CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

No extremo leste do mar Mediterrâneo, lá no Oriente Médio, está localizado o Líbano. O pais, da Ásia Ocidental, fronteiriço com a Síria e Israel, serve de ponto de ligação entre o continente asiático e a Europa. As terras libanesas serviram de abrigo para diversas civilizações antigas. Por lá passaram povos como os fenícios, assírios, persas, gregos, bizantinos e turcos otomanos.

Os primeiros sinais de civilização surgiram faz um tempão. Segundo a história, há 7000 anos. Quem primeiro apareceu por aquelas bandas, foram os fenícios, uma das mais importantes civilizações da Antiguidade.

Durante 2.500 anos, os donos do mar, como era conhecida a civilização fenícia, em virtude da habilidade na navegação marítima, os fenícios partiam de uma estreita faixa de terra, entre o Líbano e o mar Mediterrâneo, para comerciar, navegando a bordo de galés.

Mas, além da arte de comerciar, os fenícios inventaram o analfabeto, de onde se originou o alfabeto romano, o grego e o arábico. Além dessa potencialidade criativa, os fenícios fabricavam moedas e exploravam o artesanato.

De guerra em guerra, o Líbano atravessou eras, apesar de estar encravado numa região rica de História. Por ser vítima dos mais inflamados conflitos conflagrados no planeta nos últimos 50 anos, os libaneses são privados de total liberdade. Tem suas limitações, razão pela qual a maioria dos libaneses vive em outros países para fugir das guerras.

Junto com outros 14 países, o Líbano integra o Berço da Humanidade. Por isso, guarda importantes curiosidades históricas. A bíblia, livro sagrado para o cristianismo, teve o nome originado de Biblos, a cidade mais velha do mundo. Por ser uma cidade portuária, Biblos é importante para a economia libanesa.

Mas, além de Biblos, existe outra cidade com repercussão histórica. Qana, implantada numa área sob o controle da ONU, é registrada pela história como o local onde Jesus Cristo realizou o milagre de transformar a água em vinho.

No período do julgo Romano, Beirute, a capital do Líbano, na época conhecida como Berilos, recebeu a primeira Faculdade de Direito do Império Romano. Um redobrado privilégio.

Mais recentemente, em 1943, o Líbano era colônia francesa. Todavia, forçadas pelas circunstancias[l1], as tropas francesas, que ocupavam a região, se retiraram. A partir desse ano, o país experimentou uma etapa de calmaria e prosperidade.

A injeção de dinheiro vinda do turismo, agricultura e serviços bancários reforçou a prosperidade do Líbano. Em função do poder financeiro, o Líbano ficou conhecido como a “Suíça do Oriente”. Também por conta dos turistas, a capital Beirute recebeu o apelido de “Paris do Oriente Médio”.

No entanto, durante a Guerra Civil do Líbano, que se desenrolou no período de 1975 a 1990, a coisa ficou preta. Conflitos armados explodiram de todos os cantos. Combates e massacres, não cessavam, envolvendo comunidades religiosas e partidos. Com a invasão de Beirute, as Nações Unidas interviram para finalizar as divergências de opiniões, acabar com os combates, os massacres de civis e os atos terroristas.

O Líbano, duas vezes menor do que o estado de Sergipe, ficou dividido. Uma parte era supervisionadas pela OLP-Organização para a Libertação da Palestina, outra pelos cristãos e um pedaço pelos sírios.

O problema são os combates que não cessam. Não pararam com o encerramento da Guerra Civil Libanesa. Mantiveram-se inflamados nos anos subsequentes. Em 2011, eclodiu o conflito do Líbano.

É evidente, com as guerras, o Líbano perdeu prosperidade. As guerras destruíram metade da produção nacional. A economia se ressentiu, o país perdeu a condição de permanecer como centro financeiro regional. No entanto, após as guerrilhas, o país conseguiu recuperar a estabilidade política, base para partir para a reconstrução. Permitiu, inclusive reconstruir Beirute, detonada sete vezes pelos conflitos.

