CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

FICÇÃO OU REALIDADE?

Não é ficção, é realidade. Os assassinatos de mulheres, os chamados feminicídios, que se sucedem por todo o Brasil, são tão monstruosos quanto recorrentes.

Essas mulheres, de variados matizes, devastadas pela violência, pedem socorro, suplicam, expedem rogativas comovedoras, mas não são escutadas nem antes nem durante as horas extremas. E a brutalidade contra elas vai-se irrompendo, produzindo ecos, repercutindo além das fronteiras brasileiras. Não se diga que essa realidade embrutecida e sanguinolenta deriva da modernidade e que fora gestada pelas estressantes metrópoles brasileiras. Isso remonta às priscas eras, precede a Matusalém.

Durante os séculos passados a violência contra as mulheres ocorria de modo mais abundante. No período colonial e mesmo depois da Independência, vigoravam normas, “Ordenações do Reino”, que tornava lícito ao homem casado matar a esposa em flagrante delito. Amparados pelo instituto jurídico do adultério, mais conhecido por infidelidade conjugal, os feminicídios acabavam sendo justificados pela lei e seus autores absolvidos.

Essa sinistra e retumbante realidade, que deprime e revolta, a matança de mulheres, retrato 3×4 da violência brasileira, reclama providências vigorosas. Se o sistema penal vigente, com Maria da Penha e tudo, é franzino para enfrentar essa dinastia de facínoras, urge que sobrevenham normas penais mais robustas, de alta voltagem:

a) expandir o tempo de reclusão celular,

b) confiscar os bens dos infratores (homicidas, uxoricidas) em favor dos herdeiros e legatários da “de cujos” e,

c) torná-los inférteis mediante a expropriação dos seus órgãos gerativos, evidentemente por meio de procedimento indolor.

Com o protesto à torpeza dos sanguinários irascíveis (que atribuem a si o direito de matar, e fazem das mulheres os únicos adversários para as suas “valentias”) saúdo, em nome da generosidade brasileira, todas as mulheres sobremaneira as que se retiraram da vida terreal pelas mãos impiedosas dos celerados.

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