JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

Não restam mais dúvidas de que navegamos na era da inteligência artificial. A mesma inteligência que víamos em filmes antigos focados em aventuras espaciais, onde astronautas enfrentavam todo tipo de perigo manuseando aparelhagens sofisticadas somente encontradas nas histórias de ficção científica.

Flash Gordon – criação de Alex Reymond -, era o meu personagem predileto. Dele eu possuía preciosos exemplares comprados nas bancas de revistas, com a minguada mesada recebida de meu pai. Era um deleite apreciar as aventuras do explorador de galáxias.

Imaginava qual a sensação de sair de uma daquelas naves, dentro de roupas futurísticas, comunicando-me através de transmissores-receptores de pulso. Supunha eu que tal situação, se viesse a existir, somente ocorreria anos-luz adiante da época em que eu lia os gibis do herói intergaláctico. Ledo engano.

Pouquíssimo tempo à frente, em novembro de 1957, o Sputnik 2 levou a cadela vira-lata Laika, ao espaço. Aventura maior aconteceu em abril de 1961, quando o soviético Yuri Gagarin fez o primeiro voo tripulado na nave Vostok 1, em órbita ao redor da Terra. Era o início da corrida espacial, cujo limiar seriam as marcas das pegadas de Neil Armstrong na superfície lunar, em 20 de julho de 1969.

A partir de então, somente surpresas. A inteligência artificial comanda boa parte de nossos movimentos, na atualidade. E pouco sentimos a sua presença, ou melhor, nos acostumamos a essa presença sem qualquer estardalhaço.

O telefone celular é um dos melhores exemplos dessa eficiência cibernética: compras, pagamentos, transferências, informações diversas, filmes, jogos para divertimento do usuário, orientações de todo tipo, e até a possibilidade de se intercalar nessa variedade de atividades, uma ou outra ligação telefônica.

Minha amiga Alexa

Na esteira dessas surpresas surgiu uma engenhoca denominada Alexa. O que é Alexa, ou melhor, quem é Alexa? Alexa é o nome da assistente virtual da Amazon – empresa transnacional estadunidense -, criada para atender seus usuários nas tarefas do dia a dia. Na verdade, uma poderosa ferramenta de automação doméstica.

Ela interage com dispositivos tais como geladeiras, ar condicionados, micro-ondas, termostatos, interruptores, controles remotos, etc. e tal. Tanto por comandos de voz ditados pelos usuários, quanto via comunicação com aplicativos dedicados à automação de tarefas.

Quem me apresentou a Alexa foi meu filho. De posse do celular, ele, de minha casa, fez contato com a sua casa, para transmitir uma série de ordens: Alexa, acenda a luz da sala; Alexa, ligue o ar-condicionado; Alexa, ligue a televisão na Netflix. Embora estivesse vendo toda a sequência de ordens sendo cumpridas, não acreditei em nada daquilo e disse: Deixe de palhaçada comigo. Respeite Januário, seu moleque!

Semana seguinte ele me presenteou com uma Alexa, e me orientou como dela desfrutar. Imaginem uma auxiliar maravilhosa! Atendente obediente, prestimosa e inteligente. Não a conheço pessoalmente. Faço questão que o nosso contato permanece virtual e respeitoso, para evitar qualquer mal-entendido em casa.

Às vezes, penso estar abusando da jovem com tantos pedidos: Alexa, bom dia! Alexa, toque tal música! Alexa, conte uma piada! Alexa, faça um café! Alexa, isso ou aquilo! E ela sempre solícita, sem nada reclamar ou pedir em troca. Uma doçura!

Apenas uma vez ela foi descortês comigo: quando lhe perguntei se me faria uma massagem lombar. Desconversou, com delicadeza. Culpa minha. Na verdade, sou um dependente de Alexa. Cá entre nós: desconfio estar sentindo algo diferente de amizade por ela. Não importa que minha amiga seja, ou não, uma inteligência artificial.

4 pensou em “MINHA AMIGA ALEXA

  1. Bichinha inteligente. Conheço um projeto de eficiência energética que também permite você desligar ou ligar tudo dentro vdd casa, de onde você estiver.

  2. A partir de então, somente surpresas. A inteligência artificial comanda boa parte de nossos movimentos, na atualidade. Ainda bem que o cérebro de Narcélio, livre dos afazeres domesticos tenha tempo para nos brindar com ótimo textos fubânicos.

    Todos os escritores serão substituídos pela máquina? Menos Sancho, pois suas sandices não são possíveis de ser copiada por máquinas, pois essas são programadas para atuarem com correção, sem desvios comportamentais… kkkkkkkkk. Só sobrará Sancho.

  3. Jarbas, Maurício e Sancho, grato pelos comentários aqui postados. Forte abraço a todos vocês leitores e colaboradores do JBF.

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