Mas, a República do Líbano ainda impacta. Apesar de tudo, o libanês tem o que comemorar. Pelo menos, abriga 18 comunidades religiosas. A população fala 3 línguas. O árabe, o idioma oficial, e mais o inglês e o francês.

A taxa de alfabetização é alta, passa dos 90%. A quantidade de universidades impressiona. São 41 universidades, entre públicas e privadas. A mão de obra é qualificada. A agricultura é forte. A vontade viver do libanês supera o medo de ataques repentinos das forças inimigas.

O PIB libanês é sustentado pelo turismo e o comércio, 60%, a agricultura, contribui com a participação de 20% e a indústria, também, 20%. Evidencia de que depois da onda de conflitos, a econômica libanesa pegou a reta. Tem mantido a taxa de crescimento variando entre 5,5% a 7%, graças ao bom desempenho do setor de serviços. Os bancos e o turismo, valorizados pelos indícios de fatos históricos, atraem o turista. No Oriente Médio, o maior padrão de vida é dos libaneses.

O incômodo é a dívida pública, elevadíssima. Outras coisas chatas no Líbano são o suborno, a corrupção, os pesados impostos, a raiva, a tristeza e a velha legislação em vigor.

Talvez por isso e, sobretudo pelas as guerras constantes que ferem a paz, a maior parte da população libanesa vive noutros países. Só retornando à terrinha para matar saudades, rever familiares e amigos.

As duas megaexplosões do dia 4 de agosto em Beirute, formaram um gigantesco cogumelo. Matou mais de 170 pessoas, número que pode aumentar, deixou milhares de feridos e outra enorme quantidade de desabrigados, atraiu a atenção mundial.

A onda de choque foi tão violenta que quebrou janelas, inutilizou equipamentos e danificou estruturas hospitalares.

Afinal, não estava no programa de ninguém, o armazenamento em segredo de 2.750 toneladas de nitrato de amônia, substância altamente explosiva, no porto de Beirute que, ao explodir, aniquilaram 15 mil toneladas de trigo, milho e cevada, que se encontravam estocados nos silos portuários, O estrondo, além de destruir completamente uma fábrica de farinha, instalada nas cercanias do porto, deve implantar uma braba crise alimentar no país e aumentar o medo da população. Já traumatizada com tantos conflitos intermináveis.

Agora, o Líbano, além de conviver com uma inigualável crise econômica, protesta contra a crise política. No momento, a sociedade lamenta a perda de alguns sonhos. O desejo de dias melhores, a esperança de alcançar o fim das guerras e a eliminação das fases de incertezas que periodicamente escurecem os céus do Líbano.

Todavia, apesar de tudo, o libanês acredita num futuro promissor. Permanece esperançoso.

5 pensou em “LÍBANO

  1. Caríssimo,
    Dá uma tristeza saber das agruras que causam as “imbecis” guerras.

    Ivan nos ensina que, no Líbano, a taxa de alfabetização é alta, passa dos 90%. A quantidade de universidades impressiona. São 41 universidades, entre públicas e privadas (em um território duas vezes menor do que o estado de Sergipe). A mão de obra é qualificada. A agricultura é forte. A população fala 3 línguas: o árabe – idioma oficial, e mais o inglês e o francês.

    Mão de obra qualificada e alfabetização alta SEMPRE tão necessárias e tão em FALTA no Brasil.

    Abração, El Terrible, amigo de Sancho.

    Vamos precisar de, pelo menos, uns 10 Bolsonaros em sequência para melhorar a situacão do Brasil.

    • Caro amigo Sancho concordo com você. Basta citar apenas estes dois itens, mão de obra qualificada e alfabetização para reconhecer que o Brasil, super atrasado, se perde em debates políticos, sem futuro, em autoritarismo vaidoso, sem planejamento, enquanto o Líbano, vítimas de balas insanas pode se orgulhar de ser tão pequinho em tamanho territorial, duas vezes menor do que o estado de Sergipe, mas gigante no trabalho realizado com seriedade. Por isso, os libaneses se orgulham de seu país. .

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