CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Berto, bom dia.

Segue texto de um grande amigo, José Djacy Veras, (escritor, poeta, advogado), que homenageia os cordelistas brasileiros.

Como o JBF comporta grande numero de colunistas mestres cordelistas, vai aí uma singela homenagem a todos eles.

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O MAIOR CORDELISTA DE TODOS OS TEMPOS – José Djacy Veras

Leandro Gomes de Barros, nasceu em Pombal o Estado da Paraíba no dia l9 de março de 1865 e faleceu no Recife, no dia 04.03.19l8. Saindo da sua cidade natal, ainda veio a residir, também, no Estado da Paraíba, na Cidade do Teixeira, berço dos maiores poetas repentistas e violeiros do Nordeste do Brasil. Depois de enfrentar uma vida dura, incerta e de muitas dificuldades, veio a residir na Cidade de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco. Era um profundo conhecedor e estudioso, por vocação, tornou-se um profundo conhecedor do fenômeno poético popular dos Sertões do Nordeste, com ênfase, na produção de cordéis que vendia aos milhares por onde se apresentava.

Já muito conhecido, veio residir em Recife, onde em sua arte, alcançou toda glória e apogeu, montando nas proximidades do Mercado Público de São José, uma gráfica e oficina de Xilogravura, consolidando-se no universo da poesia popular e cordelística de todo o Brasil, oportunizando aos seus pares à divulgação e impressão dos seus folhetos e opúsculos poéticos.

Muitos citam Leandro como o primeiro poeta a publicar estórias versadas no Brasil, em l889, quando já residia em Recife. Foi considerado o maior poeta popular brasileiro. Carlos Drummond de Andrade, outro grande poeta da lingua Portuguesa, chegou a chamá-lo de “o rei da poesia do Sertão”.

Em artigo publicado no Jornal do Brasil, Drummond assim escreveu: “Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores num total de 173, elegeram por maioria relativa Olavo Bilac, príncipe dos poetas brasileiros. Atribuo o resultado à má informação porque o título, a ser conhecido, só podia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista Fon-Fon!, mas vastamente popular no Norte e Nordeste do país, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor de Ouvir Estrelas”.

O pesquisador Luiz da Câmara Cascudo confirma: “conheci o velho Leandro Gomes de Barros. Viveu, com família e decência, exclusivamente de escrever versos, imprimí-los e vendê-los às dezenas de milhares. Tudo quanto escrevia era imediatamente lido pelo povo.

Foi autor de folhetos sem ocaso na predileção sertaneja e Nordestina”.

Sua produção total está estimada em aproximadamente 1.000 títulos, entre os mais famosos, a estória do boi misterioso, o príncipe e a fada, batalha de Oliveiros com Ferrabrás, O cachorro dos mortos , O pavão Misterioso, O valente Zé Garcia, A princesa da pedra, Dona Genevra e Bernardo, Juvenal e o dragão, que só na primeira tiragem,vendeu mais de l0.000 folhetos. Publicou em versos resumo biográfico dos precursores do repente Ugulino Nunes da Costa, Bernardo Nogueira, Francisco das Chagas Batista e de outros tantos.

Neste ano de 2016, comemora-se os 98 anos da morte de Leandro Gomes de Barros, o grande mestre do cordel e, como dito por Drummond, “o rei da poesia do sertão do Brasil em estado puro”.

Disse a professora do programa de pós-graduação em cuminação e semiótica da PUC/SP, Gerusa Pires Ferreira, um dos mais significativos dos cordéis de Leandro, sem dúvida, é a Batalha de Oliveiros com Ferrabrás, quando diz que o poeta em sua constante, revela a competência e potência de seus versos, transitando por vários domínios no campo do cordel.

Hoje, Dezenove de Março, quando se comemora o dia do cordelista, não poderia deixar de render minhas homenagens, ao extraordinário nordestino, ao poeta maior da trova e do romance versado de quem se tem notícia no Brasil:

LEANDRO GOMES DE BARROS

Parabéns aos poetas do Brasil, aos repentistas e cordelistas dos “Brasis” nordestinos !

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