RODRIGO BUENAVENTURA DE LÉON - LIVRE PENSADOR

Sempre fui um leitor compulsivo. O mundo do livro me encanta, me faz sonhar e viajar. Leio qualquer coisa, poesia em parede de banheiro, jornal velho, bula de remédio, mas os livros…Ah! Os livros são meu xodó.

Tempos modernos e as demandas diárias do trabalho fazem com que tenha de ler cada vez mais na tela de computadores, tablets e celulares. Coisa mais sem graça e já está afetando minha visão ou será a idade? Talvez ambos.

Mas a necessária ‘leitura eletrônica’, cada dia mais comum não substitui um bom livro.

Gosto de livros, coleciono livros, ouso dizer que sou um bibliófilo, possuir livros me ‘da um prazer quase inigualável, só superado pelo prazer de possuir uma linda mulher (quando jovem e solteiro, registre-se e ressalte-se. Sempre é bom frisar isto, vá que a patroa resolva ler esta coluna).

Tenho muitos livros e ainda assim acho poucos. Mas paixão é isto, é inexplicável. Tão inexplicável e inebriante como o cheiro e o farfalhar das páginas de um livro novinho em folha.

Este som e cheiro só podem ser comparados em minhas memórias ao cheiro forte da saudade que emana junto ao som úmido das folhas de um velho e usado livro, com suas páginas repletas de ideias e ideais.

Livros são companheiros de jornada, de viagens e de aventura e um ótimo antídoto contra chatos, burros, medíocres e esquerdistas em geral.

Ler nos permite conhecer mundos, é alimento a alma, é a liberdade do espírito. Lei, como disse de tudo, sou rato de livrarias, visitante frequente e costumaz de feiras de livros. Não raro viajo para visitar cidades durante feiras de livros e aproveito para conhece-las ou revê-las (as cidades em questão, já que o motivo da viagem são os livros).

Mas de tudo que leio tenho preferências: história das religiões, mitologia, filosofia medieval, literatura sobre comida e viagens, literatura escoteira e, para relaxar a mente, gosto de literatura infanto-juvenil e de besteirol. Coisas para ler sem compromisso, tipo Harry Potter e os livros (excelentes, por sinal) de Rick Riordan.

Só jogar conversa fora, beber vinhos e viajar superam minha tara por livros (tirei mulheres da lista, pois estas representam um vício incurável. Espero sinceramente que a patroa não leia este livro. Mas tenha certeza amor, estou bem comportadinho).

Mas veio este desgraçado deste vírus chinês. Desculpem! Esqueci que não pode dizer que um vírus que veio da China Comunista, provavelmente fruto de uma cagada da ditadura comunista do país. Não pode ser chamado de vírus chinês, muito menos de vírus comunista (em defesa do vírus, já observamos que a letalidade do COVID é muito menor do que a letalidade dos regimes comunistas). Mas veio o vírus comunista chinês, a tal da besteira do lockdown e, pronto eu em casa sem ter muito para fazer e sem ter o que ler (minha memória fotográfica já foi melhor, mas ainda consigo recordar quase tudo que leio, o que torna as vezes entediante uma releitura).

Fiquei sem novos companheiros de jornada porque não há novas edições a disposição, não vem às livrarias novos livros. Não encontro nada interessante que não tenha lido, nem em português, nem em inglês, espanhol ou, até em francês ou italiano, idiomas que me aventuro a ler. Sei estou ficando um chato de galochas. Mas parte é depressão destes tempos idiotizados que vivemos.

Mas eis que, do nordeste do Brasil, do bagaço surge uma salvação e hoje, dia frio, modorrento de inverno aqui no sul. Dia em que convalesço em casa, acometido de cólicas renais, a dois dias. Chegam para meu júbilo duas encomendas. Uma que fiz na Editora Bagaço buscando conhecer a obra de nosso Mestre Berto. E, outra oriunda dele mesmo o Mestre Berto me presenteando com sua obra autografada. Tenha certeza que terá lugar de honra em minha humilde biblioteca meu irmão.

