A PALAVRA DO EDITOR

Lamentavelmente, mais de 50 milhões de pessoas viviam na linha de pobreza no Brasil, em 2017. O total de indigentes corresponde a 25,4% da população. Os dados, entristecem porque essa gente dispõe apenas de uma renda familiar superbaixa que, segundo o Banco Mundial, refere-se a apenas R$ 387,07 mensal. Deplorável é o fato do contingente de pobres, quase a metade, 43,5% da população, vegetar no Nordeste, uma região paupérrima. Sem condições de abrigar ou amparar os necessitados.

O panorama de carentes evidencia dois fatores. O país alimenta um quadro de desigualdades sem limites. As mulheres são descriminadas, os trabalhadores pretos e pardos lideram na lista de desempregados, apresentam menor nível de escolaridade, são pessimamente remunerados. Quanto menos estudos, mais cedo o jovem é forçado a procurar emprego. Enfrentar o mercado de trabalho, muitas vezes sem estar preparado, sem apresentar o necessário estágio educacional que prejudica a formação escolar, inclusive a profissional.

As dificuldades familiares estimulam o abandono dos estudos precocemente. Segundo as estatísticas, na época, os estados nordestinos que abrigavam a maior quantidade de pobreza eram o Maranhão, com 54,2% da população, e Alagoas com 47,4%. O fator que incomoda é veririfcar que a pobreza vem desde o descobrimento. A colonização, a escravidão e o êxodo rural contribuíram demais para o enraizamento da pobreza no país. Depois, a corrupção, as más políticas sociais e as drogas ajudaram a indigência a se manter em alto nível de intolerância. Situação difícil de ser eliminada, enquanto o país permanecer submisso aos maus gestores, que só pensam em si, eternamente. Famintos de vaidade, egoismo e ganância no cenário político.

*
Para compensar o pequeno tamanho territorial, Israel, no Oriente Médio, agiganta-se na tecnologia. Mantem-se concentrada nas pesquisas para oferecer bom nível de vida aos quase 9 milhões de habitantes. Com apenas 70 anos de fundação, o estado judeu foi constituído em maio de 1948, e embora sobreviva sob tensão nas fronteiras com o Líbano, Síria, Jordânia e Cisjordânia e o Egito, Israel, obtém destaque em vários aspectos. Em valores culturais, então, Israel é o berço do Livro dos livros, a Bíblia Sagrada, onde prega as origens da criação.

Fora esse destaque universal, Israel apresenta outros realces. É sucesso na educação, de alto retorno, registra excelente estágio de desenvolvimento econômico, industrial e médico, os indicadores sociais são elevados, graças ao PIB de 350 milhões de USD, principal moeda negociada no mundo, oferece boa expectativa de vida à população, preserva os direitos políticos e civis. Embora conte com limitação de recursos naturais, o país experimenta autossuficiência na produção de alimentos. Exporta frutas, vegetais, produtos farmacêuticos, software, tecnologia militar e diamantes.

Possuidor de rico patrimônio arqueológico, Israel ganha boa receita com o turismo, principalmente o religioso. Para comprovar a imensa riqueza cultural, 12 cientistas israelenses foram laureados com o Prêmio Nobel, dos quais cinco pertencem as áreas da ciência. Com temas que contribuem para o progresso da agricultura, ciências da computação, o processo de criptografia, de Adi Shamir, impondo mais segurança aos computadores é uma láurea, da eletrônica, genética, medicina, o escâner de câncer é um avanço na ciência médica. O valor de Israel, comprova ainda a eficácia da óptica, energia solar e de várias áreas da engenharia. Com bom porte científico, Israel domina nos setores de biotecnologia agrícola, irrigação por gotejamento, solarização de solos, reciclagem de águas de esgoto para uso no campo. Até a metralhadora automática Uzi, invenção do major Uzi Gaf, por conter inúmeras novidades mecânicas, é utilizada em vários países como poderosa arma de guerra.

