A PALAVRA DO EDITOR

Poucos homens públicos conseguem confirmar tão rapidamente as piores perspectivas existentes em torno deles mesmos quanto este dr. Kássio que o presidente Jair Bolsonaro inventou e emplacou no Supremo Tribunal Federal. O homem mal completou dois meses com a sua toga nova e já se revelou, por conta das decisões que tomou neste curto espaço de tempo, em mais um exemplo clássico de uma das melhores máximas do Barão de Itararé: “De onde menos se espera é de onde não sai nada mesmo”.

Em sua última decisão, tomada na véspera do “recesso” do STF, o dr. Kássio deu uma aliviada geral na Lei da Ficha Limpa. (Esse “recesso” é um longo período em que os ministros recebem seus salários e benefícios sem trabalhar; a folga se soma às férias individuais de cada ministro e, neste ano, se estende de 20 de dezembro até sabe lá Deus quando.) Foi o seu presente de Natal para o PDT e o ex-deputado Ciro Gomes.

A lei proíbe quem foi condenado – normalmente por corrupção – de se candidatar a qualquer cargo público por um período de oito anos após o cumprimento da pena a que foi condenado. O ministro mandou tirar da lei, sem consultar nenhum dos dez colegas, a expressão “após o cumprimento da pena”. A decisão vale já para candidaturas à eleição de 2020 “ainda não homologadas”.

Já é muito difícil cumprir essa lei, mesmo porque o sujeito tem de ser condenado em todas as instâncias, que podem se suceder até o Dia do Juízo Universal, para ser declarado inelegível. Agora, o ministro torna a coisa mais frouxa ainda – isso sem apresentar nenhuma razão lógica para invalidar uma decisão legítima e aprovada na forma da lei pelo Congresso Nacional. O PDT não quer que seja assim. O dr. Kássio também não.

Antes disso, na sua entrada em cena, o novo ministro já tinha dado um voto prodigioso: declarou que o deputado Rodrigo Maia não podia se candidatar outra vez à presidência da Câmara, mas que o senador David Alcolumbre, amigo profissional do governo, podia fazer a mesma coisa no Senado Federal.

O dr. Kássio tem tudo para ser um concentrado dos ministros Gilmar, Toffoli e Lewandovski, com essência básica de Marco Aurélio. A doutrina jurídica dos quatro se resume no seguinte: é contra a Constituição tudo o que, direta ou indiretamente, de perto ou de longe, possa incomodar a corrupção e os corruptos.

12 pensou em “MINISTRO KASSIO CONFIRMA A MÁXIMA DO BARÃO DE ITARARÉ

  1. ESSE KÁSSIO BOLSONARO VAI DAR MUITO O QUE FALAR, HAJA VISTA QUE ESSE PAIOL DE BOSTA AINDA TEM 31 ANOS LÁ DENTRO DAQUELA ESPELUNCA…

  2. Do que eu entendi, o político continua inelegível por 8 anos após condenação por um colegiado (2ª instância). Mudou isso?

    8 anos após condenação ainda é muito tempo, Lula, p. ex. ainda não pode se candidatar em 2022.

    Desde quando um político cumpre pena?

    Kássio não alterou a essência da Lei da ficha limpa.

    Tem muito de desinformação nesta notícia.

    As Cassandras do Bolsonaro vibram.

  3. “Já é muito difícil cumprir essa lei, mesmo porque o sujeito tem de ser condenado em todas as instâncias, que podem se suceder até o Dia do Juízo Universal, para ser declarado inelegível.”

    Não, Sr. J. R., basta ser condenado em um colegiado. Isso é desinformação.

  4. Esse tonel de merda azeda, Kassio Bolsonaro, ao seu livre arbítrio ou a seu bel prazer, suspendeu ou suprimiu a expressão “APÓS O CUMPRIMENTO DA PENA” . Inclusive, beneficiando os prefeitos que disputaram a eleição sub judice neste ano de 2020.

    P.S.: – Só em Pernambuco há 6 prefeitos que foram eleitos enroscado com a justiça, mas devem tomar posse em fevereiro através da macaquice praticada por esse energúmeno que até observando sua fuça tem jeito de um Zé Cagão qualquer…

  5. Para se ter ideia do tsunami que esse cara de gamela, Kassio Bolsonaro, provocou, apenas ou somente 1.171 candidatos atingidos pela Lei da Ficha Limpa nas eleições deste ano serão beneficiados pela decisão desse porco cevado…

    P.S.: O palerma K do Bozo vem se tornando em um obdiente “GARANTIDOR”…

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