MAR PROCELOSO

Meu coração é um pélago de amores
onde flutua o teu olhar sutil.
Oh! quem dera teus olhos fossem flores,
pétalas vivas a boiar no anil!

Desfeito em pranto, diluído em dores,
galguei da vida o ríspido alcantil.
E ao ver no espaço os astros teus cantores
toda a minha alma em lágrimas se abriu.

Ouvindo de teu canto as notas quérulas
o coração transborda-me dos olhos
e traz-me ao rosto um turbilhão de pérolas.

E, negro, na tormenta da ansiedade,
ergue as vagas, que tombam nos escolhos,
aos súbitos clarões da tempestade!

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