INVEJA DE JOSÉ NÊUMANNE

Nestes últimos dias sinto uma santa inveja do José Nêumanne, homem certo, no lugar certo, na hora certa quando o vaidoso ministro Marco Aurélio Mello, em abril de 2016, se expôs perante a equipe de jornalistas do Roda Viva e teve a má sorte de topar com Nêumanne na roda de entrevistadores (1). O bravo jornalista não deixou barato e lavou a alma nacional. Apontou a morosidade do Supremo, a impunidade que conferia aos crimes praticados por aqueles réus que dispusessem de prerrogativa de foro. Ironizou e teatralizou o que era sabidamente ridículo, apontou a onerosa e inútil farsa do julgamento do mensalão, cujas penas, abrandadas pela exclusão do crime de formação de quadrilha, praticamente não se cumpriram. Em dado momento, sem encontrar porta retórica para evadir-se daquele aperto, o ministro tentou inverter a situação e de entrevistado virou entrevistador:

“Por que essa fixação no Supremo? Você não acredita na sua Suprema Corte?”. Ao que a resposta de Nêumanne veio fulminante: “Não, não acredito”. O comentário de Marco Aurélio Mello à dura afirmação ecoa através dos anos: “Isso é muito triste”. E é, ministro, acrescento eu. Os senhores não imaginam quanto, aos olhos da sociedade, é triste o papel que tantas vezes desempenham!

Se a pergunta que ele fez ao jornalista fosse endereçada hoje à nação, esta, quase unânime, expressaria seus sentimentos de maneira ainda mais áspera. A composição do STF que os anos petistas legaram ao país merece-lhe tanta confiança quanto aqueles a quem põe em liberdade, atendendo, por gosto ou não, querendo ou não, à ecologia do crime e ao preservacionismo da corrupção. É o que fazem.

Nestes dias, só nos resta aguardar os votos finais e gritar nossa repulsa e desalento ante o que ouvimos em votos dados no tom de quem ensina. Por vezes, são lições inaudíveis, intoleráveis. Os votos a favor do cumprimento das penas somente após as festas do Dia de São Nunca são proferidos sob um guarda-chuva retórico que tem apenas duas varetas. Não abre, não protege o discurso nem o voto. Uma vareta levanta seu pedaço de pano torto para a leitura literal da Constituição, soltar milhares de bandidos sobre cuja culpa não cabe dúvida e restaurar a impunidade, alegando que o contrário disso seria legislar. A outra , do lado oposto, faz o mesmo para legislar e criar tipo penal por analogia ou para inovar no direito processual em matéria de insignificante relevância como são as alegações finais. Assim, a Lava Jato e o combate à criminalidade vão definhando aos olhos de todos.

2 pensou em “INVEJA DE JOSÉ NÊUMANNE

  1. Professor, chamar esse pavão ensaboado de vaidoso é muito pouco. Marcos Aurélio é a reencarnação do Narciso, felizmente , de belo o boca mole nada tem. Tem de sobra, soberba,arrogância e presunção. Certamente, o futuro lhe reserva um bom lugar na lata de lixo da história.

  2. simplesmente para mim estes pupilos de corruptos ,elevados a cargos que como disse la atras o saudoso senador roberto campos nao teem e nao cumprem nenhum dos quesitos sejam morais sejam de conecimento juridico , visto que nenhum deles foi juiz concursado , e portanto sem as minimas condiçoes de ocuparem cadeiras em que sentaram paulo brossar , ayres brito e mesmo outros realmente capazes juridicamente e moralmente , hoje o stf causa asco a populaçao honesta e trabalhadora , principalmete aqueles que teem um minimo conhecimento de leis , e constituiçao., e a prova da falta de conhecimento juridico e que eles pisoteiam a constituiçao , e usurpam o direito constitucional de fazer leis que e pela constituiçao outorgada , ao legislativo e ainda a moral, ao tentar praticar censura em prol deles proprios sem a condiçao legal de investigar e julgar pessoas sem foro privilegiado

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