A PALAVRA DO EDITOR

Não quero me aproveitar das manifestações contrárias dos próprios bolsonaristas quanto à atitude de Jair Bolsonaro em indicar seu filho como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Compreendo como uma divergência pontual de quem o faz e que para eles, bolsonaristas, não constitui uma deserção: estão convictos de que o presidente, que nós outros vemos como obtuso e despreparado, tem a capacidade de resolver os problemas atuais do nosso País.

Acho que essa manifestada esperança em Bolsonaro está mais para justificar o voto em qualquer um que significasse o afastamento do Lula e do PT do poder do que mesmo para demonstrar confiança em um candidato que sempre foi uma figura inexpressiva como parlamentar – tá oquei, deputados não precisam ser assim tão relevantes perante a opinião pública, mas também não precisam ser tão toscos e revelar tantas opiniões grotescas, atrasadas e inadequadas, para não dizer criminosas, como as que o deputado federal expunha.

Mas, Bolsonaro não nos decepciona. Agora, como uma Dilma articulada, ele solta mais uma pérola e garante, rebatendo as críticas pela indicação que pretende fazer:

“SE ESTÁ SENDO CRITICADO, É SINAL DE QUE É A PESSOA INDICADA”

Essa “resposta à sociedade” revela que o presidente está desligado do mundo e da realidade, não se dá conta de que mesmo os que votaram e confiam nele veem com, no mínimo, desconfiança a indicação, seja por uma razão, seja por outra.

Uns, entendem, na bucha, como nepotismo, acreditando ser nepotismo até mesmo face à lei. Mas, embora tal não possa, juridicamente, com segurança e certeza, ser classificado como tal, uma vez que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha admitido em mais de uma oportunidade que a ocupação de cargo político não o configura, outros classificam como nepotismo em termos amplos, na medida em que favorecimento com cargos a parentes é sempre uma forma de favorecimento desviado da ética.

Janaína Paschoal pensa que, tendo sido o deputado federal mais votado da história do Brasil, reeleito em 2018, Eduardo deveria manter-se no cargo para levar adiante a missão que seus eleitores lhe confiaram.

Outros acham que há gente na própria estrutura do Itamaraty capacitada e que mesmo fora da carreira diplomática muita gente está mais habilitada do que o filhão.

Olavo de Carvalho não diz que o amigo Eduardo Bolsonaro seja incapaz para o cargo; ele só acha que a aceitação podará a carreira dele, mas, o mais importante, é que ele precisa ficar na Câmara dos Deputados para destruir o Foro de São Paulo.

Caso contrário o comunismo tomará conta do Brasil.

Diz o guru da extrema direita:

– Será que neste país NINGUÉM entende que a CPI do Foro de São Paulo é coisa mais urgente e importante?

E arremata:

– O Foro de São Paulo é mais danoso do que a perda de um trilhão de dólares.

Aí vocês veem em que tipo de ideologia fomos metidos e qual a esperança que podemos alimentar para superar o oposicionismo natural que desenvolvemos pelo Messias. Quem começa só agora a enxergar essas personalidades estranhas que estão comandando os nossos destinos pode já ir se acostumando…

Só para terminar: eu realmente acho que uma pessoa não deve ser prejudicada em sua carreira política ou profissional só por ser filho de uma autoridade pública. O Eduardo Bolsonaro já tem uma carreira de voo próprio e, quem sabe, poderia desempenhar adequadamente a missão, especialmente considerando que a política que ele defenderá não é a dele, mas a do governo, bastando-lhe ser capaz de concretizá-la nas ações de caráter internacional.

A meu ver, há quem faria melhor, se fosse designado no bojo de uma política ideologicamente melhor.

Como a política é a do Olavo de Carvalho, tanto faz quem seja o ministro das relações exteriores e quem seja o embaixador do Brasil nos States.

Vá, Eduardo, e seja feliz. Dessa vez haverá quem lhe frite os hambúrgueres.

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