ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Inexoravelmente, à medida em que evoluímos na vida profissional, vamos passando da condição de executante das tarefas, para a nova condição de gerenciador de equipes de profissionais, que as executam sob nosso comando e coordenação.

É um processo de evolução lento e dolorido, tal qual uma verdadeira metamorfose, e para o qual nem todas as pessoas possuem as condições necessárias para realizá-lo. Deixar de ser o responsável apenas pelo resultado de seu próprio trabalho e passar a ser o responsável por orientar, treinar, motivar, gerenciar, acompanhar, cobrar, até mesmo recompensar e punir, uma porção de seus ex-colegas, não é nada fácil.

Por outro lado, a tendência natural, quando se necessita selecionar um novo líder para as equipes de trabalho, é optar pelo melhor dos executantes daquelas mesmas tarefas. Nada poderia ser mais desastroso!

O fato de ser um excelente executante, pontual e cumpridor das suas obrigações profissionais, tem pouca ou nenhuma ligação com a condição, ou mesmo a predisposição, para vir a ser um bom futuro líder de equipes. As demandas de cada uma das funções são tão absurdamente diferentes que, na maioria das vezes, a seleção por este simples critério se mostra um desastre completo. E o problema é duplo: Perde-se um excelente executor e, além disso, ganha-se o problema maior ainda de ter de despachar um péssimo líder, mesmo depois deste ter apresentado uma longa carreira de bons e leais serviços prestados, razão até pela qual foi escolhido para ser o novo líder. Assim, ao final, em vez de termos premiado um bom desempenho operacional, terminamos por punir o leal funcionário com a perda do seu ganha pão.

A primeira grande deformação que se observa na atuação gerencial dos novos líderes saídos das fileiras operacionais é o que eu denomino de “Downgrade” gerencial. Quero dizer com isto o seguinte: O encarregado de uma equipe de trabalho, por não se sentir competente para atender às demandas do novo cargo (coisas como planejar, orientar, motivar, liderar, administrar, coordenar, etc…), ao primeiro sinal de baixo desempenho, tem uma tendência avassaladora para arregaçar as mangas e “meter ele mesmo a mão na massa”. Em lugar de líder, passar a ser apenas mais um executante, mesmo que muito qualificado para tal.

Acreditam os defensores desta maneira de agir que isto seria “Gerenciar pelo Exemplo”. Pode até ser! Só que não é exatamente isto que se espera de um bom líder: trabalhar que nem um maluco para compensar as deficiências da equipe. Ao contrário, liderar significaria desenvolver tão bem as habilidades da equipe, e seu entrosamento, que tornariam praticamente desnecessária a presença do líder para desempenharem bem.

Ao contrário desta visão, um dos pais da administração, Henry Fayol, preconizava o que chamou de “Princípio da Extensão do Controle”. Dizia ele que um chefe não deveria ter mais que 07 (SETE) subordinados, sob pena de “perder o controle” sobre o que cada um deles estaria fazendo.

Na minha maneira de ver, isto significa apenas que, caso as equipes sejam muito grandes, não daria tempo para o chefe encher o saco de todos os membros da equipe! É nesta condição que surge uma das grandes pragas da administração: O Microgereciamento.

Da mesma forma que existem aqueles líderes megalomaníacos, que só se interessam por coisas gigantescas, existem também, e é uma das grandes desgraças da administração, aqueles gerentes só preocupado com minudências e detalhes. O tempo todo, o cara fica só torrando o saco dos subordinados, ao questionar-lhes infinitamente sobre irrelevâncias.

Bons funcionários, bem qualificados, bem orientados, bem motivados…não necessitam de suas respectivas chefias para quase nada. Foi com base nesta visão que se criaram as “Estruturas Planas de Comando”. Cadeias hierárquicas em que uma única chefia coordena imensas equipes, com 100 ou 200 funcionários. Algo assim como a Orquestra Filarmônica de Berlim, sob o comando de Herbert Von Karajan.

Óbvio que, até chegar ao estágio de desenvolvimento, em que, até um leigo, feito eu, é capaz de reger aquela orquestra maravilhosa, houveram milhares de horas solitárias de treino individual, juntamente com mais horas e horas de treinos em equipe, complementadas pelas sábias e rigorosas orientações do maestro para cada um dos componentes da equipe. Coisa que só um grande líder, como Karajan, seria capaz de fazer.

Os nossos governantes, ao contrário, insistem “ad-nauseam” exatamente na direção contrária.

