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O Juiz e o banqueiro
Aproximem-se senhores, escutem o meu paradeiro/Hoje eu conto uma história, o juiz e o banqueiro.
Não pense besteira,
Não aconteceu neste reino.
Qualquer semelhança é pura coincidência brasileira.
O banqueiro construíra um palácio financeiro,
Feito de títulos, contratos e dinheiro.
Desabou, que trágico roteiro
E os guardas recolheram o celular do banqueiro
Ali haviam conversas, encontros e pedidos,
Contratos e contatos repetidos.
E no meio dos papéis algo bastante delicado
131 milhões para a esposa do magistrado.
Mas o detalhe mais curioso estava registrado
O próprio juiz como editor do documento analisado.
O banqueiro comovido escreveu ao julgador
Que teria por toda vida gratidão e fervor.
Que amizade bonita, que afeto verdadeiro.
Quase chorei, olha que eu nem sou banqueiro
Mas calma minha corte, ninguém foi condenado.
Indício não é sentença, nem suspeita é resultado
O escritório respondeu de modo claro e formal
Dizendo que não havia impedimento legal
Que os serviços foram feitos, que tudo era regular.
E que o juiz nunca julgou causa
Daquele banco em particular.
Então está resolvido, que alívio que felicidade
Podemos todos voltar a nossa doce normalidade
Mas a justiça não vive somente de legalidade,
Ela também vive da confiança da sociedade.
Se quem segurava a lança se aproxima do pesado
Pode até medir direito, mas o reino fica desconfiado.
Chamam-me de bobo porque meu guizo faz alarde,
Mas há silencio de toga que ecoa cedo ou tarde.
E antes que algum poderoso se sinta pessoalmente atacado,
Isso é só uma fábula de um reino imaginado.
Se você se lembrou de um relatório policial
Isso é pura inocente coincidência documental
E se essa história incomodou algum nobre conselheiro
Eu só contei a história, não matem o mensageiro.