*
Para dar fim ao tradicional esquema do “toma-lá-dá-cá”, método bastante utilizado pelos governos para se manter na crista da onda, vencendo adversários políticos, o velho esboço parece entrar na rota final da política. Pelo menos os primeiros ensaios foram implantados no país. Contudo se vai dar certo, é outra hipótese. O toma lá, dá cá comprova ser um sistema pouco frutífero, viciado, em virtude de possibilitar a prática da corrupção e dos escândalos que desorganizaram as estruturas brasileiras e resultaram na Operação Lava Jato.

Com a preferência em nomear técnicos para os principais cargos, Jair Bolsonaro iniciou um novo processo. Prometeu sepultar a composição da base com partidos políticos, enterrando o fisiologismo, base para a troca de favores, método bastante usado nos Estados Unidos até 1950. Embora ainda não tenha acertado o passe, os chutes não acabam em gol, passam acima do trevessão, o governo passou a adotar a regra de bancadas temáticas, de modo a facilitar o diálogo. As conversas de bastidores. Dessa forma sugiram as bancadas evangélicas, da agropecuária e da segurança pública com o propósito de abrir caminho para garantir a votação dos pleitos do presidente.

Porém, como o ciclo de coalizão parece não dar mais certo, as atenções se voltam para novos métodos, especialmente depois da Câmara ter aprovado, na maior urgência, a Proposta de Emenda à Constituição-PEC que limita o poder de gastos do governo. Nos bastidores, recrudescem as críticas, a troca de ameaças e os desentendimentos políticos entre o Executivo e o Legislativo, e para completar a confusão, o Judiciário entrou no fogo, dando umas tacadas meio duras para incendiar o imbróglio. Elevar a tensão. Aliás, as discordâncias entre os Poderes são velhas pra caramba no país. Começaram no governo Floriano Peixoto, que se desentendeu com o Supremo Tribunal de Justiça, em 1893, quando deixou de aceitar indicações para preencher as vagas no órgão. O problema é que passado tanto tempo, os poderes não se afinam. Falam línguas diferentes dificultando o o diálogo e o entendimento.

*
Não se iluda. Quem pensa em progresso, constrói projetos. Quem confia no desenvolvimento planejado, não se desgruda de bons programas estruturadores. Mas, quem pensa apenas em enrolar, não sai das promessas. É por causa de falsas promessas que o Brasil acumula, segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU), 12 mil obras paradas. As obras paradas estão lá, no mesmo cantinho onde foram esquecidas, sem ir nem pra frente, nem pra trás. Como não preocupam os gestores que idealizaram os péssimos projetos com intenções próprias, as obras se deterioram com o tempo, apesar de terem sido financiadas com o dinheiro do povo ao custo de R$ 10 bilhões.

O estranho é que do total de obras públicas paralisadas, 2.8 mil são trabalhos de construção civil financiados pelo PAC-Programa de Aceleração do Crescimento, criado em 2007, pelo governo federal, cujo objetivo foi justamente o de incrementar o planejamento e execução de importantes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética para garantir o desenvolvimento acelerado e sustentável do país. Na abrangência dos investimentos federais estavam previstos agilizar obras de diversos portes como portos, rodovias, aeroportos, redes de esgotos, geração de energia, hidrovias e ferrovias.

No início do programa reservaram R$ 500 bilhões para injetar nas obras até o ano de 2010. Posteriormente, adicionaram mais R$ 140 bilhões para investir nas três gigantes hidrelétricas do Amazonas, usinas Santo Antônio, em 2008, Jirau, 2009, e Belo Monte, em 2011. No entanto, somente a hidrelétrica de Jirau chegou a ser inaugurada, até então, sete anos depois do projeto iniciado. Foi por falta de adequado planejamento que o PAC envergou. Em vez de produzir progresso, acelerar o crescimento econômico, a elevação dos gastos públicos, coordenada pelo programa, deixou como herança maldita foram a crise fiscal e acelerada inflação. A maior surpresa apareceu após a inauguração das hidrelétricas. As linhas de transmissão não estavam prontas para a disribuição da energia gerada por causa de más licitações. A ferrovia Transnordestina, abandonada, é a peça que falta para impulsionar e economia do Nordeste, travada, que não avança por falta de estímulos e de interesse de progresso.

Deixe uma resposta