ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Dentre as 626 músicas compostas por Mozart, quase todas absolutamente celestiais, uma das que eu mais gosto é o último Concerto para Clarinete classificado como sendo o de número K-622. Neste concerto, a parte que eu gosto mais ainda é o sublime 2º Movimento – o Adágio. É pungente! Não consigo ouví-lo sem sentir uma profunda emoção. O “bicho” é tão bonito que já foi usado inúmeras vezes como tema de filmes. Dentre os que eu assisti, os que me veem à memória primeiro são:

1) ENTRE DOIS AMORES, com Merril Streep e Robert Redford. Quem quiser ver e se emocionar, é só clicar.

Recomendo firmemente que vejam este pequeno filme a fim de poderem entender melhor o que vou dizer.

2) GREEN CARD, com Andy MacDowell e Gerard Depardieu. Muito bom, também.

Existe uma série de coisas bastante interessante a respeito deste concerto. Primeiro, o fato dele ter sido composto poucos dias antes da morte de Mozart. Tanto foi assim que seu número fica espremido entre a ópera A FLAUTA MÁGICA, K-620, composta em novembro de 1791, poucos dias antes, portanto, da sua morte em 5 de dezembro do mesmo ano, e o RÉQUIEM, K-626, considerado como sendo a sua última obra, razão pela qual ficou inacabado. Só foi concluído pelo seu aluno, Franz Xavier Susmayer, após a sua morte.

Na realidade, o K-622 não era originalmente um concerto. Eram apenas anotações esparsas e que foram reunidas em um concerto por um dos estudiosos e compiladores da sua obra, através de documentos religiosamente guardados pela viúva de Mozart, Constance. Mesmo tendo sido “montado” a partir de peças avulsas, o resultado final se apresenta com uma coerência tão grande que até parece ter sido composto com esta intenção. Originalmente, o mesmo foi composto em outra tonalidade, adequada para um tipo de clarinete pequeno, existente naquela época e que hoje não é mais utilizado. Assim, até sua tonalidade foi também mudada. Não importa! O que interessa é que o resultado final é sublime.

Agora vem a pergunta: E onde é que entram os quilombolas nesta conversa? Calma que eu explico já!

O finado e polêmico Jornalista Paulo Francis disse certa vez que:

“Toda a contribuição da África Negra à cultura da humanidade não se compara à descoberta do clarinete por Mozart!”

Apesar de considerar que o jornalista foi propositalmente exagerado, apenas para criar polêmica, não deixo de reconhecer que há muito de verdade em suas palavras. Busco e rebusco na memória algo que contradiga a frase acima e não encontro. Se alguém souber, faça-me o favor de indicar. Agradeço penhoradamente, já que gostaria de ter argumentos para contradizer quem me vier com esta argumentação. Até porque, dentre a mistura de etnias que forma minha ancestralidade, encontra-se uma bisavó negra.

Por outro lado, tenho certeza absoluta que os “quilombonazis”, mesmo sem apresentarem nenhum argumento minimamente racional, até porque racionalidade não é bem a praia desta turma, cairão de pau em mim, afirmando que sou preconceituoso e que mereço ser processado e ir para a cadeia.

O fato de fazerem um berreiro do tamanho que bem quiserem não alterará em nada a realidade dos fatos. Eu diria até: A TIRANIA ABSOLUTA E INSENSÍVEL DOS FATOS.

Como bem lembrou o grande filósofo cearense Falcão, “Se grito resolvesse, porco não morria!”

Portanto: Podem berrar à vontade! A realidade continuará exatamente a mesma.

É aí que eu me lembro de mais um dos grandes polêmistas desta nossa época tão repleta de “Gaynazis”, “Feminazis”, “Esquernazis”, e outros “Nazis” menos cotados: O deputado Jair Bolsonaro.

A propósito do assunto em epígrafe, o mesmo afirmou recentemente que visitou quilombos onde só encontrou gente passando muito bem. “Não tinha ninguém pesando menos de 7 arrobas”. Foi além ao constatar a total inutilidade de tais comunidades, já que nada de bom produziam. “Nem para reprodutores servem mais” (sic). Se eleito presidente, continuou, encerraria totalmente qualquer repasse de recursos públicos a tais entidades.

Por conta destas duas assertivas acima, o nobre deputado está sendo execrado de todas as maneiras possíveis e imagináveis, sendo inclusive processado por crime de racismo e outros ismos de igual jaez.

Descontando a evidente grosseria do deputado, vamos analisar em mais profundidade as duas assertivas.

