A PALAVRA DO EDITOR

Meus caros leitores Fubânicos,

Dada a repercussão de meu último artigo (Guedes Pediu Paciência), concluí que meus digníssimos leitores estão precisando ter um curso prático de economia.

Segue aqui a aula nº 1.

Como se trata de um curso de Economia Prática, vou lecionar através de exemplos didáticos. O título dessa primeira aula é “José e a estrada”.

Era uma vez um fazendeiro chamado José. José tinha uma enorme fazenda de gado que herdou de seu avô. Esta fazenda situava-se entre dois municípios, com parte das terras no município A e parte no município B.

Um dia um sobrinho de José deu-lhe a seguinte ideia maluca: “Ei tio, porque você não constrói uma estrada entre as cidades A e B em suas terras e lucra cobrando pedágio?”

José ficou pensando naquilo e concluiu que era uma boa ideia. Encomendou, então, dois estudos. Um de uma empresa de engenharia para orçar o custo de construção da estrada e outro de um instituto de pesquisa para avaliar o mercado potencial para a estrada.

O estudo de engenharia apresentou um projeto com um orçamento dentro do que José imaginava. A pesquisa de mercado, entretanto, foi desanimadora. Concluía que o fluxo entre as cidades A e B seria muito pequeno, algo em torno de um veículo por hora.

José concluiu que a estrada era inviável, dado que um pedágio razoável não pagaria os custos da estrada nem em 100 anos. O sobrinho ainda insistiu “Mas tio, depois que a estrada estiver aberta esse fluxo vai aumentar e em 10 anos você recupera o investimento.”

Mas José disse ao sobrinho sonhador: “É muito arriscado. Pode ser que sim ou pode ser que não. De qualquer forma não posso esperar 10 anos. Além disso, se eu investir em meus boizinhos ganho a mesma coisa mais rápido e com muito mais segurança.

José está errado? Claro que não. Qualquer um de nós agiria da mesma forma.

Um belo dia chega um mensageiro do governo estadual e diz para José. “Sr. José, em nome do interesse público o estado vai desapropriar uma faixa de suas terras para a construção de uma estrada ligando a cidade A com a cidade B. O Sr. será devidamente indenizado por um valor justo”.

Essa questão do valor justo é muito relativa, mas se José for amigo do governador pode até obter um valor bem mais “justo” que o razoável. Afinal estamos no Brasil.

A estrada foi construída e no começo, de fato, o fluxo era baixíssimo como o estudo previra. O que o estudo não previu foi que as terras de José que margeiam a estrada tiveram enorme valorização.

Como o sobrinho previu, em pouco tempo o fluxo de veículos aumentou e as duas cidades tiveram um grande desenvolvimento. José também ganhou muito dinheiro com os loteamentos e os galpões industriais que ele montou às margens da rodovia. O estado também lucrou porque passou a arrecadar muito mais impostos naquela região. E assim todos viveram felizes para sempre.

Todos? Não, claro que não. Uma ONG de ecologistas patrocinada por George Soros criou o maior caso com a construção da estrada e tentaram por todos os meios embargar a obra. A justificativa era que a estrada iria afetar a vida sexual do louva-deus de asa roxa, que vive apenas naquela região. Apesar do Ministério Público apoiar a iniciativa dos ecologistas, o tribunal deu ganho de causa ao estado e a estrada foi construída.

Dez anos depois a estrada já merecia uma duplicação. Entretanto o governo estadual estava totalmente quebrado, com uma dívida impagável da aposentadoria do funcionalismo público.

Diante disso o governador decidiu que iria privatizar a estrada através de uma concessão por 30 anos e a condição que a concessionária duplicasse a via.

Assim foi feita uma licitação pública e uma grande empresa chinesa adquiriu a concessão.

Pergunta para meus alunos: o que o governador deve fazer com o dinheiro obtido com a concessão?

Resposta A: Abater a dívida com a aposentadoria do funcionalismo;

Resposta B: Usar o dinheiro para construir nova estrada em outra região;

Resposta C: Construir uma sede mais luxuosa para a prefeitura.

Meus alunos fubânicos mais inteligentes já perceberam que a resposta correta é a B. Se o dinheiro for usado na construção de outra estrada, mais desenvolvimento será gerado, mais impostos serão recolhidos e aos poucos, a dívida do funcionalismo será saldada.

O que podemos extrair dessa lição?

1) A iniciativa privada não investe onde o risco é alto e o retorno é lento, características típicas das obras de infraestrutura.

2) Cabe ao Estado investir nessas obras que são multiplicadoras e geram desenvolvimento para todos.

3) O dinheiro arrecadado com a privatização da infraestrutura deve ser aplicado em mais infraestrutura e não para pagar dívidas impagáveis.

Por acaso isso é socialismo? Não amiguinhos, o nome disso é Economia Real.

Com essa aula vocês passaram a saber mais de economia que Paulo Guedes.

E nem precisaram fazer curso em Chicago.

Saudações fubânicas do

Professor Dinossauro

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