GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

Goiano Braga Horta

Berto me convida para retomar a coluna que mantinha no Jornal da Besta Fubana e a hora seria propícia para comentar a segunda condenação de Lula, por doze anos e meio de prisão, no caso do Sítio de Atibaia.

Ainda não pude ler o inteiro teor da sentença, entretanto algumas notícias já nos dão idéia de barbaridades que continuam a ser cometidas pelo chamado livre convencimento do juiz, uma vez que as amostras do noticiário já parecem indicar que dentre uma série de barbaridades, a mais gritante se repete: – Não se pôde demonstrar a prática, por Lula, de atos concretos de “ajuda” a empresas corruptas para que elas pudessem ter vantagens ilícitas na obtenção de contratos com a Petrobras.

O juízo da 13ª Vara da Justiça Federal insiste em julgar por suas próprias razões, convencidos os julgadores de que, a uma, Lula recebeu vantagens distribuídas por empreiteiras, a duas, que essas vantagens só podem constituir contrapartida e, a três, que a forma de receber os “presentes” é, sem dúvida, lavagem de dinheiro.

Tanto quanto se sabe, nem no caso do tríplex, como nem no caso do sítio, algum delator teve a cachimônia de denunciar que Lula recebeu os favores por ter feito isso, aquilo e mais aquilo outro em favor de empresas, de modo que sequer as delações, tidas como provas, ou formadoras de um conjunto indiciário, carregariam o poder de garantir a atuação desonesta de Lula – que mais não fora, se o fosse, de fechar os olhos a favores feitos por empresas interessadas em estar bem na fita com um ex e, muito provavelmente, futuro presidente do Brasil, ou, que tanto não fosse, autoridade de destaque na república.

Vários juristas se debruçam sobre a questão do convencimento do juiz formado pela análise de indícios trazidos em delações e corroborados por outros indícios, condenando essa forma de fundamentação de sentenças condenatórias que correspondem à afirmação de que o cachorro entra na igreja porque encontra a porta aberta, como é o caso do advogado criminalista Guilherme Kuhn.

Bem, seria esse o material que eu começaria a explorar hoje, inaugurando esse regresso digamos assim oficial.

Mas o momento não é disso, a hora é de chorar e rezar pelas vítimas das recentes tragédias brasileiras em Brumadinho e no Ninho do Urubu do Flamengo, além dos demais mortos e feridos pelas recentes tempestades – não de chorar por Lula.

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