JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

As novas gerações não imaginam a importância que a nossa cidade teve durante a 2ª Guerra Mundial, tampouco como Natal chamou para si a atenção do planeta na condição de capital brasileira no segundo grande conflito mundial.

Natal, por sua posição estrategicamente privilegiada, recebeu epítetos grandiosos tais como Encruzilhada do Mundo, por baratear deslocamentos aéreos para a África e Europa; e, na década de 1940, com a instalação da base aérea Parnamirim Field, ocupada por militares norte-americanos, ficou conhecida como o Trampolim da Vitória, fato que a tornou notícia na imprensa internacional até o final da guerra.

Tudo começou em dezembro de 1941 com o ataque surpresa de japoneses contra a base americana Pearl Arbor, em Honolulu, Havaí, o que ensejou a entrada dos Estados Unidos da América do Norte, na Grande Guerra do século passado.

Embora o Brasil mantivesse uma política de neutralidade perante as nações conflitantes da época, nada impediu Getúlio Vargas de firmar aliança com os Estados Unidos em troca de recursos para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda-RJ. Em contrapartida, permitiu as instalações de uma Base Naval e da Parnamirim Field, em território nacional, concluídas em março de 1942.

Natal viu-se, num piscar de olhos, invadida por um contingente de 10 mil militares norte-americanos. Isso mudou radicalmente o perfil da pequena capital potiguar de 55 mil habitantes. Igual ao significativo acordo político firmado inserindo o país no conflito mundial, foi a influência cultural deixada pelos americanos em Natal.

Coca-Cola, ketchup, batata-frita chegaram aqui bem antes que na maioria das capitais do país. Criaram-se bons restaurantes, clubes e muitas casas noturnas agitaram a noite natalense com a frequência maciça de pracinhas de Tio Sam.

Para levantar o moral das tropas aqui aquarteladas, visitaram Parnamirim Field diversos astros de Hollywood, entre eles Tyrone Power, Clark Gable, Humphrey Bogart, Al Johnson e as orquestras de Tommy Dorsey e de Glenn Miller.

O bairro Ribeira era o centro das atrações, porque ali estava a maioria dos cabarés e o principal hotel da cidade, o Grande Hotel. As botas artesanais fabricadas em Natal foram artigos cobiçadas; porém, a predileção dos militares para presentear namoradas e esposas eram as meias de seda – a seda dos Estados Unidos destinava-se ao fabrico de paraquedas, por isso a escassez do produto no país. Comerciantes de Natal inflaram as finanças revendendo meias de seda adquiridas no Sul do Brasil.

Sim, em Natal houve blackouts e até abrigos subterrâneos construídos por famílias tradicionais e endinheiradas, receosas dos efeitos danosos de ataques aéreos à capital. As mulheres natalenses eram consideradas, pejorativamente, modernas, por serem avançadas demais para os costumes da época.

A fotografia acima foi tirada em março de 1942, quando da visita do presidente dos EEUU, Franklin Delano Roosevelt, a Natal, aqui recepcionado pelo presidente Getúlio Vargas. Eis o diálogo razão do gargalhar dos passageiros do Jeep:

– Roosevelt, onde desejas almoçar: aqui ou em Parnamirim Field? – perguntou Getúlio.

Ante a dúvida de Roosevelt, que esperava almoçar com os compatriotas na base militar de Parnamirim, ouviu-se um bem-intencionado motorista apresentar uma opção para o festim e, logo em seguida, se encabular da proposta:

– Onde melhor se come em Natal é no cabaré de Maria Boa!

Ao ouvir o pitaco, Roosevelt levantou o polegar esquerdo, e disse:

– Okay! Let’s go to Maria Boa!

2 pensou em “NATAL, O BRASIL NA II GUERRA

  1. Ela não era BOA, era ÓTIMA… Ao ler o excelente texto do magnífico Narcelio, Sancho levantou o polegar esquerdo, e disse para os camaradas fubânicos:

    – Okay! Let’s go to Maria Boa!

    Maria Boa permanece tão viva no imaginário popular, que outros colunistas fubânicos já a mencionaram DIVERSAS vezes aqui no maior jornal intergaláctico, o nosso Jornal da Besta Fubana, inclusive com foto de aeronave que levava o nome da “moça” inscrito próximo ao “nariz” do avião.

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