Isto se dá porque esta casta de bandidos, que se apoderou do poder político em nossa nação, o fez exatamente por causa da premência e da sofreguidão que sentem por dominar os destinos dos demais. Comprazem-se infinitamente em fazer dos demais joguetes de suas frustrações e taras. Daí que vem a necessidade avassaladora de controlar até os mínimos detalhes das vidas daqueles que deram o azar de estar submetidos ao seu jugo. Querem saber até o tipo de papel higiênico que usam e a quantidade. Esta é a razão para nos solicitarem o CPF nas Notas Fiscais. Isto, juntamente com uma pletora dos decretos mais esdrúxulos que se possam imaginar. Coisas como aquele veado gaúcho que proibiu a compra de alguns itens dos supermercados; ou o outro filho da puta, de Alagoas, que botou a polícia para prender os surfistas que ousassem entrar no mar, ou mesmo simplesmente passear na praia; ou daquele outro imbecil que proibiu uma senhora de se sentar no banco da praça para tomar a brisa da tarde. Aliás, filhos da puta deste jaez é o que não está faltando em nosso Brasil da pandemia. Parece que foram todos selecionados “A DEDO” pelos eleitores, e a ideia deles parece ser a de “domesticar” os cidadãos, acostumando-os a obedecerem aos seus senhores de forma bovina.

Essa fúria legiferante já vinha se manifestando ao longo dos anos através de milhares de normas imbecis que especificam e determinam até quantas gramas de bosta cada brasileiro tem o direito de defecar a cada dia. Essa diarreia normativa já prenunciava o que nos aguardava no futuro. Bastou uma epidemia “engenheirada” para que os tarados todos botassem as manguinhas de fora, com gosto e de com força.

Segundo a grande descoberta de Willhem Reich, todas as personalidades de cunho autoritário devem essa tara a problemas de má formação da Libido, ou seja: desvios da energia sexual. Seriam todas bichinhas saltitantes, enrustidas ou não (Vide Randolfo), pedófilos (não falei em Omar), e sabe-se lá quais outras taras, mais estranhas ainda, tal como serem infinitamente processados por roubalheiras mil (não falei no Renan).

Os paroxismos de mandonismo explícito, que presenciamos na famigerada CPI, seriam, justamente, a explicitação de personalidades absurdamente sinuosas, sorrateiras, sempre metidas em conspirações mil e em busca do poder de phoder com a vida dos demais. Bem lá no fundo, porém, seria apenas nada mais que uma brutal carência afetiva: uma vontade louca de ser repetidamente estuprado por um Kid Bengala.

Do outro lado da praça, fauces Lombrozianas entregam as taras todas que lhes vão n´alma! As deformações e aberrações morais do espírito lhes deformam as feições! Um, com cara de lúbrico e mefistofélico sátiro. Outro, com a aparência de uma bichinha delicada e carente. Um terceiro, com cara de bicha velha e cansada de guerra, com uma peruca mal-ajambrada, que mal e porcamente lhe disfarça a calvície e tenta salvar restos de uma vaidade ridícula. Aqueloutro, com uma cara que mais parece o Deputado João Plenário e suas infinitas falcatruas. Todos, indefectivelmente acolitados por belas mulheres que se “apaixonaram” perdidamente pelas mordomias e facilidades propiciadas pelo mandonismo abstruso de seus ridículos consortes. Por aí segue…

A nós, pobres e humildes mortais, cabe a pena injusta de ter de suportar todo o peso das infinitas maquinações desta hoste satânica. Estaríamos todos bem melhor se os pendurássemos todos pelo pescoço com uma corda.

Eloi, Eloi, lema sabachthani? (Ἠλί, Ἠλί, λιμὰ σαβαχθανί)

4 pensou em “MICRO-MANAGEMENT E OVER-RULLING

  1. Caro mestre Adônis, você coloca:

    “Eloi, Eloi, lema sabachthani?” disse Jesus na Cruz pouco antes de ter a sua morte terrena.

    Teríamos realmente sidos abandonados por Deus?

    Não estaria na hora de nos movimentar para sairmos deste círculo vicioso em que nos encontramos?

    Obviamente não estou falando de guilhotinas a torto e direito e sim algo mais significativo e menos doloroso, porém justo.

    Um abraço, meu caro Mestre.

    • Caro João,

      Creio firmemente que sua dúvida procede: Deus nunca nos abandona. Nós é que nos afastamos Dele.

      Por outro lado, se até Nosso Senhor, Jesus Cristo, teve no seu momento máximo o sentimento de abandono, creio que eu, humilde mortal, também posso ter este sentimento, mesmo estando plenamente consciente de que a culpa por toda essa bandalheira que estamos vivendo é nossa, EXCLUSIVAMENTE NOSSA, por não agirmos com a necessária firmeza diante das montanhas de canalhices com que nos deparamos todos os dias.

  2. Quisera eu ter escrito esse texto com uma limpidez ímpar e uma profundidade de conhecimento. Parabéns meu caro Adonis…. isso é o que se pode chamar de texto invulgar, inovador e esclarecedor.

  3. Aqueloutro aqui louco… E quem não o é?

    Eloi, Eloi, lema sabachthani? (Ἠλί, Ἠλί, λιμὰ σαβαχθανί)?
    Esquenta não, mermão, que o Adônis nunca vai nos abandonar…

    Aproveito a dica adoniana e recorro à Orquestra Filarmônica de Berlim, sob a regência, não de Bertinho Von Karalhão, mas do venezuelano Dudamel, amigo do Maduro.

    Strauss: Also sprach Zarathustra / Dudamel · Berliner Philharmoniker

Deixe uma resposta