ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

“O mito é o nada que é tudo!” Fernando Pessoa

Segundo Yuval Harari, em sua brilhante obra denominada SAPIENS – Uma breve história da humanidade, o que levou a espécie humana a sair de uma posição intermediária, na cadeia alimentar, para a posição de domínio absoluto, que hoje usufrui, foi a capacidade que os seres desta espécie possuem de compartilhar mitos. Esta capacidade teria se iniciado com a expansão verificada na capacidade da linguagem humana para transmitir informações sobre o mundo à volta, a partir daquilo que ele denominou “A Revolução Cognitiva” há cerca de 70.000 anos. Esta evolução tornou-se possível a cooperação dentro de bandos cada vez maiores.

Depois, passamos a poder transmitir informações sobre as relações sociais dentro do nosso grupo. Isto teria tornado possível a formação de bandos cada vez maiores, chegando a ter cerca de 150 indivíduos, formando-se assim uma hierarquia social cada vez mais complexa.

O passo seguinte foi a capacidade de contar estórias, verdadeiras ou não, algumas falando de espíritos dos ancestrais, das árvores, da montanha e dos rios. Foram esses mitos compartilhados, fossem eles Marduk, Baal, Zeus ou Amon-Ra, narrados em noites estreladas e ao lado de uma fogueira, que tornaram possível a colaboração entre muitos milhares de indivíduos, e que propiciou o grande salto evolutivo da nossa espécie.

A partir desta nova habilidade que a espécie Homo Sapiens contadores de estórias teriam se espalhado por todos os continentes, exterminando todas as outras espécies da família HOMO e provocando a extinção em massa de todas as espécies que melhor se prestavam à sua alimentação, num grande desastre ecológico que, até hoje, não foi ainda devidamente explicado às nossas crianças.

Há cerca de 10 ou 12.000 anos atrás, com o fim da última era glacial, as temperaturas na terra toda se tornaram mais amenas e propícias à agricultura. Algumas espécies de cereais haviam se destacado pela facilidade de cultivo e passaram a ter destaque na dieta alimentar de grupos humanos em todo o Crescente Fértil pela agricultura.

O incremento exponencial da quantidade de alimentos disponíveis, proporcionado pela agricultura, provocou, também um tremendo aumento na população e a possibilidade de uma parte da população NÃO se dedicar à produção de alimentos. Foi aí que surgiram os artesãos, os comerciantes e principalmente, O GOVERNO, com todas as suas ramificações: Soldados, coletores de impostos, magistrados, ministros, etc.

O agricultor só concordou em “colaborar” com o governo de forma imposta – daí o nome de imposto. Fez-se necessária, também, a criação e o compartilhamento, com toda a população, de uma grande quantidade de mitos. Todos estes aglomerados humanos eram baseados em ordens imaginárias justificadas por mitos compartilhados. Desde o famoso “Código de Hamurabi” que estas ordenações se baseiam em mitos como os que foram alegados por aquele rei – Anu, Enlil e Marduk, principais entidades do panteão da Mesopotâmia.

Uma ordem imaginada, baseada em mitos compartilhados, está sempre ameaçada de colapso, bastando para isso que as pessoas simplesmente deixem de acreditar neles. Como disse Dostoievsky, “Se Deus não existe, então tudo é possível! ” Já Voltaire dizia: “Deus não existe! Mas não conte a meu servo, para que ele não me mate durante a noite. ” Para fazer com que as pessoas acreditem nas ordens imaginadas, não se admite nunca que esta mesma ordem tenha sua origem na imaginação de alguém. Sua origem deve ser sempre divina, ou até mesmo apresentada como sendo “A ordem Natural das Coisas. ”

Hoje, com o passar dos milênios, toda nossa estrutura social está baseada nestas criações da imaginação humana: Capitalismo, dinheiro, países, instituições bancárias, de ensino, governamentais, empresas, estrutura familiar, estruturas de poder, legislações as mais diversas, sistema educacional, e por aí segue infinitamente. Tudo construído a partir de crenças intersubjetivas compartilhadas. Existem apenas porque nós acreditamos que elas existem, juntamente com uma enorme multidão de pessoas como nós que também acreditam na existência dessas abstrações da mente humana.

O danado é que, para mudar uma ordem subjetiva existente, temos, primeiro, que acreditar em uma ordem subjetiva alternativa. É exatamente aí que está a desgraça dos tempos nebulosos e tumultuados vivemos!

Estamos vivendo em uma época na qual hordas de imbecis, normalmente manipulados por interesses que desconhecemos a origem, tentam desesperadamente desacreditar tudo aquilo em que acreditávamos, e que eram a base de toda a nossa estrutura social, mesmo as verdades mais evidentes e comprovadas. Tudo isso visando simplesmente a implantação de uma nova ordem, aparentemente utópica, mas que, na realidade, tem se mostrado altamente distópica: O famigerado comunismo.

