RODRIGO BUENAVENTURA DE LÉON - LIVRE PENSADOR

A data Magna de nossa INDEPENDÊNCIA do jugo Português sempre me foi muito cara. Lembranças de minha tenra infância ainda estão vivas em minhas memórias.

Não sei se são verdadeiras ou, apenas ‘flashs’ de histórias do passado. Mas me recordo de ir, de mãos dadas com meu avô, assistir aos desfiles militares na Avenida Duque de Caxias, em frente ao Quartel do 9º BIMtz. Devia ter 3 ou 4 anos, por isso as lembranças são como névoas em minha mente.

Mais vívidas, talvez porque minha mãe ainda guarda algumas fotos da época, são dos desfiles, na mesma avenida, a partir de 1978, com cinco anos no jardim de infância do Colégio Municipal Balbino Mascarenhas. Era uma Escola simples de periferia, mas desfilávamos garbosos atrás de uma pequena Banda Escolar. Minha mãe fez um sacrifício e me comprou uma pilcha, então eu desfilei à frente da escola, carregando a bandeira e ostentando o título de Gaúcho Mirim. Segundo minha mãe a menina (a Prenda Mirim) que me fazia par se chamava Karen. Nunca mais vi, apenas nas fotos dos 3 ou 4 anos seguintes em que desfilamos lado a lado sempre como Gaúcho e Prenda Mirins.

Mais do que o desfile em si, com todos os colegas uniformizados garbosos, marchando em homenagem a Pátria, ficaram-me as lembranças dos dias a fio que treinávamos, marchando no pátio do Colégio ou cantando hinos e canções patrióticas.

Neste ínterim o desfile mudou para a Avenida Bento Gonçalves, onde se localiza o Altar da Pátria e o Fogo Simbólico. Ao lado da Boca do Lobo, Estádio do Glorioso Esporte Clube Pelotas, o Lobo Áureo-Cerúleo. Estádio este que é o mais antigo campo de futebol, em funcionamento contínuo, do Brasil, desde 1908.

Ali continuei meus desfiles. Mudei de Escola, meu Colégio só atendia até a quinta série, as coisas tinham melhorado e fui para uma Escola particular de classe média. Lá fui coordenar o Jornal da Escola, misto de Grêmio e Centro Cívico e continuei nas boas vibrações do 7 de setembro. Lá conheci, ainda que de forma um pouco tardia (já tinha 12 anos) o Movimento Escoteiro, onde algum tempo mais tarde, passei a desfilar em um garboso uniforme de calças curtas.

Fui fazer meu ensino médio (com 13 anos) na famosa Escola Técnica Federal de Pelotas, à época considerada a segunda melhor escola técnica industrial do país. Lá diante de uma potência, tive acesso ao grupo de Escoteiros da própria ETP. Tornei-me Escoteiro, Presidente do Centro Cívico e do Grupo Ecológico Tucunaré.

A Escola Técnica da época seguia a risca a lei (válida até hoje e, sumariamente ignorada) que preconizava a cada 15 dias um momento cívico nas escolas. Tínhamos a cada quinze dias uma palestra sobre temática cívica, onde algumas turmas eram ‘convidadas’ a assistir e, quinze dias depois uma efeméride no Pátio de Educação Física, com hasteamento de bandeiras, hinos e palestra cívica.

Autoridades militares e, até o Prefeito e Vereadores se faziam presentes junto com a Banda do Exército, da Brigada Militar (PM Gaúcha) ou com a Possante (a multipremiada Banda Marcial da Escola Técnica). Os alunos acabavam matando a Educação Física e assistindo ‘voluntariamente’ a Cerimônia.

Eu recebia da Direção a autorização de naqueles dias não participar das aulas. Nestes dias eu organizava bandeiras, adriças, trabalhava recebendo as autoridades, etc. Claro que depois das aulas, na mesma noite eu tinha de assistir aulas de recuperação dos conteúdos e fazer os trabalhos perdidos. Os professores, por ordem da Direção tinham de atender a mim e aos colegas que ajudavam nas cerimônias. Muitos professores, principalmente de ciências humanas ficavam muito ‘felizes’ com este retrabalho.

Com os Escoteiros a realidade da Semana da Pátria se multiplicou. Íamos junto com os militares buscar a Chama (no RS geralmente a fagulha que acende as Piras da Pátria sai da Fazenda Boqueirão, onde uma família mantém um Fogo Crioulo aceso a mais de 200 anos). Acompanhávamos, a meia-noite do dia 31 de agosto o hasteamento das bandeiras. E do altar da Pátria íamos para nossos acampamentos, montados dias antes, na Praça atrás do Altar.

