CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

O Brasil não tem sossego. Cheio de problemas, tenta dar uma ajeitada no meio da saraivada de desajustes, mas acaba levando novas cacetadas. É uma atrás da outra. Sem trégua. Mas, valente, raçudo, o país segue em frente, guiando-se pelo radar para não perder o prumo.

Por isso, acostumado com tantas desgraceiras, o brasileiro tem por hábito tirar um ronco, enquanto o pau rola solto por aí. Todavia, pensando que o pior passou, quando desperta o cidadão percebe que nada mudou no cenário nacional. Tudo permanece no mesmo pandemônio.

Agora, o cidadão anseia melhorias, trava contato com outra terrível situação. A Selic caiu de novo. Baixou para 2,25%. Atingiu o menor patamar da história que começou em 1996. É o oitavo corte em sequência e o quarto oficializado este ano

A medida do Copom surpreendeu até os gurus da economia que juravam de pés juntos que a tendência da taxa Selic era permanecer em 4,5% até o ano 2021.

Todavia, pode haver novos cortes, quem determina a condição é o cenário da economia, ainda dependente do andar da carruagem da pandemia.

Acreditavam os economistas infiltrados na administração de Corretoras que que o patamar da Selic estava consolidado. Portanto, até o ano de 2021, a Selic estaria imexível. Intocada.

Porém, não foi isso o que aconteceu. As autoridades monetárias rasgaram as previsões. Enroscaram as projeções. Cortaram a taxa mais uma vez, deixando os analistas perplexos, de boca aberta, diante da inesperada surpresa.

Parece até reprise do filme projetado pela primeira vez em 2016. De 14,25%, caiu para 6,5%. Porém em 2018 e 2019 deu uma paradinha, mantendo a taxa nesse patamar de 6,5%. Apesar do Banco Central ter feito mais 10 reuniões, sem fazer uma mudança, sequer.

Pela decisão de baixar a taxa para 2,25%, realmente, pouca gente esperava. Embora houvesse alguém viesse cogitando tal decisão no Banco Central. Já que existe espaço na economia para essa decisão. Com a medida, o câmbio oscilou.

A cotação do dólar aumenta tem aumentado ultimamente. O real tem se desvalorizado, o cenário externo estimula e o preço da carne, na época, tendia a se estabilizar.

A Selic é a taxa básica de juros. É a referência para manipular o crédito e os investimentos em renda fixa. Quando os juros voltarem a subir, com certeza anunciarão boas notícias.

A Selic sinaliza que a economia retomou o caminho do crescimento, o desemprego caiu e com renda maior, a sociedade aumentou o consumo. Sonho quase que geral na população brasileira. Mas, pelo menos no momento, diante das circunstancias, o sonho, a vontade do brasileiro não passa de devaneios.

Também os analistas creem que caso a taxa Selic volte a crescer, não deverá aumentar com força, com a mesma rispidez do passado que derrubou a economia nacional. Gerando inflação.

Nesse ponto, alguns detalhes estimulam os analistas a pensar diferente. No momento, os juros no mundo andam baixos, a economia brasileira apresenta sinais de eficiência e os bancos digitais estão focados em reduzir os juros para quem pretende investir ou melhorar o consumo.

Num ponto, os economistas concordam. Em virtude de a política econômica não despertar desconfiança de que navegue em maré alta, a economia e o emprego não apresentem, nem tão cedo, sinais de crescimento acelerado, senão acorda a pressão inflacionária.

De qualquer modo, o maior receio é o dólar ter ultrapassado a barreira de cautela, estipulada na casa de R$ 5,30. Comprometendo o risco de investimento no Brasil e assombrar o dragão da inflação.

De todo modo, o cidadão tem de ficar alerta, de olho no desenrolar de duas políticas econômicas. A política monetária e a cambial.

A política monetária, responsável pelo controle da quantidade da moeda, do crédito e das taxas de juros Selic) não pode afrouxar a vigilância, senão os juros dos financiamentos e dos cartões crédito ultrapassam as nuvens. Explodindo tudo. Este tipo de política, também conhecida como política monetária restritiva, tem o poder de desestimular o consumo e os investimentos.

Atualmente, o Brasil adota o tipo de política monetária expansionista. Com a taxa de juros baixa, a prioridade é estimular o consumo e o investimento. Com a intensão de atrair indústrias, favorecer negócios, estimular a construção civil, enfim, gerar emprego.

O que tem valorizado o dólar é a crise externa. A alta do dólar desencoraja o brasileiro a viajar para o estrangeiro. Encarecem as passagens aéreas, a hospedagem e, sobretudo as importações, em face do preço dos produtos internacionais ficar mais caro. Obrigando os empreendedores a comprar seus estoques no mercado interno.

Outra boa possibilidade é o incentivo ao turismo nacional. Com o Real desvalorizado, o Brasil pode ser escolhido como destino turístico pelos gringos por concluir ser vantagem visitar o país que oferece tudo mais barato em relação ao mundo. O problema é o coronavírus que mete medo e atrapalha as viagens.

A desvantagem da alta do dólar é elevar o preço do pão francês. Como o trigo é importado, automaticamente o preço do pãozinho francês também sobe. Encarece. Aí quem reclama e com razão é a dona de casa que nota o apertado dinheirinho brasileiro desaparecer pelo ralo.

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