J.R. GUZZO

Pedido de investigação de supostas “fake news” contra o governo foi feito por Paulo Pimenta, responsável pela Secom do presidente Lula.

Pedido de investigação de supostas “fake news” contra o governo foi feito por Paulo Pimenta, responsável pela Secom do presidente Lula

O PT e a esquerda nacional, nesta terceira passagem de Lula pelo Palácio do Planalto, desenvolveram uma paixão súbita pela polícia. Não deu para perceber esse tipo de coisa nas duas primeiras vezes. A esquerda, naquela época, pendia mais para o lado contrário – tinha o velho hábito de ver a polícia atrás dela, e não gostava, por instinto, de farda, gente com revólver na cinta e sirene tocando. Mas como nos ensina Machado de Assis em Quincas Borba, o sujeito só aprecia o valor do chicote quando o cabo está na sua mão.

A polícia, agora, não está querendo enfiar as “lideranças populares” no camburão. Está sob as suas ordens no plano federal, faz cinco vezes por dia suas orações rituais à democracia e vive à procura de ordens para obedecer. Caiu a ficha, ao que parece. O PT percebeu o que todo o regime de esquerda já nasce sabendo: se quiser realmente ter uma permanência mais duradoura no governo, é preciso armar uma ditadura em torno de si. Pode ser disfarçada ao máximo, mas tem de ser ditadura – e o maior sonho de todas as ditaduras de esquerda é ter a sua KGB.

A ânsia com que o governo Lula tem se jogado na cama da repressão está especialmente visível na sua conduta em relação às enchentes do Rio Grande do Sul. Diante da pior tragédia natural que o Brasil já viveu em sua história recente, a coisa em que eles mais pensam é aquilo: “Manda prender”. Abre inquérito criminal. Põe disque denúncia. Solta a Globo em cima. Chama a ministra Cármen Lúcia. Toca polícia.

Contra quem? Idealmente, contra o povo gaúcho – essa gente “branque”, “fasciste” e “safade” que teve o desplante de se organizar para socorrer a si mesma e se mostrou mais competente para isso do que o sagrado governo Lula. Mas como não é possível prender o povo inteiro, descontaram sobre o seu grande inimigo: as fake news. Exigem, para se ir direto ao resumo da ópera, que os cidadãos que se manifestam sobre o desastre nas redes sociais copiem o noticiário da TV Globo. Se não for assim, é fake news, e fake news tem de dar cadeia.

O chefe do pelotão de fuzilamento atual é o peixe graúdo que dirige a Secretaria de Comunicação, ou o Ministério de Verbas Para a Imprensa. Quer prender os autores de notícias que desagradam o governo, sobretudo as verdadeiras. Pediu investigação da Polícia Federal. Queixou-se ao ministro da Justiça – e dali a coisa subiu para os tribunais supremos, que não têm rigorosamente nada a ver com isso. Denunciou postagens publicadas nas redes sociais como “atividades criminosas”. Colocou a mídia oficial como força auxiliar da repressão.

Foi tão bem na sua missão que Lula o transformou em Ministro Temporário da Calamidade; está encarregado, agora, de anunciar as dádivas de verbas federais de acordo com os elogios feitos ao governo. Faz sentido. Um dos critérios para a denúncia de fake news foi o tipo de imagens postadas nas redes. As que mostram gente do povo ajudando o próprio povo, em vez do Exército e de outros “agentes públicos”, são excomungadas como “desinformação” destinada a esconder o brilho das operações do “Estado”. É um crime, para o consórcio que manda no Brasil.

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