Estes acampamentos eram a casa dos Escoteiros pelos próximos 7 dias, dormíamos, comíamos, jogávamos ali. Também tínhamos uma escala de Guarda, junto com os militares, onde ficávamos em pé, posição de sentido, guardando a chama. E aí de quem a desrespeitasse, brotavam escoteiros, as dezenas, com seus bastões, prontos para ensinar civismo ao incauto.

Ir em casa só para tomar banho e na escola só para fazer provas e trabalhos. Na noite de 6 para 7 de setembro fazíamos uma vigília que terminava as 5 da manhã quando íamos até em casa para um banho e um uniforme limpo e impecável. Sete horas estávamos de volta a Avenida para garbosamente desfilar.

Cresci e fui fazer parte da Liga de Defesa Nacional, organizando a Semana da Pátria. Agora de rádio na mão ajudava a coordenar, zelosamente, os desfiles. Com os DeMolays e, depois, com os Irmãos da Maçonaria acompanhei as homenagens ao Patriarca José Bonifácio, sempre em sua estátua às 07:30h da manhã do dia 7. E, como partícipe ativo das festividades, era convidado à Cerimônia do ‘Vinho de Honra’, que encerra os festejos, no Centro Português 1º de Dezembro.

Segui, já na vida profissional, participando ativamente das festividades, agora representando os Reitores da Universidade que consideravam a Semana da Pátria enfadonha, azar deles.

Depois mudei-me para Santana do Livramento, onde como Diretor Geral da Universidade Federal do Pampa (que estava em implantação, por isso não tinha Reitor ainda) acompanhei diversas cerimônias lindas, onde irmanados militares brasileiros e uruguaios marchavam juntos, nas datas cívicas do Brasil e do Uruguai.

Voltei a Pelotas e fui morar a uma quadra do altar da Pátria. Nas manhãs das Semanas da Pátria vindouras lá estava eu, na Estátua de José Bonifácio, no Altar dos desfiles, etc. Agora carregando no colo ou pela mão meu pequeno filho.

No ano passado fui, pela primeira vez, assistir ao meu filho, Lobinho, desfilar com seu Grupo de Escoteiros.

Neste ano, além da peste chinesa, tivemos a suspensão das festividades pátrias. Partiu meu coração, depois de 45 anos em que só não participei da Semana da Pátria no ano em que morava na Espanha, ver tudo vazio.

Estive na Avenida e o Altar sem bandeiras ou chama era guardado por dois guardas municipais, ali postados para evitar aglomerações. Nem mesmo aqueles energúmenos, que tanto me incomodavam, por sentarem-se desrespeitosamente no Altar, estavam por ali.

Doeu mesmo, passaram anos de lembranças ante meus olhos. Elevei os pensamentos à Pátria e entoei, silenciosamente, em minha mente os Hinos e Cânticos cívicos que fizeram alegres meus setembros.

O amor a Pátria continua o mesmo, a alegria, por hora foi sequestrada pela mídia, pelos interesses, pelos idiotas, idólatras do vírus chinês. Mas meu coração soprou-me que deixe estar. Nos os venceremos, como vencemos todos os inimigos da Pátria.

A eles sobrará o lado mau da história, as cinzas das memórias ridículas e o peso das mortes que vieram e virão seja pelo obscurantismo que condenou a cloroquina ou pela quebradeira econômica que o ‘distanciamento social’ provocará.

Isto sem contar nas crianças sem escola e sem educação e nos desvios e roubos de nossos ‘desgovernantes’. Diz um ditado que: A única piedade que merecem os inimigos da Pátria é uma morte rápida e sem dor.

Não, não desejo suas mortes, desejo apenas que o futuro se lhes incuta o sofrimento que seus atos, práticas e pregações incutiram a todo um país. E que no ano que vem e, mais ainda, em 2022, possamos encher nossas praças e avenidas, num retumbante canto de regozijo pátrio.

SALVE O BRASIL! BRASIL ACIMA DE TUDO!

P.S.: Ao final da noite fui convidado para um momento cívico do Grupo de Escoteiros de meu filho. Ali, virtualmente é claro, depois das homenagens a Pátria fizeram a entrega a Rodrigo, meu filho de 10 anos, da Insígnia do Cruzeiro do Sul. Este é o mais alto grau que um Lobinho (escoteiros de 7 a 11 anos) pode alcançar e, é bastante raro, pois demanda diversas (centenas, para ser exato) de provas e atitudes cotidianas para que a criança seja considerada merecedora de ser um Cruzeiro do Sul. Parabéns meu filho! E, O MELHOR POSSÍVEL (Lema dos Lobinhos).

