CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Prezado Papa,

o Cabaré do Berto recebeu nesta quarta feira o poeta tabirense Genildo Santana. Eu o conheci através de um vídeo onde ele declamou O Plantador de Milho e posteriormente, em 2018, presenciei uma mesa de glosas na Missa do Poeta lá em Tabira com sua participação. Fiquei admirado com a versatilidade do poeta e muito mais sensibilizado com sua história de vida, sofrida, como é a vida do sertanejo.

Em versos, Genildo foi capaz – não sei como – de se apresentar para vida, porque a perda de uma pessoa amada é rima difícil de se achar. Eis o cartão de apresentação do poeta:

Sou Genildo Firmino de Santana
mais um filho da seca nordestina
Ao nascer não sabia que minha sina
Era uma sina cruel e tão tirara,
Eu sou doce igualmente o mel da cana,
Mas também sou azedo igual limão,
Sou irmão pra quem sabe ser irmão,
Sou pastor, sou ovelha sem ter guia
E com aula, improviso e poesia
Vou deixando mais belo meu sertão.

Minha infância foi triste e dolorida
Inda lembro de como pai morreu,
De repente mamãe apareceu
Com um câncer medonho em sua vida,
Minha noiva morreu numa batida
Inda lembro o local, o carro, o canto,
Quem me ouve dizer que sofri tanto
Se pergunta porque já não morri,
Quem sofreu nessa vida o que eu sofri
Se lembrar do passado, verte pranto.

Mas com tudo que em vida já passei
Fiz da dor passaporte pra o amor,
Se capaz de matar não foi a dor
Pelo menos mais forte eu fiquei,
O amor eu busquei e muito amei,
Dei respostas que o mundo se espantou,
Perdoei a quem mais me magoou
E a quem me feriu, dei minha mão,
Transformei em um lar, meu coração,
Onde até o diabo já morou.

A cana para virar mel é espremida numa moenda e a moenda da vida espremeu Genildo gerando o improviso poético.

Contamos com a presença dos nossos amigos de sempre como Neto Feitosa, Hélio Fontes, Aristeu Teixeira, José Ramos, Rômulo Angélica, Terezinha Araújo, Ângela Gurgel, Ivon Sacramento, dentre outros que passaram rapidinho, e outros novatos como Margarida Lima, Cláudia Lira e meus conterrâneos Marcílio Siqueira e Expedito Brito.

Abraços e obrigado.

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