MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Desde o discurso de pose de Paulo Guedes que eu vejo sintomas positivos para a economia brasileira. Não faz mais porque muitas coisas dependem do congresso ou do STF, como o caso das privatizações. É bom lembrar que Lewandowski defendeu que cabe ao congresso autorizar vendas de empresas públicas. No seu voto, o canalha, dizia que “como as empresas públicas precisam de autorização do congresso para existir, caberia ao congresso a autorização para sua extinção”. Como se sabe esse parecer não contemplou as subsidiárias, ainda bem. Por ele uma empresa pública deficitária deve sangrar até o congresso autorizar a venda.

As críticas ao modelo econômico de Guedes foram frequentes, 365 dias do ano. Entretanto, por mais que não se queira reconhecer, houve avanços na geração de emprego e, pontualmente, em questões que passam despercebidas do povo, principalmente o povo pobre que é massificado pelos discursos apocalípticos da esquerda. Por exemplo: em junho de 2019 o governo reduziu o depósito compulsório. Antes, de cada R$ 1,00 depositado em conta corrente, R$ 0,33 centavos eram recolhidos ao Banco Central e de junho essa taxa caiu para R$ 0,31. Parece pouco, mas só isso injetou R$ 20 bilhões de reais na economia. Melhorou o crédito, caiu a taxa de inadimplência e o consumo favoreceu a economia se mover para cima.

Outro ponto fundamental foi a fixação da taxa do cheque especial em 8% ao mês. Os bancos concediam R$ 350 bilhões de crédito nessa modalidade de empréstimo, mas a utilização era, aproximadamente, 8% desse valor e as pessoas imaginam que isso não tinha custo. Numa das minhas aulas, em dezembro passado, fiz um comparativo do cheque especial com as famosas confraternizações de fim de ano que as pessoas fazem em restaurantes. Ligam e pedem para reservar um espaço para 50 pessoas, digamos. Cada cliente que chegar só será atendido se tiver espaço, e não sendo atendido, o restaurante vai cobrar esse custo de quem fez a reserva. Então, os limites não utilizados do cheque especial, quase R$ 320 bilhões, eram pagos porque quem usava e por isso, também, as taxas eram estratosféricas.

Obviamente, que Guedes tem metas maiores, mas a última decisão do Conselho de Política monetária de reduzir a taxa de juros (SELIC) para 4,25% ao ano tem, do meu ponto de vista, alguns riscos que, não sei se estamos preparados agora. Uma taxa de juros baixa favorece o investimento, pode tornar o crédito mais barato e isso aumenta o PIB. Mas, tem um impacto forte nas aplicações de renda fixa. A caderneta de poupança perde o atrativo e vai afetar pequenos poupadores. A única vantagem da Poupança é a isenção de imposto de renda, mas o ganho líquido ficará abaixo da inflação.

De modo igual, os bancos captam recursos para empréstimos através de títulos de renda fixa (geralmente denominados CDB/RDB, puramente um depósito a prazo fixo). Com isso, a gente pode cair num paradoxo de ao invés de termos crédito barato, termos crédito mais caro porque a oferta poderá cair em função do impacto na captação. Não é interessante esse tipo de título dado que, além da taxa baixa, tem incidência de imposto de renda.

Uma grande vantagem dessa taxa de juros é a redução da dívida, mas isso poderia ser alcançado por outros meios. Os acordos comerciais firmados com a União Europeia, com a China e agora com a Índia precisam dar sinais de movimento. Só com a UE a perspectiva era de US$ 100 bilhões e com a Índia US$ 320 bilhões. Isso faria o Brasil crescer excepcionalmente.

O caminho está bem delineado. Só alguns ajustes internos, um dos quais envolvendo o congresso. Não tem, realmente, como se fazer um trabalho sério nesse país com uma caricatura indecente chamado Congresso Nacional e comandado por dois crápulas como Rodrigo Maia e Alcolumbre. Em recente sessão os nobres deputados salvaram o pescoço de um corrupto, o deputado Wilson Santiago, que foi afastado do cargo por Celso de Mello.

Foi nesse contexto que a percepção de corrupção no país aumentou. Medidas propostas por Moro dariam uma visibilidade diferente ao Brasil no cenário internacional, mas o que se viu foram ações favoráveis a impunidade. Não se pode esquecer o STF que é a maior fonte de instabilidade do Brasil. As contradições são visíveis e não precisa ter doutorado em direito constitucional para percebe o quanto se viola a Constituição Federal naquele ambiente de podridão e canalhice. Existe uma PEC que limita gastos dos poderes, mas tanto o legislativo quanto o judiciário não estão nem aí. Todo ano eles gastam mais e ninguém se insurge contra isso.

De uma forma ampla, eu não tenho medo da política econômica de Guedes e a gente sabe que muitos fazem o possível para atrapalhar, revestidos, única e exclusivamente, pelo sentimento de que este governo não pode dar certo. Sabe aquele papo “se não for minha não será de mais ninguém”? É esse o sentimento da esquerda.

5 pensou em “MEDIDAS ECONÔMICAS

  1. Excelente análise político econômica. Traduz bem o que são as dificuldades para colocar o Brasil definitivamente na rota do crescimento.

  2. Olá Maurício

    Boa as suas explicações bem claras.
    Gostaria de sugerir um assunto que tem grande impacto na vida de todo mundo, que é o preço do combustível(aquele líquido estranho composto de petróleo, aditivos,água,álcool,impostos que é colocado nos carros para viverem engasgando).
    O Bolsonaro falou que a Petrobrás baixa o preço na refinaria e este desconto não chega nas bombas dos postos, isto é culpa dos impostos, principalmente o ICMS.
    Teve a gritaria dos governadores contra o Bolsonaro, mas, como de costume não falaram a verdade. Novamente o Bolsonaro está certo e os governadores estão se esquivando da obrigação de baixarem os impostos indevidos.

    Aqui você poderia esclarecer que com a Substituição Tributária os governos estaduais determinam o valor da gasolina nos postos, enquanto o governo estadual não baixar o valor médio de venda os postos não podem reduzir o valor nas bombas de combustíveis.

    Veja que não estamos falando em reduzir a alíquota do ICMS e sim o valor de referência. Pela regra atual quando a Petrobrás baixa o preço do combustível mais os governos estaduais arrecadam em cima do povão.
    O mesmo vale para, luz, gás, cigarro, bebidas, laticínio, etc. Vivemos num capitalismo em que os preços são determinados pelos governadores. Não tem concorrência oficialmente neste país.

  3. Prezado professor Maurício:

    “A Verdade Está Lá Fora” abordou um tema superinteressante sobre o qual o nobre professor domina bem: “O Bolsonaro falou que a Petrobrás baixa o preço na refinaria e este desconto não chega nas bombas dos postos, isto é culpa dos impostos, principalmente o ICMS.”

    Tenho um grande amigo, historiador bíblico cearense, JEOVAH MENDES, que me falou que o preço do botijão de gás no Ceará beira a casa dos R$.90,00! Enquanto que aqui a gente compra por R$.60,00 na porta de casa!

    Como explicar essa criminosa disparidade de Estado para Estado da Federação.

    Saudações fraternais o nobre professor e família!

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