PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Nunca mais me esqueci!… Eu era criança
e, em meu velho quintal, ao sol-nascente,
plantei, com a minha mão ingênua e mansa,
uma linda amendoeira adolescente.

Era a mais rútila e íntima esperança…
Cresceu.., cresceu … e, aos poucos, suavemente,
pendeu os ramos sobre um muro em frente
e foi frutificar na vizinhança…

Daí por diante, pela vida inteira,
todas as grandes árvores que em minhas
terras, num sonho esplêndido semeio,

como aquela magnífica amendoeira,
eflorescem nas chácaras vizinhas
e vão dar frutos no pomar alheio…

Raul de Leoni, Petrópolis, (1895-1926)

Deixe uma resposta