JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

“Olé, mulher rendeira,
Olé mulher rendá.

A pequena vai no bolso,
A maior vai no embornal.
Se chora por mim não fica,
Só se eu não puder levar.

O fuzil de lampião,
Tem cinco laços de fita.
O lugar que ele habita,
Não falta moça bonita.”

Mulher rendeira e os afazeres poéticos

Os bilros, com suas cabeças arredondadas substituem as canetas, a almofada substitui a mesa, e a linha, vai substituindo o papel, nos desenhares poéticos da renda e do ganhar o pão da vida. Poder-se-ia afirmar sem titubeio, são as muitas Coras Coralinas que, fazendo desenhos mágicos de renda, escrevem maravilhosos poemas.

Esse verdadeiro “Mundo Encantado” tem o nome de Beberibe, extensa área da orla marítima da Zona Metropolitana de Fortaleza. São apenas 79 Km para a capital cearense. Quando o vento favorece, alguns dizem sentir o cheiro da maresia açoitada, e, nas noites de luas brancas, ouve-se verdadeiras óperas trazidas pela calmaria noturna. Verdadeira poesia, sim senhor.

Mas, magia e poesia mesmo são as rendas. Mãos mágicas de anjos calejadas ou não, tecem em rimas incomparáveis, as mais belas peças que, com dignidade e por merecimento, levam as autoras a terem assentos nas vitrines poéticas mundo à fora.

Beberibe, onde as praias não são mais virgens, desfruta a boa vizinhança de Cascavel, Morada Nova, Russas, Aracati e Ocara. A magia indecifrável e indescritível das águas verdes – por momentos – e azuis, por outros tantos. Uma culinária afrodisíaca fantástica, com pousadas de bom nível com serviços e atendimentos perfeitos. Um verdadeiro paraíso, superado apenas pela beleza da renda, que as mágicas e poetisas rendeiras escrevem.

Mestra Raimundinha e a poesia da renda colorida

Distante apenas 137 Km de Fortaleza, a poesia da rendeira deixa um pouco de lado o branco e, com versos tão perfeitos quantos os de Beberibe, mas, coloridos, vamos encontrar as rendeiras do Trairi, também Região Metropolitana de Fortaleza.

Longe de ser deixada de lado, a tradição das almofadas, dos bilros propõe ganha a internacionalização colorida da renda em forma de poesia. A poesia das cores já alcançou, e está “botando banca” nas mais sofisticadas vitrines de Paris, Londres e Roma.

Diferentemente de Beberibe, Trairi, provavelmente por conta de nomes internacionais envolvidos com a arte cinematográfica, pintura e moda, já “reconheceu” o nome de Raimundinha, como Mestra. Responsável pela proliferação do colorido que sai das almofadas e mãos caprichosas e mágicas das rendeiras.

Com seus 72 anos de emancipação (desde 1951), Trairi já faz parte do mundo internacional da moda, gerando emprego e renda, e tem transformado a aconchegante e litorânea cidade numa atração turística do Ceará.

Rendeira de Aracati

Para o litoral sul da capital, distante aproximadamente 150 Km, a cidade de Aracati – emancipada em 11 de abril de 1747 – é o mais antigo e reconhecido polo da arte das rendas no Ceará. Inspiração musical, cenário de vários filmes, Aracati foi tombada “Patrimônio Nacional” pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), no ano de 2000.

Como se a arte secular de desenhar e tecer rendas não fosse suficiente, a cidade tem um dos mais belos e aprazíveis litorais do país. Pontificam mundo à fora, as praias de Canoa Quebrada, Quixaba, Fontainha, Lagoa do Mato, Retirinho e Majorlândia.

Rendeira eternizada em estátua

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