1º) Seria tentativa de tapar o sol com a peneira a pretensão de negar a existência de uma quantidade imensa de pessoas dependentes de repasses governamentais para sobreviver, sem que tenham a obrigação de ganhar seu pão com o suor de seu rosto. Isso se aplica não só aos quilombolas, mas a toda uma legião de pessoas.

Sabemos muito bem que, como definiu maravilhosamente Margareth Tatcher, “Quando uma pessoa ganha sem trabalhar, alguém está trabalhando sem ganhar.” Nos casos acima citados, os panacas que trabalham sem ganhar, já que seu ganho é espoliado pelo governo para dar aos seus protegidos, são os mesmos de sempre:

Nós! Os cidadãos pagadores de impostos.

Fico me perguntando por que foi que os emigrantes japoneses, judeus, alemães, poloneses e italianos que aqui chegaram, mesmo tendo enfrentado também condições de vida terríveis, todos eles trabalharam desesperadamente e terminaram legando condição de vida muito melhor para seus filhos e netos, sem que precisassem das famigeradas “Cotas” ou “Bolsas governamentais”.

Seria maravilhoso para o nosso país caso todos esses “hipossuficientes” se mirassem neste exemplo. Ocorre porém que, enquanto forem mantidos confortáveis e bem nutridos, dificilmente encontrarão motivação para correr atrás do prejuízo. Acho que foi mais ou menos isso que quis dizer o deputado.

2º) O Brasil atual apresenta uma feição bifronte, tal e qual o Deus Jano, semelhantemente à Bélgica e ao Canadá: É uma nação fracionada entre duas etnias totalmente diferentes. De um lado, os descendentes de povos com uma fortíssima ética do trabalho e da honestidade. Para estas pessoas, a grande missão da vida consiste em legar uma condição de vida melhor para seus filhos e netos, numa espiral ascendente de melhoria e de evolução. Estes são extremamente comedidos quando se trata de colocar filhos no mundo. Limitam sua prole a UM, ou no máximo DOIS filhos, e isto quando estão em condição financeira muito boa.

Por outro lado, os descendentes das etnias mais primitivas, especialmente em termos de evolução civilizacional, seguem encantadas as orientações desregradas de comportamento sexual propagandeadas abundantemente por todos os meios de comunicação, onde são enfatizadas uma promiscuidade sexual absurda e degenerada. A consequência deste desregramento está se refletindo em uma taxa de 30% de todas as crianças nascidas neste país serem filhas de jovens com menos de 15 anos de idade. Segundo o PNAD, cerca de 65% de nossas crianças são criadas em lares com apenas um dos cônjugues.

Juntando a gravidez precoce e serial, onde normalmente cada criança de uma mesma mãe é de um pai diferente, com a miseria onde se dá essa proliferação de deserdados da sorte, podemos imaginar qual é o futuro dantesco que aguarda esta nação. Éramos 90 milhões em ação, conforme dizia aquele hino do selecionado nacional de futebol em 1970. Hoje, menos de meio século depois, ultrapassamos aceleradamente a barreira dos 200 milhões. Qual o ganho advindo desta multidão de mais de 110 milhões de miseráveis, alem de uma carga brutal de necessidades sociais a serem atendidas pelos parcos recursos sobrantes do orçamento nacional, depois de se pagar a montanha dos juros anuais?

É! Acho que a ideia de deixar este pessoal se reproduzir à vontade não prenuncia nada de bom não!

* * *

Esta crônica foi escrita há quatro anos atrás e é cada dia mais válida!

RACISMO – Complemento da crônica acima

Vagabundando pela internet, eis que me deparo com essa figura esdrúxula fazendo uma montanha de afirmações altamente imbecis. Vejam só a cara do estúpido: TOTALMENTE LOMBROZIANO! Sintam só o brincozinho na orelha direita, indicativo de ser a figura “levemente” gay. E pensar que um jumento desse mama uns R$ 20.000,00 dos nossos impostos, indefectivelmente todos os meses e per omnia secula seculorum, só para ficar defecando verbalmente essas cagadas. Pergunta quanto alguém do mundo real chegaria a pagar pela assessoria jurídica deste quadrúpede ruminante.

Quem tiver a pachorra de ler esse arrazoado de babaquices, dê um pulinho neste site clicando aqui. Observem que o local é a famigerada folha.uol, como não podia deixar de ser. (É, caros leitores… tenho sim o hábito de fuçar o que as esquerdas canalhas – olha o pleonasmo e a redundância! – Estão disseminando)

Para completar a desgraça, o animal é mantido a pão de ló com os nossos impostos (como ademais, a maioria dos seus colegas das universidades federais), só para ficar repetindo essas afirmações abstrusas e envenenando a cabeça da plateia de babacas que são forçados a ouvi-lo, se quiserem ter o direito de se formarem.

