PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901-1964)

2 pensou em “MOTIVO – Cecília Meireles

  1. Sem preço o prazer de ler aqui um poema da Cecília Meireles!!
    Em tempos bicudos, tempos de muita preocupação e tristeza, nada como lembrarmos que temos alma e coração, através de uma bela poesia!

  2. Soneto musicado pelo cearense Raimundo Fagner no LP Quem Viver Chorará. Que rendeu um processo da família de Cecília Meireles e teve que sair do disco a música, sendo substituída numa nova edição com a música Quem Me Levará Sou Eu do Mestre Dominguinhos e Manduka.

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