Berto quem presenteia livros, dá ao presenteado, parte de sua alma e de seu coração. Ainda mais quando presenteias uma obra original e genial como a tua.

Muito Obrigado mesmo! De coração. Espero um dia poder retribuir-te com algo de minha humilde lavra.

Anexo uma foto do avô babão, de pijamas, na frente da lareira, recuperando-se das malditas pedras expelidas, com meu neto e os livros chegados 21 dias após sua postagem (sinal de que as distâncias no Brasil são grandes e a incompetência dos Correios também).

Agora vou ter o que ler. A quarentena parecerá mais leve.

Obrigado!

PS: Da alegria da chegada dos livros à uma última homenagem. Fiquei sabendo agora do passamento do Dr. Carlos Prentice. Peruano, Professor, Cientista e Engenheiro foi meu orientador de mestrado e, mais que um orientador fui um grande amigo, conselheiro fiel, dono de uma conversa inteligente e de uma alma contagiante, um Grande Mestre na acepção da palavra. Descanse em paz Irmão, que o Grande Arquiteto te ilumine e acolha na sua Oficina.

7 pensou em “LEITURAS

  1. Prezado Rodrigo,
    Não há como deixar passar em branco esse seu belo texto.
    Parabéns pela dupla homenagem: a leitura e ao mestre Berto.
    E claro, as fantásticas estocadas no virus chinês e no esquerdismo que, obviamente, não podem faltar.
    Os meus livros eu também já pedi, recentemente, pela Bagaço, mas ainda não chegaram.
    O difícil, agora, depois do seu texto, vai ser conseguir fazer algo parecido.
    Um forte abraço

  2. Querido amigo,
    Boa parte de seu texto, “por nada incrível que pareça”, poderia ser de minha lavra, como vislumbro desde o seu início. Palavra suas, que caberiam em texto meu: Sempre fui um leitor compulsivo. O mundo do livro me encanta, me faz sonhar e viajar. Leio qualquer coisa, poesia em parede de banheiro, jornal velho, bula de remédio, mas os livros…Ah! Os livros são meu xodó (trocaria xodó por vício).
    Inclusive faço um apêndice tratando das bulas de remédio: sua leitura em voz alta, pela complexidade dos termos científicos, as fazem excelentes para quem deseja perder a inibição de falar em público, pois ao vencer a complexidade de tais palavras, acabas pronto para encarar qualquer plateia.
    Sancho, enxerido que só, dá dica aos demais fubânicos: pegar livros em idiomas como inglês, francês, español e russo e ir se familiarizando com as formas, as letras, as palavras e as frases nos fazem, com pouquíssima ajuda externa, dominar tais idiomas. Requer apenas e tão somente disponibilizar uma horinha diária para tais exercícios.
    Beijo grande em vosso coração. E o neto, uma linduria, pois traz no olhar a mesma generosidade que vislumbro no do avô. Copiarei a foto para, nos momentos de tristeza, pois os há, ver um rosto amigo nos guardados sanchianos..

    .

  3. Prezado Rodrigo,
    Desculpe o atrevimento. Como sei que anda entediado, de saco cheio de tudo que estamos assistindo de ruim neste país, principalmente vindo do STF, sugiro que você veja alguns videos no youtube a respeito da Vitamina K2 – 7 (Menaquinona). Os especialistas, profissionais médicos, que têm videos postados são: Dr. Marcos Menelau, Gabriel Azzini, Lair Ribeiro, Dayan Siebra, Lair Ribeiro, dentre outros. Penso ser um útil passa tempo pra você e seus famigerados cálculos renais. Um grande abraço.

  4. Caro Rodrigo,

    Essa gazeta “escrota”, como a chama o Berto, seu fundador, parece mais uma confraria de bibliófilos. Todo mundo por aqui é tarado em livros, muito especialmente se forem da qualidade dos que recebestes.

    As tuas palavras me descrevem com muita acuracidade.

    Grande abraço e um beijo no netinho lindo.

  5. Memorial do mundo novo. A dor nas tripas do comandante Pizon é de tirar o cara do sério. Muito bom o texto De Leon. Eu não consigo ler no computador. Gosto do livro nas mãos

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