Hoje, mesmo após milhares de anos de evolução da ciência, uma proporção imensa da população se diz adepta do “Terraplanismo”. Outros, motivados por crenças religiosas, se autodenominam de “Criacionistas”, negando toda imensa bagagem de conhecimentos já acumulada em cima das teorias de Darwin.

Tudo o que nos era sólido está se desmanchando no ar! Os papeis biológicos e sociais de “Homem” e Mulher” já não são, nem de longe, o que costumavam ser. Querem que admitamos como sendo a coisa mais normal do mundo pessoas do mesmo sexo vindo a formar o que chamam de “Casais”, quando seriam, no máximo, uma dupla ou uma parelha. Querem viver juntos e usufruir de uma forma de sexualidade bizarra? Por mim, está tudo bem! Problema deles! Só não me venham querer convencer que esta situação é a mais normal do mundo. Nem tampouco querer denominar esta situação esdruxula de “Casal”. Mais patética ainda é a realização de “Cerimônias” grotescas de “Casamento Gay”, mera contrafação de outra que costumava ser central na vida das pessoas, até sofrer a “desconstrução” de que está sendo vítima.

Hoje, efebos efeminados, cheios de tatuagens, brincos nas orelhas, piercings em tudo que é lugar e longos cabelos amarrados em um nó no alto da cabeça (Devem ter a função utilitária de facilitar para o parceiro sexual ter onde segurar) são o que existe de mais representativo da atual situação predominante entre a rapaziada. Já as moçoilas, também abundantemente tatuadas, cabelo raspado de um lado e longo do outro, parecendo só Deus sabe o que, utilizam botinas militares e se comportam de maneira agressiva, tal qual os rapazes faziam antigamente.

Quem tem coragem de transar com essas desgraças?

Já a propriedade privada, base de todo o nosso desenvolvimento econômico nos últimos milênios, passa a ter uma “Função Social”, seja lá isso o que for. Tudo o que as pessoas consideram como garantido está sendo relativizado. As afirmativas mais peremptórias passaram a ser sempre seguidas por “Desde que…” As verdades mais evidentes e consolidadas na mente humana passam a ser mera “Questão de Opinião”.

A ciência, que costumava ser o pilar central das crenças do homem moderno, vem sendo lenta e metodicamente “desconstruída”. Vejam a nota que um amigo da Escandinávia me enviou a respeito. É simplesmente ARRASADORA! Estão nos levando a acreditar em montanhas de imbecilidades e sandices as mais diversas, tudo motivado pelo mesmíssimo desejo de destruir tudo o que representa a nossa civilização.

Da mesma forma que dinheiro gera dinheiro, inteligência gera e atrai inteligência. A inteligência é um fenômeno coletivo. É extremamente difícil ser inteligente em um ambiente imbecil. Imaginem Atenas, 300 A.C.: No governo, Péricles está criando os fundamentos da democracia; na medicina, Hipócrates estabelecendo as bases, na geometria, Tales de Mileto e Pitágoras; na Filosofia, Platão, Sócrates, Heráclito, e tantos outros; na poesia, Homero; na história, Heródoto, na química, na astronomia, e por aí vai. Uma época de ouro! Ou Florença, no século XV: Na pintura, Rafael, Michelangelo, Leonardo da Vinci, na poesia, Dante; na política, Machiavel; na literatura, Bocaccio; anatomia, física, astronomia, etc. Ou o Vale do Silício atual, de onde tem saído a maioria das maravilhas da tecnologia moderna. O outro lado desta estória é que, infelizmente, ignorância gera e atrai mais ignorância. Este é o nosso caso hoje!

Conseguimos dar um basta no PT. Graças a Deus surgiu um cara como Bolsonaro. Só que o que está por trás desta situação é imensamente maior. Gramsci pode ser chamado de tudo, menos de burro. Está me parecendo que os comunas

JÁ CONQUISTARAM A HEGEMONIA NAS NOVAS GERAÇÕES!

Agora, para reverter essa desgraça, só com mão de ferro! Minha opinião?

GUILHOTINA JÁ!!!!!

8 pensou em “MITOS COMPARTILHADOS E A NOVA ERA DAS TREVAS

  1. Da mesma forma que dinheiro gera dinheiro, inteligência gera e atrai inteligência. A inteligência é um fenômeno coletivo. É extremamente difícil ser inteligente em um ambiente imbecil.

    Tudo o que nos era sólido está se desmanchando no ar! Toda regra tem exceção?

    O que seria o JBF? Fenômeno imbecil cheio de inteligentes ou inteligentes em um fenômeno imbecil? Exemplificarei minha pessoa, pois não quero encrenca nem com os inteligentes, e muito menos com os imbecis desta gazeta (os há? Sim, infelizmente).

