CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CEM DIAS DE SOVA

Muito se disse e se escreveu sobre os cem dias do governo Bolsonaro, mas uma particularidade ficou esquecida: as sovas que as oposições aplicaram ao lombo no governo, evidentemente aos moldes da severidade dos seus rijos costumes e com a prontidão e perícia que lhes são habituais nesse gênero de ofício. Seu lema é fazer crer que estão sempre certas e o governo sempre errado. Supletivamente, no papel de verdugo, vem alguns setores da imprensa. Basta abrir uma revista, um jornal, um canal de televisão ou de rádio, para deparar um temporal de pancada sobre o dorso do governo. Chamam atenção os comentários de alguns integrantes da imprensa. De açoite em punho, nutrem particular estima em maldizer o governo, menoscabá-lo. Será que nesses cem dias de governo não sucedeu uma única virtude, uma única distinção que possa ser louvada?

A crítica é fortuna mais rica que o aplauso. Aquela aperfeiçoa, este ilude. “Antes salvar-se pela critiquice a arruinar-se pelo aplauso”. Porém, criticar pelo vezo de falar mal não exprime gesto digno de apreço. Demais, as aferições, desde os primórdios, somente ocorrem após a execução de uma tarefa. É assim com o estágio probatório no Serviço Público, com o contrato de experiência nas empresas, com o rendimento do alunato nas escolas, e por aí além. Apesar disso, querem por que querem que em cem dias já estejam regeneradas todas as pisaduras e escoriações impressas no lombo do Brasil pelos albardões de governos anteriores. E não é só. Há exasperada irritação derivante de o chefe do executivo ser pessoa que discrepa do gabarito, do protótipo. Sua figura, sua conduta, contraria o padrão que está no imaginário; “queres incomodar ponhas-te diferente”. Por mais que se tente nunca será possível modificar a personalidade de uma pessoa de modo a fazer com que ela se ajuste ao que se pensa que ela deveria ser. As pessoas dessemelham, os costumes modificam.

Apesar da pancadaria ruidosa, algumas vezes raivosa, que não falte ao Brasil a crítica de boa semente: que brota do zelo por um Brasil melhor, que tem o propósito visível de corrigir rumos, que torce para o navio não submergir às profundezas. Felizmente, há na imprensa personagens imbuídas desse sentimento contributivo. Claudio Humberto, rádio Band News, DF, com sua crítica castiça e bem articulada, bate, mas de maneira pedagógica. Suas críticas, por vezes duras, denotam profundo sentimento de fraternidade ao Brasil; as faz sempre pugnando pelos brasileiros: “cidadão brasileiro, contribuinte brasileiro, sociedade brasileira, povo brasileiro, eleitor brasileiro, trabalhador brasileiro”.

As sovas dos cem dias são indícios do que está por vir no restante do mandato: uma saraivada estalante de tundas. Essas práticas iminentes ancoram a sugestão para que o governo busque amparo nas guarnições de couro como forma de prevenir os efeitos dos açoites que tem as costas como destinatárias.

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