XICO COM X, BIZERRA COM I

Ganhei um CD de Luiz Gonzaga, presente de um amigo dileto. Agradecido, juntei a outros tantos que sempre recebo de artistas e compositores, no aguardo de que chegue ao comércio aparelhos reprodutores de CD. O meu quebrou e não encontrei outra peça para reposição. Os carros, por outro lado, também já não trazem esse artefato em seu painel. Por acaso, encontrei um outro amigo, que mantém sua loja de discos há 20 anos, resistindo a tudo e a todos, vendendo LPs e CDs. Na loja de Fábio (PASSADISCO) não se corre o risco de encontrarmos Chicos, Betânias ou Caetanos obrigados a dividir vizinhança, nas prateleiras, com Zezés, Belos e Tiaguinhos, por exemplo. Lá só vende disco bom. Duvido que se encontre por lá qualquer coisa de Anita, Safadão ou Vitar. Em tom provocativo, apenas com essa intenção, perguntei o que fazer com minha vasta coleção de discos que, com o surgimento dos streamings e plataformas digitais, os transformou em preciosos objetos de decoração, espécies em extinção, ociosos em sua função precípua de fazer-se ouvir.

DÍZIMOS? FAZEM HOJE VIA PIX

Ao invés da resposta que alguém ouviria, fosse eu o inquirido, disse-me: – São os tempos. E fez a comparação do quanto essas transformações ‘modernosas’ alteram nosso dia-a-dia. Convenci-me. Católico que sou, não preciso mais ir à Igreja professar minha fé ou render minhas homenagens ao Deus em que creio. Missa, assisto diariamente pela TV Aparecida, 18 horas. A confissão, que no modo presencial tanto nos constrangia, hoje faço por e-mail (algumas Igrejas já aceitam o ZAP) e para fazer doações utilizo o PIX. Ficar de joelhos, levantar as mãos para os Céus e dizer Amém, a gente pode fazer em casa sem precisar se deslocar. E Deus certamente acata os avanços tecnológicos.

VIZINHO DE DUAS BARULHENTAS IGREJAS

Também entendo tudo isso, embora seja adepto do ‘velho’ CD, onde encontro, além das belas capas, informações como a autoria das músicas, os profissionais que participaram das gravações, as letras … Quanto às Igrejas, em breve, no lugar de tantas que há, elas dividirão espaço com Farmácias a cada esquina. Tantas igrejas e farmácias são indicativos consistentes de que o povo está doente. Não fosse a exploração das pessoas, que tanto uma quanto a outra tem em comum, até que seria preferível ver farmácias em cada esquina ao invés de templos que só se incomodam com o bem-estar dos milionários ‘picaretas’ travestidos de pastores (para não ser injusto ou parecer supersticioso, que me perdoem as raríssimas exceções). A vantagem das farmácias é que delas não se ouve tanto barulho a perturbar o bem-estar de quem tem a desventura de morar ao lado dos templos religiosos. Em frente a minha casa, duas delas existem. Aleluias e Améns se ouve em alto e bom som. Vade retro Satanás.

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Todos os Livros e a maioria dos Discos de autoria de XICO BIZERRA estão à disposição para compra através do email xicobizerra@gmail.com. Quem preferir, grande parte dos CDs está disponível nas plataformas digitais. 

Nossos CDs estão nas plataformas virtuais e, em formato físico, na Loja Passadisco do Recife.

4 pensou em “IGREJAS, PARA QUE IGREJAS?

  1. Xico Bizerra todo modernoso, gênio e um ainda pouco dinossauro como este seu pobre devoto. Uma contradição anulante. E não está sozinho. Também não tenho como ouvir os CDs. Abraços fraternos.

  2. Recebi várias ‘dicas’ de onde encontrar aparelhos que reproduzam CDs. Afinal de contas, nós, dinossauros, também temos ouvidos.

  3. No Gol “pelado”, motor 1.0, que a empresa aluga para eu transitar por aí, pois bem, nele veio um aparelho que toca quase tudo ainda.
    Só fica de fora o LP.
    Eu faço a farra ouvindo Xico Bizerra nele.

  4. Não troco o Gol ‘pelado’ de Jesus pelo mais ‘bem vestido’ importado. Neste, não se pode ouvir o Forroboxote de Xico. kkkkkkk

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