CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

A política não faz milagre. Pelo contrário, tem mão podre. Onde toca, gora. Estraga o conteúdo. É norma na política de indicação na empresa pública. Faz 30 anos, a democracia brasileira é arruinada pelas incompetentes nomeações para cargos de administração de ministérios, órgãos, repartições públicas e empresas de economia mista.

Até os políticos que são eleitos para cumprir mandatos legislativos desvirtuam as funções. Em vez de trabalhar exclusivamente pelo país, prestando serviços à coletividade, fazem é armar esquemas para fortalecer os partidos e garantir as reeleições. Até o peso da idade impedir novas disputas eleitorais, então, para não perder a vaga, geralmente ganha através de manobras, o político transfere a chance para membros da família, visando não perder a boquinha com as mordomias do Estado.

Está na Constituição, mas a lei é ignorada. A responsabilidade de qualquer político eleito é trabalhar em prol do país e não arruinar o patrimônio público. Como tem acontecido regularmente, especialmente se ocupa cargo de gestão.

O serviço público existe para atender as necessidades da sociedade. Portanto, não pode ser desvirtuado para satisfazer interesses partidários e pessoais. Não é somente na saúde, na educação e na segurança da sociedade que o Estado deve trabalhar arduamente. Cumprindo as obrigações de praxe.

A responsabilidade do Estado é administrar com decência, de maneira centralizada ou descentralizada, os órgãos públicos das três esferas. Federal, Estadual e municipal.

Pra isto é exigido dos gestores determinados princípios básicos. Conhecimento da causa, eficiência, continuidade, regularidade, atualidade e, sobretudo, cortesia no cumprimento do dever.

No entanto, o que mais o povo observa na prática são falhas de governabilidade e, especialmente, de representatividade. Fatos nítidos nos escândalos de corrupção acabaram em condenação e prisão de ex-presidentes, ex-governadores, parlamentares, ex-administradores de estatais e lideranças políticas e empresariais. Vergonhosa fase brasileira.

Dois fatores atrapalham o país na caminhada rumo à prosperidade. Os falsos programas de governabilidade e de legitimidade. Nos governos anteriores, o brasileiro botava fé nas administrações, ciente de que o sistema político faria as necessárias reformas para modernizar o país.

Mas, o tempo passou e os partidos políticos não fizeram outra coisa, senão mamar nas tetas da velha viúva, coordenar jogadas de propinas que causaram enormes prejuízos à Nação. Como não foram bestas, os antigos gestores transferiram a responsabilidade de mexer na estrutura política para o futuro para não perder a fartura de benefícios. Por isso, adiaram as reformas. Tão necessitadas.

Então, diante de tanta ineficiência, mentiras e arrumadinhos, cresce no seio da sociedade brasileira a desconfiança, decepção e a descrença nos homens que ocupam cargos no poder Executivo, Legislativo e Judiciário. Aliás, o Legislativo e o Judiciário caíram em desgraça na concepção do povo. Agora, para limpar a imagem, vai levar tempo.

A armação de grupos para livrar altas figuras políticas da cadeia, abafou a investigação sobre processos que analisavam os desvios na Caixa Econômica e nas repartições.

Segundo a mídia, somente com as concessões de renúncia fiscal, dispensa de multas e juros, grandes empresas se livraram de pagar montante superior a trinta bilhões de reais. Valor equivalente a uns bons prêmios acumulados da loteria federal que, em vez de ser empregado em obras sociais, acabaram desviados para o bolso da malandragem política.

Até o início de 2019, o Brasil mantinha mais de 30 mil cargos e funções comissionadas, cargos de confiança, que custavam bilhões de reais aos cofres públicos. Neste aspecto, o país supera os Estados Unidos que empregam contingente de altos funcionários três vezes menor. Aliás, houve promessa do atual governo enxugar a máquina administrativa, mas o corte foi mínimo. Quase imperceptível.

A Petrobrás, que era uma empresa sólida, sucumbiu diante da fome insaciável de partidos políticos e da incompetência política. O esquema criminoso de corrupção, as irregularidades envolvendo altos funcionários, os erros administrativos, os malfeitos, o esquema de pagamentos indevidos efetuados entre 2004 e 2012, o desvio e a lavagem dinheiro detonaram a petrolífera. Provocaram um rombo de R$ 6 bilhões.

Em 2014, a petrolífera contabilizou um prejuízo líquido de R$ 21,4 bilhões. Três esquemas desvalorizaram os ativos da estatal em R$ 44 bilhões. A queda do preço do petróleo, a redução de demanda e o atraso nos projetos de refino. O alívio só veio acontecer em 2018, quando o balanço da estatal registrou um lucro líquido de R$ 25 bilhões, para satisfação dos acionistas.

Tá mais do que provado. A velha tradição de indicar apadrinhados políticos para a administração de órgãos públicos e estatais tem de acabar. É nojento e antiprodutivo. Então, chegou a hora de o país nomear técnicos para ocupar posições de relevância nos destinos do país. Cada um na sua área.

Afinal, a Lei 13.303/2016, denominada Lei de Responsabilidade das Estatais, que rege o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e subsidiárias tem de entrar em ação para cortar o barato de quem só mama nas tetas do Estado. Sem prestar aquele esperado serviço. Método rotineiro no passado, porém criticado na conjuntura atual.

2 pensou em “INDICAÇÃO POLÍTICA

  1. Caríssimo el Terrible,
    Grande texto, onde destaco a fatia: A política não faz milagre. Pelo contrário, tem mão podre. Onde toca, gora. Estraga o conteúdo. É norma na política de indicação na empresa pública. Faz 30 anos, a democracia brasileira é arruinada pelas incompetentes nomeações para cargos de administração de ministérios, órgãos, repartições públicas e empresas de economia mista.

    É por essa e outras que não entendo o Bolsonaro não vender a todas as estatais e QUE, COM aquelas sem valor de mercado, que simplesmente despeje na lata de lixo da história, pois a tal coisa pública só dá prejuízo.

    Basta cair em “mãos erradas” que a roubalheira vira farra. Como sabemos que o governo de Bolsonaro eterno não será, faz-se extremamente necessário a eliminação de tais ralos de desperdício de dinheiro público.

    PRIVATIZA SAPORRA TODA, BOLSONARO!!!!!. Pelo amor de Deus!!!!!

    • Caro Sancho tô com você e não abro. Tem muita estatal que só
      serve como cabide de empregos pros afilhadinhos. E o povo pagando as despesas trabalhistas.

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