CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Incomoda ver a política gastar bilhões nas campanhas eleitorais, na comilança em mordomias, no recebimento de exagerados benefícios pelas autoridades e no fim das contas não sobrar um níquel sequer, nem a boa vontade dos candidatos e atuais parlamentares para suprir a carência nos hospitais públicos.

Insatisfeito com os descasos e a obrigação de chegar de madrugada para tentar a sorte na fila dos hospitais e nos postos de saúde púbicos, quando não dorme ao relento no chão e em cima de papelão, o cidadão carente reclama, com razão, contra a dificuldade para marcar exames e obter consultas.

No hospital Pelópidas Silveira, no Curado, Recife, teve ocasião que uma paciente teve de aguardar sete meses para conseguir vaga.

Enquanto isso, o ex-ministro da Saúde, da época, Ricardo Barros, comentou sobre o excesso de hospitais no Brasil. Segundo o ex-ministro, 1.500 hospitais seriam suficientes para cuidar da saúde pública no país. Sem atropelos. Segundo o ex-ministro, é má gestão que atrapalha a estrutura hospitalar.

Até as unidades básicas de pronto atendimento servem de moeda de troca para a política explorar a seu bel prazer o descalabro. Quanto maior a fila, melhor é a chance de conseguir votos para a reeleição.

Na visão dos gestores da Saúde brasileira, lamentável é observar um paciente ocupar um leito sem, no entanto, usar o tomógrafo, a ressonância magnética e o centro cirúrgico disponíveis de um hospital público, que ficam parados, sem uso. Enquanto dezenas de pacientes passam horas deitados em macas improvisadas nos corredores, reclamando a falta de atendimento.

É, mas ninguém comenta o tempo que os equipamentos médicos ficam parados por causa de defeito e a demora para consertar que depende da boa vontade do diretor do órgão, que por sua vez, depende de autorização superior que passa uma temporada para chegar até a origem do pedido. Situação perfeitamente desconhecida nos bastidores dos dirigentes da saúde pública. Mas, comumente criticada pela população que vive de olho nas desgovernanças.

Tudo bem que o Sistema Único de Saúde, quando bem executado apresenta bons resultados. Justamente porque o SUS foi criado com esta finalidade. Resolver as dificuldades, reparar os erros. Eliminar as deficiências na saúde oferecida ao povo.

Não é mole deixar 75% da população brasileira depender de uma saúde pública, administrativamente deficiente e precária.

Apesar do país investir mais de R$ 103 bilhões por ano. Enquanto apenas 25% da sociedade, por ter dinheiro, ter condições de pagar consultas e exames à vista ou pagar caros planos de saúde, gozar de outro tipo de atendimento médico na saúde privada.

A saúde suplementar, cuja receita chega bem próxima, pelo menos os últimos dados revelam que a saúde privada os pacientes investem R$ 90,5 bilhões anuais. Relata o Conselho Federal de Medicina que o contingente médico brasileiro, depois da abertura de novas faculdades de medicina, a partida da década de 70, registra mais de 450 mil médicos em atuação no país para atender a população que se danou a envelhecer mais depressa e que basicamente se concentram em centros evoluídos, desprezando o interior, sempre carente de tudo. Ignorando o preceito defendido pela Organização Mundial de Saúde, órgão integrante da ONU, que recomenda ser imprescindível a presença de um médico para cada mil habitantes da localidade. E o Brasil, atualmente, dispõe de 2,11 médicos para cada mil habitantes. Alguma coisa tá errada. Tá, não?

Domingo foi dia de eleição. Nos dias anteriores o povo só ouviu promessas, promessas, promessas de candidatos a prefeito e vereadores. Algumas, perfeitamente absurdas.

O que interessa é saber quantas das promessas e campanha serão de fato executadas ou ficarão para as próximas eleições de cargos inferiores.

2 pensou em “INSATISFAÇÃO

  1. Caríssimo Ivan,

    Dia 29, para alguns, também será dia de eleição. Nos dias anteriores o povo só ouviu promessas, promessas, promessas de candidatos a prefeito. Algumas, perfeitamente absurdas. Viu como nada muda? Esse povo é pródigo em espalhar saliva ao vento…

    • Caríssimo Sancho, como vc entende de tudo. Na mosca, mas como já falou o que de fato vai acontecer no dia 29. Antecipou o pensamento do eleitor que de tanto ouvir somente, promessas, promessas, promessas, o povo vai eleger de novo quem não devia ser eleito. Aí, a vida continuar na mesma, sem alterações..Viu ?

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