LEITURAS SADIAS PARA O PERÍODO MOMESCO

Para os que ficarão bem longe da folia de Momo, preparando-se para um início de ano que se iniciará após a quarta-feira de Cinzas, uma atividade bastante provocante: fixar os olhos para o céu numa noite estrelada e buscar respostas para uma série de indagações existenciais: Que lugar ocupo no espaço?, O que tudo isso significa?, Como isso tudo teve início? Como isso funciona?, Que papel exercemos nesse processo?, Que fim tudo isso terá?, Quem organizou o Cosmo? E quem pode elucidar tudo isso, sem apelar para raciocínios eruditos de alta complexidade, em capítulos enxutos, próprios para todos os curiosos que não possuem tempos disponíveis extensos para pesquisas exploratórias e outras elucubrações mentais quilométricas.

Dois textos significativos por derradeiro:

O primeiro é bastante elucidativo, de autoria de aclamado astrofísico-pesquisador, escrito especialmente para os avexados de carteirinha, poderá ser um bom começo para os primeiros passos elucidativos na aquisição de um conhecimento fundamental das descobertas relacionadas ao universo. Ei-lo:

ASTROFÍSICA PARA APRESSADOS
Neil deGrasse Tyson
São Paulo, Planeta, 2017, 180 p.

O autor, astrofísico do Museu Americano de História Natural de New York, também diretor do Planetário Hayden, tem bacharelado em física pela Harvard University e doutorado em astrofísica em Colúmbia.

O livro tem o seguinte Sumário: Prefácio; 1. A maior história já contada; 2. Na Terra como no céu; 3. Faça-se a luz; 4. Entre as galáxias; 5. Matéria escura; 6. Energia escura; 7. O cosmo na tabela; 8. Sobre ser redondo; 9. Luz invisível; 10. Reflexões sobre a perspectiva cósmica.

No prefácio, o autor incentiva: “Com este pequeno livro você ganhará uma fluência básica em todas as principais ideias e descobertas que conduzem nossa moderna compreensão do universo. Caso eu tenha sucesso, você ficará culturalmente familiarizado com minha área de especialização e sedento por mais.”

O segundo é de autoria de um cientista brasileiro de renome internacional, docente de filosofia natural, de física e de astronomia na Dartmouth College, USA. Em 2019, ganhou o Prêmio Templeton, considerado o “Nobel da espiritualidade”, sendo o primeiro latino-americano a receber tamanho galardão:

O CALDEIRÃO AZUL: O UNIVERSO, O HOMEM E SEU ESPÍRITO
Marcelo Gleiser
Rio de Janeiro, Record, 2019, 5ª. edição, 223 p.

Diz uma das orelhas: “Os ensaios aqui reunidos são fruto da reflexão de Marcelo Gleiser sobre as questões que considera mais relevantes para o momento atual: nossa relação com o planeta e suas criaturas, com os membros da sociedade em que vivemos, e com a tecnologia, que está transformando, com velocidade impressionante, quem somos e como nos relacionamos.” E diz mais: “Gleiser nos lembra que a ciência, aliada à busca por respostas e ao fascínio pelo mistério que nos cerca, pode ser usada tanto como ponte para um mundo melhor, como para construir a pior distopia imaginável.” Caberá, então, à Cidadania Planetária, decidir sobre os amanhãs que desejamos, respeitadas as diferenças de pensar de cada um, sempre abertos diante dos que pensam de outras formas. Sempre se pautando sob a reflexão do extraordinário Albert Einstein: “Em cada explorador da Natureza encontramos uma reverência religiosa.”

O livro do Gleiser se encontra desenvolvido em quatro partes: I – Ciência e Espiritualidade; II – A Importância de Ser Humano; III – Um Mundo em Crise; IV – O Futuro da Humanidade.

É deveras significativa a Parte III, composta de ensaios que devem ser lidos com ampla acuidade mental, sinceridade de uma militância cósmica socialmente progressista e releituras recheadas de novos compromissos para com a Paz Mundial.

Na primeiro deles – Holocausto nuclear: história e futuro -, o autor denomina de Destruição Mútua Assegurada, o que aconteceria se as grandes potências nucleares do mundo entrassem em conflito aberto. E revela um dado impressionante: “No auge da Guerra Fria, os EEUU tinham 1.054 mísseis balísticos internacionais e 656 mísseis nucleares detonáveis armados em submarinos. E hoje, vários países fazem parte desse clube de armas atômicas: EEUU, China, Grã-Bretanha, Israel, África do Sul, Índia e Paquistão. E quanto maior o número de países com armamentos nucleares, maior o risco de conflito.

No segundo ensaios – Predação Planetária -, Gleiser ressalta a urgente necessidade de cuidados especiais com o aquecimento global e a qualidade da água. E ele estabelece uma indispensável regra existencial ética: “trate todas as formas de vida como quer ser tratado; trate do planeta como quer que sua casa seja tratada.”

Os dois últimos ensaios, significativos e complementares aos dois primeiros ressaltam os amanhãs que inúmeros não querem ver, alienados ou comprometidos com forças econômicas que apenas contabilizam lucros, pouco importando os modos de conseguir. A fome levará milhões para longe de seus pagos de nascença, o derretimento do gelo no Ártico liberará incalculáveis quantidades de gás metano na atmosfera, atingindo níveis 34 vezes maior que os atuais, até o final do século, e a acidificação dos oceanos, destruindo um quarto da vida marinha, exigirão soluções, a exigir preliminarmente uma mudança radical de mentalidade.

Na parte IV, o fenômeno do “transumanismo”, a junção do humano com a máquina, é estudado, ressaltando-se atenção redobrada para o documentário Uma verdade inconveniente, do Al Gore, vencedor de dois Oscars. Um documentário que foi manchete mundial, hoje relegado ao baú do esquecimento pelos alienados dirigentes mundiais, amplamente carentes de um humanismo século XXI, amplamente despreocupados com as ditaduras digitais que se avolumam pelos quatro cantos da terra.

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