    Sancho vê rasgos de inteligência misturados com doses maciças de imbecilidade em sua própria figura. Os incautos que perdem tempo lendo a coluna de Sancho às sextas são testemunhas oculares de tal despautério.

    Como discordar deste trecho adônico? Assim escreveu Adônis:Estamos vivendo em uma época na qual hordas de imbecis, normalmente manipulados por interesses que desconhecemos a origem, tentam desesperadamente desacreditar tudo aquilo em que acreditávamos, e que eram a base de toda a nossa estrutura social, mesmo as verdades mais evidentes e comprovadas.

    Vou dar uma forcinha e colocar em evidência o que o maior de todos os cronistas já constatava em passado já um pouco distante. Os cretinos fundamentais de antigamente se limitavam a babar na gravata, lembrou Nelson Rodrigues numa crônica de maio de 1969. “O primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota”, escreveu. “Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Nunca um idiota tentou questionar os valores da vida”. Antes que se desse “a ascensão fulminante e espantosa do idiota”, decidia por ele gente que tinha cabeça para pensar e sabia o que fazia.

    A perfeição tem nome, sobrenome e escreve aos domingos nesta gazeta escrota…

    .

    • “O primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota”

      Isso é dificultado pelo chamado Efeito Dunning-Kruger, segundo o qual quanto mais burra uma pessoa é, mais dificuldade ela tem em entender que é burra.

    • Caro Sancho,

      Obrigado pelo inteligente comentário. Aliás, devemos fazer justiça e exaltar a inteligência brilhante de Luizberto, que conseguiu atrair mentes brilhantes, que nem a sua, para este jornal único na internet, e que eu considero um farol de resistência contra o tsunami de imbecilidades que nos assola.

      Por falar nos “Cretinos Fundamentais”, precisamos urgentemente fazê-los todos retornarem “Manu Militare” às nobres tarefas de passar o dia todo babando as gravatas, em lugar de quererem eleger um deles e imporem suas visões mediocres de mundo sobre nós.

  2. Adônis, você conseguiu expressar uma idéia que eu já tentei várias vezes e não consegui, pelo menos não com a sua clareza:

    “O incremento exponencial da quantidade de alimentos disponíveis, proporcionado pela agricultura, provocou, também um tremendo aumento na população e a possibilidade de uma parte da população NÃO se dedicar à produção de alimentos. Foi aí que surgiram os artesãos, os comerciantes e principalmente, O GOVERNO”

    O mal de nosso tempo é a fartura. Dez por cento da população trabalha para que os outros noventa por cento fiquem carimbando papéis e brincando com Excel, achando que estão fazendo algo da maior importância.

    Outro dia estava lendo uma matéria no facebook sobre a quantidade de pequenas empresas que estão fechando nesta pandemia. Um inteligentinho qualquer escreveu o seguinte comentário: “Que fechem! Empresário incompetente que não sabe estruturar sua empresa para operar em home-office tem mais é que se ferrar mesmo.”

    Eu perguntei ao inteligentinho como ele acha que se produz cimento ou aço em home-office, ou como se fabricam máquinas e equipamentos em home-office, ou como se constrói uma ponte ou represa em home-office, ou mesmo como um hotel atende seus fregueses via home-office. Estou esperando a resposta até agora.

    Diziam os antigos “tempos difíceis constroem homens fortes, homens fortes constroem tempos suaves, tempos suaves constroem homens fracos e homens fracos constroem tempos difíceis”. Será que conseguiremos dar a volta e completar mais um ciclo, ou permaneceremos presos nos tempos difíceis junto com os homens fracos?

    P.S.: Para seu projeto de exílio aquático voluntário, esta empresa na França vende barcos (“penichettes”) usados:

    https://www.locaboat.com/bateau-et-penichettes-a-vendre/

  3. No campo da ficção, um personagem de um antigo filme de Orson Welles disse:

    “A Florença dos Médici era um inferno de corrupção, cobiça, traições e assassinatos. Eles nos deram Leonardo da Vinci e Michelangelo. Por outro lado, a Suíça tem mil anos de paz e democracia. O que eles deram ao mundo? O relógio-cuco!”

    • Caro Marcelo,

      A urucubaca do Brasil é tão grande que temos “um inferno de corrupção, cobiça, traições e assassinatos” e vamos continuar eternamente afundando na merda.
      O mais perto que chegamos, em termos de artistas, foi o pedófilo Caetano e o puxa-saco de comunista Chico Buarque.
      ahahahahah

      • E o que Deu o Brasil ao mundo? Num o relógio-cuco!
        Eu ia dizer deu o JBF, mas (gigantesco mas), o JBF não é do Brasil, é do mundo.

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