A PALAVRA DO EDITOR

Não existe a verdade de cada um. Há uma só: a verdade factual, que é o contrário da mentira. Não tenho compromisso com o erro: constatado o equívoco, trato de reconhecê-lo, peço desculpas ao leitor e sigo em frente, amparado na certeza de que nunca errei por má-fé. Depois de tantos anos lidando com notícias, aprendi a ver as coisas como as coisas são e a contar o caso como o caso foi. É falso que a história seja escrita pelos vencedores. A versão que difundem tem a duração da sua permanência no poder, porque os fatos não morrem. Frequentemente desmaiam. Às vezes, depois de submetidos a selvagens sessões de tortura, passam longos períodos em estado de coma. Mas acabam recuperando a saúde e acabam triunfando sobre falsidades inevitavelmente frágeis. Brigar com fatos é perda de tempo. É coisa para estrábicos por opção.

Eu estava de férias na França no dia em que ouvi a conversa entre Aécio Neves e Joesley Batista. Conhecera o então senador quando era o secretário do avô Tancredo. Acompanhei com admiração sua trajetória em política, as relações sempre amistosas se estreitaram. Apoiei ostensivamente Aécio na eleição presidencial de 2014 e, mesmo depois da derrota na disputa contra Dilma Rousseff, continuei acreditando que ele ainda chefiaria o governo brasileiro. Naquele dia em Paris, alguns minutos de conversa gravada bastaram para escancarar a verdade: eu fora um dos milhões de iludidos pelo homem que, em tantos anos de estreita convivência, nada aprendera com Tancredo Neves.

Suspendi o período de folga, fui para o hotel e, uma hora depois, enviei o comentário para a Jovem Pan. Num texto curto, incluí-me entre os brasileiros que votaram no risonho Dr. Jekill sem imaginar que havia o sombrio Mr. Hyde que acabara de aparecer. Surpreso com o linguajar de pátio de cadeia, afirmei que a forma era mais detestável que o conteúdo, embora o que Aécio e Joesley disseram recomendasse a retirada das crianças da sala. Encerrei o comentário com um lembrete sempre oportuno: para casos de polícia, o remédio é cadeia. Voltei às férias, comprei uma garrafa de vinho e, em silêncio, ergui um brinde aos seres humanos honestos. Parece mentira, mas são muitos.

Pouquíssimos – se é que existem – são os esquerdistas nativos dispostos a enxergar (e confessar que enxergaram) o que até um cadáver exumado pode ver nitidamente, e sem se dar ao trabalho de abrir os olhos. Como decifrar essa cegueira voluntária e irredutível? O que leva alguém a venerar um corrupto duas vezes condenado em duas instâncias? Como explicar o sumiço da autonomia intelectual em cérebros onde já houve vida inteligente? O fato é que os devotos da seita veem as coisas pelo avesso. Os reais negacionistas são os que negam que o chefão tenha cometido um único e escasso pecado venial. Negaram a existência do Mensalão, negam o Petrolão e negarão os escândalos ainda por devassar. Negam as bandalheiras do PT que virou quadrilha. Negam-se a contemplar o Himalaia de provas e evidências que instalou na cadeia o alto-comando da quadrilha. Negam-se a reconhecer que, se Getúlio Vargas saiu da vida para entrar na História, Lula perdeu o rumo da História e caiu de vez na vida. Uma vida bandida.

A cabeça avariada dos negacionistas produz imbecilidades que deixariam constrangido o cretino fundamental de Nelson Rodrigues. A tribo jura que há uma democracia em Cuba, recita que Nicolás Maduro transformaria a Venezuela numa potência mundial se os norte-americanos deixassem e ouve em silêncio de catedral Lula avisando que Napoleão invadiu a China. Os discípulos do mestre que não lê nem sabe escrever acreditam que Sergio Moro descobriu em 2015 que Jair Bolsonaro se elegeria presidente em 2018 e, para impedir que o maior presidente da História voltasse ao poder, juntou numa aliança de proporções siderais delegados da Polícia Federal, procuradores federais, desembargadores do Tribunal Regional Federal, ministros do Supremo, diretores da Petrobras nomeados por Lula e envenenados pela ingratidão, empreiteiros beneficiados por Lula também envenenados pela ingratidão, uma frente multipartidária de políticos dispostos a delatar inverdades, espiões treinados pela CIA e agentes do FBI fluentes em português, fora o resto.

