CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

AS CACHORRAS E A FÁBULA DO CAVALO CEGO

Conta a fábula que numa fazenda existiam dois cavalos. Ao longe, pastejando tranquilamente no descampado, pareciam sem defeitos, mas a curta distância via-se que um deles era cego. Nem por isso o dono se desfez dele, ao contrário, lhe conseguiu um amigo; um cavalo mais jovem em cujo pescoço pôs um sino para que o cavalo cego se orientasse pelo repenicar do badalo.

A fábula do cavalo cego é simbológica: traduz o amor de Deus pelos animais e suas criaturas ainda que portadoras de imperfeições. No decurso da vida as criaturas ora são o cavalo cego, ora o cavalo guia.

Pois bem, eu tinha duas cachorras, mas já não as tenho; partiram para o sono eterno antes de completarem os quinze anos. Vieram para o meu poder ainda na tenra idade. Suas figuras marcantes, acolhedoras, enchiam a casa de vida. A Bibi, Fox paulistinha, partiu em fevereiro de 2019, a Gaia, pastora belga, se foi desta vida no declinar de 26 de abril de 2019.

A particularidade destacável é a semelhança entre o fadário do cavalo cego e da cachorra Gaia. Padecendo esta, há tempos, de cegueira irreversível, tinha na Bibi o seu sino orientador, sua bússola. Com o silêncio do sino à Gaia sobreveio a melancolia e o recrudescimento dos achaques naturais da idade, circunstância que apressou o apetite da ceifeira; “que tem por alvo tudo que vive”!

A minha melhor saudade consagro a essas duas amigas, tão amorosas quanto boas guardiãs. Ao estilo de vassalo humilde não se cansavam de receber-me de modo festivo.

Muito obrigado meus bem-quereres! Seja o que DEUS for servido!

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