CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Este colunista aos três anos de idade, e oitenta anos depois

– Carlinhos, tua mãe tá chamando pra mamar!!!…

Não seria crível se ouvíssemos hoje uma serviçal no portão da casa de meus pais dando um grito assim, porque não se entenderia que aos sete anos uma criança ainda mamasse nos seios de sua mãe. Ocorre que o episódio sui generis, foi um fato.

Mesmo sendo mamãe oriunda do interior e costumeira fosse nossa ida, todos os dias, à vacaria situada perto de nossa casa, justificar-se-ia a criança gostar de leite, mas não ao ponto de haver mamado “até os sete anos”. Por isso tenho que explicar as circunstâncias do fato.

Aos 24 de março de 1944, ao ganhar a única irmã, a sujeitinha era tão preguiçosa que nem pra mamar acordava; e nossa mãe começou a ficar com os seios enrijecidos, pedrando o leite. Diante dessa circunstância, o médico orientou para que se botasse seu irmãozinho para sugar as mamas da parturiente, em horários sequenciados.

E para essa missão fui incumbido. Nas horas pré-determinadas eu era “convocado”, e após um banho, entrava no quarto, deitavam-me no colo de mamãe e iniciava a tarefa, que não durou mais de um dia; logo Maria Alice abriu os olhos e foi cuidar do que era seu.

Na infância, vivida às margens do Capibaribe, nadei tipo o Tarzan do cinema, subi em mangueiras como se um macaco fosse e joguei muito futebol. Nunca quebrei um osso, talvez beneficiado pelas santas mamadas que dei em minha mãe aos sete anos de idade.

Anos depois, notando que eu continuava muito magricela, mamãe me aplicou famoso produto popular na época – “Calcigenol Irradiado” – que tomei durante vários anos, ao ponto de só vir a quebrar os dois ossos da canela, (a tíbia e o perônio) quando aos 65 anos caí de um 1º andar e rolei pela escada. E mesmo havendo, antes, sofrido um capotamento de automóvel, só tive arranhões.

Fica evidente que o certo será dizer que “Mamei com sete anos.” e não “até os sete anos!”

Hoje, aos oitenta e cinco, estou com poucos sulcos no rosto, com o Prontuário Médico zerado de doenças, o que se pode avaliar e comparar pelas fotos.

Teriam sido aquelas santas mamadinhas dos sete anos?

6 pensou em “MAMEI ATÉ DEMAIS!…

    • Caro Quinca,

      De fato, você quase fez uma análise comparativa de “alta resolução”.

      A diferença, meu caro, era tão grande, que até meus 12 anos só jogava futebol usando um gorro, para evitar que os cabelos caíssem nos olhos e me atrapalhassem.

      A única conformação que se tem, é que a careca não chega de uma vez. Bum!… Vem aos poucos. A gente vai olhando pro espelho todos os dias e nem nota que os fios estão se evadindo.

      No mais, hoje só me restam as “antenas”.

      Aliás, há anos, revendo uma bisneta americana, de três aninhos, ela começou a alisar minha cabeça e comentou com a mãe informando que eu só tinha mesmo as “antenas”…

      Foi uma risadaria.

      Grato por sua leitura e a brincadeira do comentário.

      Abração do Carlos Eduardo.

  1. Boa estória de vida. Como diria o King Arthur , pois é …………………… diziam que meu pai ( já falecido ) mamou até os nove anos. Nunca adoeceu até os 92 anos apesar de exímio pulador de cerca .

    • Não lhe posso negar, aqui em confidencialidade, que não mamei depois dos 7, porque depois que perdi a virgindade mamei um bocado, mas na sacanagem o leite não aparece.

      Você deve saber bem disso…

      Outro abração.

      Carlos Eduardo

  2. De fato um evento “Sui generis”, um tanto corajoso publicar essa pérola de sua intimidade. Tendo garantido a imunidade de chegar aos 85 ano com a saúde intacta, foi muito importante compartilhar. É claro, além de compartilhar com seus leitores momentos bastante significativos para se alegrar com a vida. Gratidão pela risadas, Juliana Pinheiro.

  3. A cara leitora é suspeita para elogiar o pseu-cronista porque tem um coração magnânimo.

    Grato pelas generosas palavras e pela leitura.

    Carlos Eduardo

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