundo, saí meio de porre.

Orlando é uma cidade central da Flórida, um estado “comprado” à Espanha, aliás, os estados limítrofes sul dos Estados Unidos pertenceram à Espanha. Califórnia, Texas, foram incorporados aos USA em tenebrosas transações internacionais, a maioria das cidades conservam nome hispânicos, Los Angeles, San Francisco, San Diego, etc…

No final dos anos 60 o desenhista Walt Disney comprou uma imensa área em Orlando, construiu uma máquina de dinheiro vendendo sonhos infantis. A Disneylândia foi inaugurada 1971, deu certo, construíram mais parques temáticos. A cidade de pouco mais de 200 mil habitantes vive à base do turismo planejado, profissional, produto típico do capitalismo organizado americano, tudo é pago, até contemplar a natureza no Lago Buena Vista. Os parques, hotéis, restaurantes, shoppings, outlets, ficam distantes, não existe possibilidade de ônibus. Incrível, não encontrei uma livraria nos Shoppings ou na cidade.

Gente de todo mundo gastando dólares, muitos dólares. Num “Outlet” perguntei a um mineiro se a “ilha” onde vendia travesseiros lhe pertencia, sorriu de minha inocência. Todas as lojas do “Outlet” são de um grupo de comerciantes judeus, 250 lojas vendendo todo tipo de artigos em promoção, turistas de diversas nações comprando, escandinavos, francês, americanos, ingleses, indianos, paulistas, colombianos, palestinos e muitos americanos deixando seus dólares. A Disneylândia não passa de máquina urbana sugando o dinheiro do mundo. Impressiona a qualidade de vida dos habitantes, todos têm carros enormes chupadores de gasolina, entendi porque de olho no petróleo do mundo os USA fomentam tantas guerras. O dia que o petróleo acabar, acaba a farra gastadora da “way of life” americana.

Surpreendeu-me a população americana, gente de todo os Estados Unidos tem a Disney como objeto de consumo. A maioria supergorda, geração do “fastfood”, hamburgo, batata e muita fritura. A obesidade na juventude é questão de saúde pública no país.

A mão de obra subemprego como, camareira, lojista, taxista geralmente são dos hispânicos, muitos estão irregulares. Um taxista marroquino, me confidenciou, estava há dois anos nos USA, trabalhava para juntar dinheiro e voltar para Marrocos, ainda solteiro, entretanto, pretendia casar-se quatro vezes como permite o Alcorão. Suas mulheres vão andar de véu, só mostrarão o rosto para o marido. Sugeriu que eu lesse o Alcorão onde está a verdade do Universo, só terá vida eterna quem obedecer aos seus ensinamentos. Vou comprar um volume, fiquei interessado no capítulo das mulheres, quem sabe? Um dia posso precisar.

Como bom avô, tomei conta dos netos enquanto os adultos iam às compras. No hotel organizei concurso de piadas, ensinei jogos educativos: porrinha, dados, carteado, pôquer, buraco, ficaram viciados no “sete e meio”. A convivência, a alegria, a felicidade dos netos compensaram os dias na Terra do Mickey. Voltar? “Never more!”.

7 pensou em “NEVER MORE

  1. Um velho Capita, esquerdista assumido (ou nem tanto), descrever a sua viagem para a meca do capitalismo (Orlando – EUA), com a desculpa que foi para levar os netos é algo surreal.

    Eu já tenho duas netinhas (lindas, e inteligentes) ainda novinhas. Acho que elas não irão querer ir para a Disney, mas se quiserem, não irei, nem que meus filhos paguem.

    Olha que eu sou conservador de direita e creio no capitalismo.

    Tenho outras preferências de viagens, porém respeito que um socialista possa ir aos EUA, nem que for para falar mail do capitalismo depois, assim como Manuela Dávila faz.

  2. Joao. Eu sou meritocrata, empreendedor, capitalista se assim entenderem, não gosto de rotulação nem de patrulhamento político. Escrevi o que senti na Disneylândia, um capitalismo organizado sufocante. Detesto o radicalismo irracional ideológico, esse Fla x Flu de radicais. Para não me alongar, João Francisco, já viajei quatro vezes a Nova York, adoro aquela cidade que tem cultura. Fui a 17ª Festa Literária de Havana, achei Cuba uma pobreza, uma mentira. Jamais retornarei a Havana nem a Disneylandia.

    • Caro Carlito, v. se definiu como um “isentão”.

      Antes um capitalismo “sufocante” do que um socialismo com a liberdade sufocada.

      Ah, no ano que vem será Lulla (socialismo) x Bolsonaro (liberal conservador).

      É assim mesmo, radical, não haverá outra alternativa.

      Agora, ir a NY 4 vezes é para poucos, parabéns. NY é capital do capitalismo (desculpe a redundância).

      Passear em Cuba? nem parra ir a uma festa literária. Lá, o que tem de cultura, tem de pobreza e falta de liberdade

    • Caro Carlito Capita, realmente não nos conhecemos, apenas leio seus textos aqui neste espaço democrático.

      Desculpe se o deixei impaciente, não foi minha intenção. Também sou avô, pensei melhor e se fosse para ter uma lembrança positiva junto das minhas netinhas eu iria até à Disney, o amor que eu sinto por elas superaria aquela “meca artificial do capitalismo”. rsrs

      Hoje penso 24 horas no futuro do nosso país e a briga será aquela que já coloquei no comentário anterior, onde não dá para ficar no muro.

      Gostaria muito de encontrá-lo na linda praia de Jatiúca, na capital que tem as praias mais lindas do BR, onde poderíamos tomar cervejas e discutir, dentre outras coisas, quem foi melhor, Maradona ou Messi, pois com o Rei não dá para comparar.

      Um grande abraço.

  3. Caro João, igualmente como você, sou um cara preocupado com o futuro do país, o Brasil de meus netos. Não acredito no socialismo, eu fui à Cuba convidado para a Festa Literária, foi grande decepção, minha mulher quis voltar no segundo dia. E os piores socialistas estão aqui onde passaram 13 anos acabando com o país.
    Em Maceió todos sabem que que voto e torço para Bolsonaro dar certo. Apenas me afastei de discussão por causa da intolerâcia. Nessas discussões perdi um amigo, meu irmão não fala mais comigo. Eu resolvi não discutir no face ou zap. Mas todos sabem de minha posição política. Se isso é ser isentão, eu sou. Gosto mesmo de estar com uma turma boa na Barraca Pedra Virada tomando cerveja e discutindo futebol e política, Espero um dia nos encontrarmos aqui ou no Refice. Um abraço.

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