Os pajés ensinam que Lula acabou com a pobreza em 2010 e Dilma erradicou a miséria em 2014, e que a multidão de andrajosos que seguem acampados nas ruas, praças e avenidas do país são brasileiros que subiram para a classe média durante os governos do PT e foram devolvidos às divisões inferiores por Michel Temer e Jair Bolsonaro. A esquerda negacionista também nega que seja orientada por uma cabeça baldia. Aprenderam com a filósofa Marilena Chauí que, “quando Lula fala, o mundo se ilumina”. E descobriram, graças ao professor Antonio Candido, que a fobia por bancos escolares não impediu que o gênio da raça aperfeiçoasse uma intuição mais aguda que a de Pelé invadindo a grande área inimiga. Está garantida a vaga na sala principal de um Museu dos Estadistas ainda à espera da fundação.

Eles acordam declarando amor à democracia e dormem declamando poemas que exaltam a liberdade. Mas negam o convívio dos contrários, não admitem opiniões divergentes e qualificam de fascistas todos os que discordam do Evangelho segundo Lula. Acham que o país é presidido por um genocida decidido a exterminar todos os brasileiros, inclusive os que o elegeram. Estão convencidos de que Bolsonaro não acredita na existência de pandemias. E que é por culpa dele que sobram mortos e faltam vacinas, que há mais doentes do que leitos de UTI, que o vírus chinês resolveu acampar no Brasil até morrer de velhice. Quem discorda dessas certezas é fascista, sonha com a ditadura e é negacionista.

Negacionista é marmanjo que se nega a pensar com independência, é ovelha que acompanha o sinuelo na trilha que conduz ao despenhadeiro. Para uma figura assim, aliás, negacionista talvez seja pouco. Eis aí uma perfeita besta quadrada.

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  1. Me junto ao grande A. Nunes a reconhecer que votei em Aécio em 2014. Eu me revoltei com a famosa mexida que deram no placar da apuração às 19 horas do domingo da eleição no 2º turno. Aécio estava à frente faltando poucos votos, quando aconteceu o famoso apagão de meia hora no TSE. à volta, Dilma aparece consolidada na frente para ganhar a eleição.

    Fui iludido na esperança de que Aécio poderia ser a solução para o Brasil. Hoje eu vejo que foi bom ter entrado o desastre da Dilma, que não terminou seu mandato, resultando na eleição de um verdadeiro candidato de direita e conservador para desespero da canhota geral.

    Diz Augusto: “Pouquíssimos – se é que existem – são os esquerdistas nativos dispostos a enxergar (e confessar que enxergaram) o que até um cadáver exumado pode ver nitidamente”.

    Augusto é muito condescendente com os esquerdistas, ainda dá o benefício de haver exceção. Ele não conhece o Goiano, pois do contrário diria que é mais fácil o defunto enxergar, do que o ceguinho concordar que no período do PT a roubalheira foi a maior de todos os tempos no BR.

  2. João Francisco, tu e Augusto Nunes cometem um erro básico, a partir do qual as injustiças se acumulam: o de ser Católico, ou Protestante, ou Testemunha de Jeová, e acreditar e propalar que o Espiritismo é diabólico. Ou ser protestante e condenar o catolicismo, ou ser Testemunha de Jeová e condenar todo o resto.
    A isso se considera “ser o dono da verdade”.
    Quanto ao arrependimento no voto em Aécio Neves, talvez seja o interruptor que acende a luz do arrependimento no voto e apoio a Jair Messias Bolsonaro.
    Quanto ao apoio ao Lula, posso ser cego, mas apresento amplamente, há anos, anos e anos, as razões fundamentadas, aqui no Jornal da Besta Fubana, porque o faço e quais são as razões de minhas convicções.

    • Goiano, onde eu disse que me arrependi de ter votado no Aécio? Eu disse que achava que ele era uma coisa que ele não era, me iludi.

      Veja bem, a alternativa era a Dilma, A DILMANTA. Eu jamais votaria nela.

      Quanto a ser o dono da verdade, eu sigo A. Nunes, a verdade é uma só. Dizer que Lula é inocente é negar que a Petrobras foi roubada.

