HOSPITAL ESPERANÇA, APARTAMENTO 217

De que me vale o relógio no pulso, se ele não me informa se é dia ou noite. São 9 e 15, diz o apetrecho em meu braço, mas da manhã ou da noite? Não sei. Como também não sei se chove ou faz sol, calor ou frio do lado de fora daquele quarto escuro, cortinas fechadas, na solidão de um apartamento hospitalar. Só sei que as 4 horas que meu relógio marca são da tarde quando a enfermeira chega, pontualmente, para aplicar-me uma injeção subcutânea na barriga, para evitar eventual trombose. Às seis, descubro ser quase noite, quando adentra a responsável pela alimentação, trazendo a sopa, os pãezinhos, um bolo, café e leite para servirem de jantar. O iogurte sobrava todo santo dia e ainda hoje não suporto ver o danado na prateleira do supermercado. Nunca tinha experimentado solidão tão brutal, impedido de receber visitas (Covid é terrível até nisso), totalmente ausente do mundo exterior por 30 dias, sem rádio ou ‘notiça das terra civilizada’. Nunca liguei a TV. Sentia-me acuado, condenado, encarcerado em minha própria solidão. Por outro lado, nunca valorizei tanto a vida depois que tive alta e voltei para casa, curado. Resta-me agradecer a Deus por ter esse COVID bem longe de mim e, num futuro próximo, vê-lo como coisa do passado, não mais presente entre nós. Que os anjos me defendam, e aos que quero bem, da solidão do 217.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

Dentre os inúmeros defeitos que tenho, não relaciono a ingratidão como tal. E seria um proceder ingrato não registrar o atendimento que recebi do corpo técnico – médicos, enfermeiros e técnicos do Hospital Esperança durante minha estada por lá. A todos, pelo interesse, carinho e competência, e ao pessoal do apoio (copa, hotelaria, limpeza), minha eterna gratidão e agradecimento sincero, por estar vivo e curado.

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  1. Grande poeta e compositor Xico Bizerra:

    Meu lema de vida sempre foi o seguinte: amar todos os entes e amigos queridos infinitamente enquanto vivos estiverem. E os inimigos também, porque estes sempre tem algo a nos acrescentar na vida.

    Estou muitíssimo feliz sabê-los curados desse maldito Vírus Chinês. O nobre poeta e a esposa!

    Vinícius e Bernardo estão em festa!

    Vocês moram no meu coração, porque aprendi a amá-los e admirá-los sem os conhecer pessoalmente.

    Não precisa!

    Basta só a empatia. O coração agradece à distância.

  2. Obrigado, Cícero. Quando a gente passa por isso parece que fica mais carente e toda palavra de conforto soa antes no coração que no ouvido, arejando a alma e ternurando o espírito. Abraço, amigo.

  3. Meu Cardeal, amigo, irmão, companheiro fubânico Xico: uma alegria enorme me encheu o peito quando tomei conhecimento da sua cura.

    Uma notícia abençoada.

    Tenha uma longa vida e seja muito, muito feliz junto a todos que você ama.

  4. Há muito de Xico ainda a ser ofertado a quem gosta de prosa, verso, boa música. Bizerra é desses que Sancho, sempre que conversa com o Criador, mostra a relação dos que deveriam ser proibidos de morrer. Fico imensamente feliz que seguiu à risca o pedido sanchiano e continua entre nós, que somos essa gente fubânica que muito ama sua obra.

    Sancho entregou a Deus extensa lista com pessoas que só estão LIBERADAS para a eternidade depois do 120 anos terrenos. Como não é bobo nem nada, incluiu-se na lista. Informo que toda a PATOTA fubânica ESTÁ INCLUÍDA NA LISTA de Sancho.

  5. Nada como ter amigos da estatura de Sancho e do Papa Berto. Obrigado aos dois. Espero que os Anjos e Seres celestiais sejam obedientes aos pedidos dos dois e me permita 120 anos de permanência neste plano terrestre, tempo suficiente para encher o saco de toda comunidade fubânica.

  6. Eita, seu Adonis, vou terminar convencido que mereço uns 140 anos de vida, complexo de Matusalem. Receba um abraço por cada ano desejado, amigo.

  7. Alvíssaras, poeta Xico Bizerra e Dona Dulce! Que Deus os abençoe e aos seus familiares! Muita saúde e muitas alegrias, substituindo os momentos de apreensão que passaram! Deus seja louvado!

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