É DE LASCAR O CANO OU NÃO É ? Vamos ver o que esse imbecil defende:

1. O campo jurídico não discute adequadamente racismo e relações raciais! – Inicialmente, é bom que se diga que, segundo quem entende do assunto mais do que eu, o conceito de RAÇAS não se aplica à espécie humana. Somos todos Homo Sapiens! Nem mesmo os demais ramos já identificados da nossa linhagem, tais como os Neanderthais, os Afarensis, os Cro-Magnon, etc. seriam, a rigor, classificados como outras “raças”, já que segundo estudos de DNA, carregamos uma carga significativa de hibridação com estas linhagens. O que existem são apenas fenótipos diferentes, criados majoritariamente como adaptação ao meio em que viviam as diferentes populações. Um país com população majoritariamente miscigenada, como o nosso, esse tipo de discussão se torna exponencialmente mais imbecil. Cabe ao campo jurídico discutir “relações raciais?

2. O racismo impregna as instituições jurídicas – Que as instituições jurídicas são uma bosta, isto todos nós estamos absolutamente cansados de saber. O que esta alimária quer agora é COTAS PARA NEGROS NO JUDICIÁRIO! Se já está uma merda, cheio de negrão analfabeto é que vai acabar de lascar de vez.

3. Por que a faculdade não discute o genocídio negro? – Primeiramente, porque não há genocídio! Quem mata negros são, majoritariamente, os próprios negros. Depois, como a proporção de negros na população é alta, espera-se que a taxa de assassinatos seja também proporcional ao seu percentual na população. Por fim, porque a incidência de crimes violentos entre os negros é muito maior que entre a população não negra. Assim, faz-se necessária uma atuação muito mais firme da polícia, também formada majoritariamente por negros, a fim de reprimir estas violências, com as consequentes mortes daí originadas. Fossem os negros anjinhos de candura, não estariam sempre sendo estampados nas páginas policiais dos jornais, como algoz e como vítima.

4. Por que os cursos de direito se baseiam sempre em pensadores europeus e americanos? – Vai basear com fundamento na filosofia de que pensador africano? Jean Bedel Bokassa ou Idi Amin Dada ?

Coadjuvando esse festival de imbecilidades, outra sumidade das universidades federais, também mantida a pão de ló com nossos impostos, decidiu propor a inclusão da disciplina denominada afro-etnomatemática, definida como o estudo de contribuições africanas e afrodescendentes à matemática. A pior parte é que foi aceita a sugestão e incluída na grade da disciplina. Acredito que Euler, Leibnitz, Pascal, Fermat, Laplace, Gauss, Newton, Bernouille, Fourier, e mais uma plêiade de gênios, que dedicaram toda a vida à extenuante busca de novos conhecimentos, todos eles deram saltos soltos, carpados e de costa, dentro das suas respectivas tumbas.

Caso tenham interesse em aprofundar o conhecimento deste bestialógico, deem uma olhada clicando aqui .

Já o sociólogo Muniz Sodré, autor de “Pensar Nagô” e “O terreiro e a cidade”, propõe uma interpretação do Brasil a partir do conhecimento originado na macumba e em outros saberes populares. Olhar o país desde as encruzilhadas, para apresentar a macumba como fundamento de uma prática existencial da qual se origina uma nova epistemologia. Por sua parte, um tal de Rufino sugere um projeto poético, político e ético que tem em Exu a gênese de uma pedagogia antirracista e decolonial. Questiona a ideia de uma universalidade do conhecimento, confronta os parâmetros do colonialismo e trabalha conceitos como “rolê epistemológico”, inspirado nas sabedorias dos capoeiras, entre outros.

Deu para entender? Não? Eu também não entendi porra nenhuma! Donde se conclui que, você e eu, somos típicos representantes da burguesia RACISTA!

Com base neste meu “petit vole dóiseau” por sobre os temas que estão “bombando” nas nossas queridas Universidade Federais, chego às seguintes conclusões:

1- Como não foi interrompida a tempo a proliferação dos primatas com pretensão a homo sapiens, estes estão se tornando cada vez mais a maioria avassaladora da nossa população.

2- Com os recentes governos priorizando, ao longo de anos, a “inclusão” desta imensidão de imbecis nas universidades, estas se tornaram valhacouto de todo o tipo de jumentices que se possa imaginar.

