PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Toda pena de amor, por mais que doa,
no próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença,
seca-as depressa uma palavra boa.

A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
obstáculos não são que Amor não vença.
Amor transforma em luz a treva densa;
por um sorriso Amor tudo perdoa.

Ai de quem muito amar, não sendo amado,
e, depois de sofrer tanta amargura,
pela mão que o feriu não for curado…

Noutra parte há de, em vão, buscar ventura:
– fica-lhe o coração despedaçado,
que o mal de Amor só nesse Amor tem cura.

Anna Amelia de Queiroz Carneiro de Mendonça, Rio de Janeiro, (1896-1971)

Um comentário em “MAL DE AMOR – Ana Amélia

  1. Estranhos estes versos.

    Uma pessoa ama e não é amada.

    Se a pessoa amada não retribui, passa a ser a causadora dos infortúnios àquela a quem não retribui; esta então só receberá venturas se receber o Amor dado de volta.

    Complicado isso.

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