MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Aqueles brasileiros, cada vez mais numerosos, que acreditam que um estado grande resolve todos os problemas e que mais impostos são o caminho da prosperidade (desde que sejam os outros que paguem) têm se concentrado em repetir três clichês: tributar dividendos, tributar heranças, tributar grandes fortunas.

Nosso ministro Guedes acaba de atender a um destes desejos: em troca da “bondade” de alterar o limite de isenção do imposto de renda anunciou orgulhosamente que dividendos pagarão 20% de imposto. Coisa de primeiro mundo, segundo ele.

Ninguém vai falar que esse aumento no limite do IR não chega nem perto de compensar aquilo que a inflação comeu: se acompanhasse a inflação nos últimos 20 anos, a faixa isenta hoje estaria em mais de 6.000 reais.

Da mesma forma, nem ele nem ninguém no governo vai explicar que a tributação sobre empresas no Brasil é a quarta maior do mundo segundo pesquisa da OCDE. Nem dirá que a nossa carga tributária sobre as empresas é 50% maior que a média dos países membros da mesma OCDE (repetindo um argumento que já usei em outro pitaco, provavelmente todos eles estão errados e só nós estamos certos).

Para entender como funciona: um brasileiro resolve investir seu dinheiro em uma empresa. Ele já começa a pagar taxas, licenças e alvarás antes mesmo da empresa poder abrir. Quando começa a funcionar, cada real que ele recebe é taxado com ICMS, IPI ou ISS, mais PIS e COFINS (e só a legislação oficial em pdf sobre PIS e COFINS têm 1826 páginas). Daí ele vai descobrir se sobrou algum lucro, e pagar imposto de renda sobre isso. Aí, sobre o que sobrou, que é chamado “lucro líquido”, ele paga CSLL. E agora, graças ao Guedes, se ele quiser receber esse lucro para recuperar o capital que investiu, vai entregar 20% disso para o governo.

Nenhum brasileiro deslumbrado com “distribuição de renda” e “redução da desigualdade”, destes que acham que aumentar o tamanho do estado é o caminho para nos tornarmos a Suécia, vai atentar para o fato que, para imitar a Suécia, precisaríamos, ao invés de aumentar a taxação das empresas, diminuí-la em nada menos que um terço: cobramos 34% enquanto a Suécia cobra 22%. Com a taxação de dividendos, uma empresa que distribua seu lucro integralmente para os sócios no ano que vem estará pagando 45%!

No fundo, nenhuma novidade. Seguimos no mesmo rumo desde 1822: o governo vê empresas e empresários como uma galinha dos ovos de ouro da qual sempre se pode tirar mais um pouco; o povo acha lindo aumentar impostos, porque acredita quando o governo diz que só quem vai pagar são os outros; os empresários vão se tornando ex-empresários, como eu. E assim vamos nos tornando mais colônia do que já somos.

5 pensou em “MAIS IMPOSTO

  1. O tributo sobre o dividendo é, na verdade uma bitributação: devemos entender que “pessoa jurídica” é uma ficção e que a distribuição de dividendos se dá após o pagamento do Imposto de Renda da “pessoa jurídica” que é de propriedade dos acionistas. Então o contribuinte estaria pagando imposto sobre o mesmo fato gerador, como “pessoa jurídica” e como pessoa física.

    • Bem que Marcelo, exímio na arte de bem escrever, poderia ter usado governo no plural, lembrando que existem, com poder de gerar impostos a nível municipal e estadual… O governo (municipal, estadual, federal) vê empresas e empresários como uma galinha dos ovos de ouro da qual sempre se pode tirar mais um pouco.

      Ser empresário e Sancho o é no ramo de cocos é ter os governos (municipaos, estaduais, federal) como sócios que não movem uma palha para o negócio dar certo, mas (roubi´stico mas), nos saqueiam, nos furtam, nos roubam, nos vilipendiam sem a devida contrpartida a cada vez que temos que acertar contas com os cofres públicos, onde políticos inescrupulosos enfiam a mão nos cofrões para a tudo roubar (todo santo dia surge um escândalo no Brasil com alguém a juntar em quadrilhas para infringir o código penal na arte de desviar recursos públicos).

      Foi citado Guedes e poderiam ter sido citados os que colocaram o Brasil na bancarrota a que chegou. Cabe ao autal ministro da Fazenda tentar consertar TODA A MERDA que fizeram em governos anteriores.

      Não, Bolsonaro e seus ministros estão longe da perfeição, mas (benedicto mas), são os caras que estão fazendo, dentro do possível, o que está a seu alcance para DESPIORAR o Brasil, que foi, desde sempre, estuprado por governos anteriores, onde casos de polícia pulularam nas manchetes de todos os jornais e tv..

      • Pego emprestado ao pugilista textual Roque Nunes um trecho em excelente artigo logo acima publicado: De tudo isso, o que mais me admira é que ainda há gente que defende essa república, sonha com a volta deles ao poder, ainda que saibam que, se eles voltarem, vai ser para concluir o trabalho de destruição do país, como a Cristina Kirchner está fazendo na Argentina, pelas mãos de seu boneco de mamulengo. Como disse no texto anterior, espero que a lição tenha ficado e que a gente não queira um repeteco pelos próximos dez mil anos.

  2. Marcelo.
    Diante de tudo o que você, o Mauricio escreve eu cheguei à conclusão que o Estado brasileiro, esse de mão grande mesmo, faz de tudo para empurrar o empresário para a ilegalidade e a sonegação. Se qualquer um que produz seguir à risca a legislação tributária, de uma uma vai ocorrer: ou ele entra em processo falimentar em pouco tempo, ou vai ter que praticar ilegalidade para continuar respirando e ajudando trabalhadores a colocar comida em casa.
    Esse leviatã que criamos e amamentamos, na promessa de dar café da manhã, almoço e janta grátis para alguns, mata a pata que dá o leite para que o alto funcionalismo público não perca suas mordomias.
    O Brasil é o país que criminaliza quem produz, induzindo o empresário honesto a cometer ilegalidades e santifica ladrões notórios e sanguessugas contumazes.

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