MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Semana passada eu fiz um resumo sobre uma declaração de Ciro Gomes que, nas suas palavras, “o Brasil escolheu um idiota”. Enumerei alguns pontos mostrando o quanto Ciro Gomes é idiota e se ele fosse eleito, o Brasil teria, de fato, escolhido um idiota. Como em Banânia a idiotice anda a galope e todo dia você tem motivos infinitos para descobrir mais idiotices, resolvi estender um pouco o assunto.

Primeiro cabe dizer que nossas autoridades (in)competentes fazem de tudo, diuturnamente, para transformar a população numa massa cinzenta de idiotas. Lamentavelmente, a gente assiste as negociatas entre poderes para livrar da cadeia um preso famoso. Ministros do STF – Suprema Troca de Favores, confabulam, descaradamente, sobre a melhor alternativa para mandar Lula para casa. Aí, os jornalecos ou bloguetes (como um tal Blog do Esmael), idiotas, publicam pérolas como “Lula solto impulsionará o Brasil”. Prisão domiciliar continua sendo prisão.

Afora a canalhice orquestrada por essas excelências, eis que dentre elas surgem nada mais nada menos que uma babaquice monumental feita por Alexandre de Moraes que foi a censura ao O Antagonista e a Revista Crusoé por conta do “Amigo do amigo do meu pai”. Vamos lá! Alexandre de Moraes tem livros publicados na área de Direito Constitucional. No ano 2000, pela Universidade de São Paulo (USP) defendeu uma tese de doutorado na qual condena a nomeação para ministro do STF de pessoas que ocuparam cargos no governo. Para ele correria o risco de haver “demonstração de gratidão política”. Todos nós sabemos que Alexandre de Moraes era ministro de Temer quando foi indicado ao STF. Por um lado isso é bom porque ninguém pode dizer nada sobre uma eventual nomeação de Moro.

Uma tese envolve um período de pesquisa, envolve uma banca formada por cinco doutores sendo três externos ao programa. Essas pessoas gastam parte do seu tempo analisando resultados, o fato inédito da tese e quando esta é aprovada, tem-se uma contribuição para a academia e para a sociedade porque qualquer trabalho científico deve mirar o bem estar social. Lógico que os resultados de uma tese depende do momento da sua realização. Lógico que ela pode ser ajustada por um trabalho posterior realizado com um arranjo tecnológico diferente. Mas, o autor negar seu próprio trabalho, ou seja, agir de encontro aquilo que a sociedade acatou como sugestão, realmente é um fato inusitado. O título de doutorado de Alexandre de Moraes deveria ser cassado.

Na antiguidade havia defensores do sistema geocêntrico para explicar o movimento dos planetas. Nesse sistema a Terra era estava no centro do sistema solar (a expressão “nascer do sol” é fruto desse sistema) até que Nicolau Copérnico propôs o sistema heliocêntrico (o sol no centro do sistema) e mais tarde Newton mostrou, matematicamente, que a órbita dos planetas em torno do sol eram elipses. Claro que as teses anteriores foram refutadas com argumentos matemáticos. Não é o caso de Alexandre de Moraes que ao tomar posse no STF rasgou e jogou no lixo um trabalho que serviu de referências para outros trabalhos. É assim que a ciência evolui: olhando o que já foi feito e aprimorando.

A atitude de proteger o “Amigo do amigo do meu pai” viola, frontalmente, a Constituição que esse togado de meia tigela deveria defender. Sua atitude coloca em risco o funcionamento das instituições desse país porque intensifica o corporativismo existente naquela espelunca e coloca os ministros acima do bem e do mal; imunes a lei. A sociedade não pode permitir que esse tipo de ação ganhe corpo. Se não reagirmos agora, a próxima ação será ainda mais escabrosa. Mas, como dar um basta a este tipo de coisa?

O caminho mais adequado é pelo impeachment. Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski, não deveriam cruzar as portas do STF quanto mais participar de decisões. A ação de Alexandre de Moraes é tão esdrúxula quanto o fato de Lewandowski ter mantido os direitos políticos de Dilma no processo de impeachment, numa violação clara da constituição. A questão é simples: violou os preceitos constitucionais, não serve para ser guardião da constituição, mas para isso nós precisamos do senado. Precisamos que o presidente do senado acate um pedido, basta o de Gilmar Mendes. Começa por ele e o resto vai perceber que os tempos são outros.

Ademais, cabe a cada veículo de imprensa noticiar que houve uma violação a liberdade de expressão. Vamos homenagear o “Amigo do amigo do meu pai”. Ele merece explicar se o dinheiro que recebeu do PT era lícito, merece explicar como paga uma pensão de R$ 50 mil quando ganha R$ 39 mil, merece explicar se transava com Christiane Araújo em troca de passar informações privilegiadas. Então, com a palavra o todo poderoso Dias Toffoli.

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