5 pensou em “MEU 7 DE SETEMBRO

  1. Boas recordações Rodrigo.

    Fez meu coração bater acelerado quando eu desfilava, com uniforme de gala, pela minha escola no começo da década de 1980… tempos bons que se perderam… ainda hoje, saúdo a bandeira com minha continência de infante que serviu a este glorioso país no 17.º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro.

  2. É isto mesmo, caro León.
    Segui trajetória assemelhada, com mais tempo de marcha, pois sou guri dos anos ’40, alfabetizado e escolarizado por professores particulares, somente ingressando no, digamos, ensino formal no final dessa década, ao prestar exame de admissão ao curso ginasial, no Colégio Pio X, geridos pelos irmãos maristas.
    Minhas primeiras lembranças de brasilidade remontam à primeira metade dessa década, pois que decorrida sob a sempre presente ameaça da guerra, que batia aqui às nossas portas com maior ênfase quando tínhamos notícias de afundamentos de navios mercantes, em mar territorial ou quando víamos contingentes do Exército Brasileiro passando à nossa porta a caminho da estação ferroviária da cidade, onde embarcariam para treinamento no campo de Aldeia, que o EB mantinha na cidade de igual nome, nas proximidades de Recife-Pe.
    Como em nossa rua residiam várias famílias de origem italiana, francesa e alemã, vi, assustado o desfile da turba que no começo da manhã, revoltada com a notícia do afundamento de um navio brasileiro bem em nossa costa, destruíra seus estabelecimentos comerciais e agora se dirigia a suas residências, próximas à nossa, para completar o desforço. Lembro de meu pai, que à época dirigia a Inspeto
    ria de Trânsito do Estado e como tal tinha direito a uma farda vistosa, e alguns oficiais da nossa Polícia Militar que também residiam na área, com pistolas na mão, tentando conter essa turba, propósito que só tornaram exitoso com o a chegada de um contingente de soldados da PM, integrantes da guarda do presídio estadual que fuzis à mão, reforçaram o grupo.
    Ao ingressar no Colégio Marista vi-me, então, integrado ao formalismo do aprendizado de civismo, seja pelo contato direto com todas as suas manifestações, como pelo conhecimento dos fatos e personagens de nossa história, cujas figuras mais proeminentes (D. Pedro, Caxias, Alte. Tamandaré, Vidal de Negreiros e muitos outros, ilustravam as capas de nossos cadernos escolares, cadernos esses que traziam, também, as letras dos hinos patrióticos que aprendíamos a cantar nas aulas de música. Toda quarta-feira tínhamos hasteamento das bandeiras e canto do hino nacional, antes de começarem as aulas.
    Fui praça do EB, de onde saí como Cabo, habilitado a Sargento se convocado a novo turno (ainda sei operar a estimada Colt .45, que portei em serviço, seja como superior de dia, na 23ª CSM, minha unidade, seja como integrante de patrulhas de ronda urbana, que o EB fazia, à época) e segui minha vida sempre a pautando por diretrizes dessa natureza, exercendo, até, certa influência dessa natureza em minhas filhas e até minhas primeiras netas, que ainda tiveram a ventura de estudar em colégio religioso (freiras de origem alemã), adquirindo, por tanto, algum traço de civilismo, hoje tão diverso em nossa juventude.
    Ingressei como professor da Universidade Federal da Paraíba no final do ano de 1965 e participei de todo o esforço desenvolvido pelos seus Reitores, para criar uma universidade verdadeira, participei da criação de sua estrutura física e operacional e vi, com pesar, como continuo a ver, a sua decadência moral e cívica.
    Mas, a idade não me permite outra coisa se não o lamento.
    Então, só me resta dizer: c’est la vie.

  3. Amado, Sancho “sempre alerta” estava entregando coco em Penedo-RJ e só agora pode entrar na nossa gazeta e curtir seu texto. Olhando o paletó e a gravata não dá para ver nem sombra da irmã Mercedita. Um beijão sanchiano para ambos.

  4. Patriotismo no DNA, Mr. De Leon

    Este ano o virus chinês tolheu toda e qualquer manifestação de amor à pátria.

    Mesmo com minha obesidade mórbida, já desfilei (pela maçonaria), no 7 de setembro.

    Meus parabéns pela lição de patriotismo.

    E ainda plantou a semente. Rodrigo germinou!

    Saúde, força e união.

  5. Semana da Pátria na minha terra era bastante comemorada. Tinha o “fogo simbolíco”, a gente saia levando um tocha para percorrer as cidades vizinhas. Sai de Tiradentes no desfile, de agulhas negras, enfim…

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