CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

O MILAGRE DO CAJÁ

Quando se fala em cajá, o fruto da cajazeira (ou taperebá, como é conhecido na região amazônica), logo vem à mente a ideia de um suco, um refresco, um sorvete, geleia, compota, e outras iguarias feitas da polpa desse fruto, maduro evidentemente. Aliás, se o cajá agrada o paladar, muito mais agrada ao olfato por causa do seu aroma agradável.

Mas o cajá não é proveitoso apenas para fins alimentares, também serve como arma de defesa contra eventuais agressores, principalmente contra assaltantes. Isso aconteceu dia 27 de abril, de 2023, na capital do Piauí, com um senhor idoso quando acabara de sair do supermercado em direção à sua casa. Em certa altura do trajeto o octogenário, que levava à mão uma sacola contendo dois quilos de polpa do cajá, fora abordado por dois assaltantes. Ao ser ameaçado de morte pelos malfeitores, o idoso, num gesto inesperado (que só o instinto de sobrevivência pode explicar), arremessou violentamente a sacola de polpa congelada sobre a cara de um dos assaltantes. O arriscado gesto do idoso teve a serventia de quebrar o maxilar do delinquente, que se evadiu do local. De brinde, a sacola de polpa congelada prestou mais um favor: não se furtou ao dever de deixar a garganta do comparsa em absoluta petição de miséria.

Agora, me esforço em identificar esse valente octogenário cuja coragem e bravura faz lembrar Sanção quando derrotou dezenas de rivais tendo à mão apenas uma queixada de jumento. É que, nestes tempos de violência, eu estava justamente à procura de alguém, cheio de juventude, que queira trabalhar para mim como guarda-costas. Porém, ao saber dessa bravura incomparável, mudei de ideia, cogito contratar esse corajoso “oitentão”. Segundo as bocas de matildes trata-se do senhor Manoel Fortes de Carvalho, que atende pelo apelido de Tempestade.

7 pensou em “JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

  1. No Brasil de hoje, com este bando de vagabundos/ladrões, não vale a pena bater com saco desta polpa maravilhosa chamada cajá, tem que ser com pau de jucá, este sim, é pau prá dar em doido.m

  2. Parabéns pelo excelente texto, “O MILAGRE DO CAJÁ”, prezado Jacob Fortes – Brasília-DF!,
    Uma prova contundente de que não é só tiro de arma de fogo que faz vítimas. O saboroso cajá, feito polpa congelada, também.
    Que o STF não saiba disso, mesmo que o idoso tenha agido em legítima defesa….kkkkkkk

    Bom domingo!

  3. Jacob, na minha infância/adolescência em Fortaleza, o famoso cacetete da “poliça” era feita de jucá e a imprensa (O Povo e Unitário) usavam a expressão: “A polícia desceu o jucá nos “rabo de cavalo”.

  4. Sinto-me gratificado em poder contribuir para que essa turba se manifeste dessa maneira, espontânea, sem régua para as palavras, trazendo relatos de outros tempos, muito bom.
    Abraço, Marcos Pontes.

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