3- Se as universidades, que deveriam ser os centros pensantes da nossa nacionalidade, se transformaram nesta diarreia geral, podemos ter certeza absoluta que o nosso país, não só não conseguirá sair da merda, como estará se afundando nela cada vez mais. Se o Brasil depender desses “Think Tank” para deslanchar na senda do desenvolvimento, ESTAMOS SIMPLESMENTE LASCADOS!

4- Hoje, já somos a epítome da selvageria em termos mundiais! A quantidade de assassinatos denota uma guerra civil sem que haja guerra nenhuma. São só selvagens se matando uns aos outros, seja na bala, na faca, e um outro tanto no trânsito selvagem. Simplesmente isso! E a tendência é piorar cada vez mais.

5- Fica fácil concluir que o nosso país está se esvaindo em bosta devido à predominância absoluta deste estrato social em nossa população.
O pior é que, com essa proliferação bacteriana, os proto-humanos estão invadindo até os centros maiores de nossa civilização como os países europeus.

5 pensou em “K-622 E OS QUILOMBOLAS

  1. Adonis: você colocou o dedo no meio da ferida. Suas observações são o extrato da sabedoria.
    Se você puder, dê um alô para mim pelo e-mail. Não o publico aqui por razões óbvias, mas o Berto sabe (o Mauricio Assuero também).
    Um grande abraço,
    Magnovaldo

  2. Um tio meu, Miro Véi, na sabedoria dos seus 90 anos, toma todo Santo dia , ao acordar, uma dose de leite de pinhão brabo, misturado com fel de vaca( só serve se for de vaca, diz ele), caliçado com dois dedos de água do.pote que fica atrás da porta da cozinha da Fazenda Espinheiro aqui em Irecê, onde reside.
    Vou ver se ele me arruma um tiquinho.
    Vai pro Meste Adônis enviar para alguns ” amigos” dele. Kk

  3. Calma que Adônis explica já, com a contundência que lhe é peculiar!

    Resumo da ópera: A quem tiver QUALQUER objeção ao texto, que se atenha à frase adônica e maravilhônica referente ao tal racismo, que alguns enxergam no Brasil: Um país com população majoritariamente miscigenada, como o nosso, esse tipo de discussão se torna exponencialmente mais imbecil.

    Quanto à violência nossa de cada dia, não nos poupa Adônis: São só selvagens se matando uns aos outros, seja na bala, na faca, e um outro tanto no trânsito selvagem.

    Acrescentaria Sancho: (…) independente da cor dos olhos ou da pele, são só selvagens se matando uns aos outros, seja na bala, na faca, e um outro tanto no trânsito selvagem.

    • Caro Sancho, meu estimado Guru,

      Seu complemento à minha frase tornou-a simplesmente perfeita.

      Era o que estava faltando!

      Eu pensei e não escrevi. Acho que porque o texto estava muito longo.

      Grande abraço.

  4. Adônis de guerra, tem umas coisinhas: a “África Negra” não me parece tão bem delimitada assim, de modo que o Egito foi aquele avanço.
    Mas a questão, se preferes achar que os egípcios eram “bronzeados”, penso que não podemos pensar em progresso apenas no sentido material, digamos assim, ou científico, de modo que a África nos trouxe contribuições muito relevantes na culinária, na música, na dança, na religião, e é possível que o atraso que dela tomou conta foi causado pelas colonizações européias.
    E consta que até o nosso Carnaval tem suas origens por aquelas bandas.
    Não estou querendo polemizar nem ir fundo para interpretar se tu deixas no ar algum sentimento pouco recomendado na área da homofobia, do racismo, mas… véi, o que tens de ficar pegando no pé do Samuel Vida?
    Segundo ele próprio, Samuel Santana Vida: Doutorando em Direito, UNB – 2018. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal da Bahia (1994) e Especialização em Direito e Cidadania pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2001). Mestre em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (2018). Professor de Direito da Universidade Federal da Bahia. Coordenador do Programa Direito e Relações Raciais – PDRR/UFBA. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito e Relações Raciais, Direito Constitucional, Teoria do Direito, Filosofia do Direito, Hermenêutica Jurídica, História do Direito e Sociologia Jurídica. Integra o AGANJU – Afro Gabinete de Articulação Institucional e Jurídica, organização do Movimentos Negro com atuação na área de Direito e Relações Raciais, elaboração de Políticas Públicas Antirracistas, defesa da Liberdade Religiosa, Segurança Pública, Violência Policial, Relações Raciais e Democracia. Pesquisas em desenvolvimento: Exuêutica Jurídica; Direito à Literatura Negra; Constitucionalismo Negro e o Sujeito Constitucional Insurgente.

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