  3. João Francisco, se dfizer que Lula é inocente é dizer que a Petrobras não foi roubada, então a Petrobras não foi roubada.
    Por quê?
    Explico:
    Fachin tirou o processo de Lula das mãos da Operação Lava Jato, ou 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, porque considerou que as acusações contra Lula, as quatro que estavam lá, não têm relação direta com a Petrobras, até porque, como sabes, deves estar mesmo careca e cansado de saber, os crimes que Lula cometeu são indeterminados, tipo Conceição, ninguém sabe, ninguém viu.
    Quanto a prender-se à tese de que tendo havido condenações em duas ou mais instâncias garante-se a culpabilidade, isso se contrapõe ao Direito, que põe à disposição inúmeros recurssos, em todas as instâncias, cujos os quais são muitas vezes providos e o acusado ao final inocentado. Ou ocorre o que ocorreu com Lula, possíveis (vamos aguardar) incompetência do juízo e indícios muito marcantes, robustos, fortes, de suspeição do juiz que nem natural seria.
    Pois bem, negar essa dúvida a respeito de Liula, ante todas as evidências de “parti pris”, é negar as bases do Direito.
    É claro que minha ligação com Lula, cujo o qual nunca vi mais gordo, tem o poder de reforçar minhas dúvidas a seu dele favor, mas disso o sujeito relativamente normal dificilmente escapa, razão pela qual a paixão por Jair Messias Bolsonaro, Mito, permite que vejamos a aceitação de seus absurdos por quem sed vê nele.

    • Bom, se a Petrobras não foi roubada, mais de 70 operações, 300 condenações, 1700 anos de prisão, 8 bi de reais devolvidos pela LJ em 6 anos foram feitos indevidamente.

      Quando tudo isso ocorreu, o maior responsável pela petroleira era o PR Lulla, que não foi inocentado ainda.

      Quanto À conclusão absurda do Facchim, é óbvio que uma empreiteira do nível da Odebrecht não prestava somente serviços à Petrobras e que a distribuição das propinas não vinha carimbada de acordo com a obra executada, ou assinatura do recebedor.. A planilha da Empreiteira dava apelido aos recebedores, bem como o valor que lhes cabia pelo conjunto da roubalheira. Ficou mais que provado que cada apelidado recebeu sua parte do butim.

    • É como eu falei, Goiano, não anulo meu voto, entre as opções a do Aécio era e seria a melhor ainda que fosse hoje contra a Dilma ou qualquer outro do PT.

      • Caríssimo João,
        Também “fui tucano” ao longo das eleições por serem o “mureiros” emplumados a solução menos ruim na hora do voto.

        Nunca gostei de FHC, Serra, Aécio e demais seres de alta plumagem tucanal, mas (maledetto)mas, eram os menos ruins que se apresentavam a Sancho na hora da votação. E Sancho não anula voto ou deixa de votar. Todo pleito estou nas urnas para votar no menos ruim. Em 2018 o menos ruim era Bolsonaro.

        Em 2018 votei Bolsonaro e em 2022 de novo, novamente e outra vez votarei no JAIR…

        • Grande Sancho, diferentemente do que Goiano pensa, não sou “Bolsonarista”. Para mim Bolsonaro é nota 7, é o que temos para hoje. Avalio sempre o que é melhor para o Brasil de meus filhos e netas.

          Tem problemas de comunicação, senão seria nota 8,5.

          Vejo, com relação aos demais, inclusive os plumados, que ele ainda é a melhor solução.

          • DOU NOTA 6,9 para o Jair. e concordo com o tal problema de comunicação, mas (falastrão mas), há quem goste.
            Quantos aos demais candidatos à faixa está difícil arrumar nota superior a 2.

            Teremos os mesmos de 2018, mais o molusco (Andradekkkkk de vice), talvez o ex-juiz e o apresentador da plim-plim).

            Ou seja, de novo o menos ruim é o Jair.

    • Goiano, o prefeito de Ribeirão Preto declarou estado de sítio na cidade. Pessoas são presas por irem trabalhar ou por andar nas ruas.

      Estado de Sítio é atribuição exclusiva do PR, com data para começar e terminar e aprovação do Congresso.

      Está na CF. Na Bahia é a mesma coisa.

    • É, Goiano, em se tratando de esquerda, o vídeo acima, com pouco mais de 10 mil visualizações em 5 horas é um espanto.

      Isso no Poder 360 que tem quase 500 mil inscritos.

      Se isso é viralizar, o abaixo assinado do Coppolla para tirar o cabeça de piroca é uma bomba atômica com 2,6 milhões de assinaturas, sendo que o vídeo do Coppolla foi visto 1,2 mi de vezes em 4 dias.

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