CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DECREPITUDE

À juventude sucederá o que inexoravelmente sucede a todos: a velhice. Ninguém poderá barricar ou exorcizar a velhice. Não envelhecer é imaginação impossível. Mas a velhice, se saudável for, não é o enguiço. O enguiço atende pelo nome de decrepitude, que priva a velhice de reger-se, tornando-a caduca, tatibitate. Ainda que de hábitos retardatários, a decrepitude, por vezes, acomete prematuramente uns e outros. Nisso de precocemente radicam razões extraordinárias que à medicina cabe explicar.

De certeza tem-se que, quando o vigor se dissipa, quando o que era forte agora cambaleia, a literatura filosófica atinente à velhice perde sua conotação poética e assume o papel de máquina fotográfica, exprime com exatidão a crua realidade:

“Quando partimos no verdor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão conosco à frente,
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo e cantando, célebres, ufanos,
Vamos marchando descuidosamente.
Eis que chega a velhice, de repente,
Desfazendo ilusões, matando enganos.

Então, nós enxergamos claramente
Como a existência é rápida e falaz,
E vemos que sucede, exatamente,

O contrário dos tempos de rapaz:
– Os desenganos vão conosco à frente,
E as esperanças vão ficando atrás.”

Pe. Antônio Tomás, Acaraú, 14.09.1868-Fortaleza 16.07.1941

“Entre sonhos e dramas que passei
Percebi que era tudo fantasia
A infância fugiu quando eu dormia
A velhice chegou quando acordei
Foi num toque de mágica que fiquei
Desprovido de graça e vaidade
Descobri cruel realidade
Resta agora chorar as minhas dores
A velhice chegou murchando as flores
Que já fui, no jardim da mocidade. ”.

Repentista João de Lima, natural de Porto Real do Colégio-AL

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