RODRIGO BUENAVENTURA DE LÉON - LIVRE PENSADOR

Nestes tempos de confinamento, mais do que nunca precisamos de líderes, de exemplos e, até de heróis. Mas o Brasil e os brasileiros tem memória curta e nossa escola formadora de militância faz questão de fazer-nos esquecer de nossos heróis e, tenta de todas as formas nos impor heróis que não resistem ao mínimo crivo do bom-senso.

Nossos professores de história tentam colocar na cabeça dos jovens que heróis foram Dilma (a Anta), Lula (o ladrão) ou Marighela (o assassino e terrorista). Esquecemo-nos daqueles que anonimamente dão e deram suas vidas pelo Brasil e brasileiros.

As centenas de policiais que morrem nas mãos de bandidos diuturnamente em nossas ruas. Policiais que são assassinados no cumprimento do dever de proteger-nos e não recebem um lamento, um pio sequer dos defensores dos direitos humanos. Isto quando não são acusados de ser isto ou aquilo pelos defensores de bandidos. E, são tantos outros: bombeiros, caminhoneiros, trabalhadores, médicos, professores, heróis cotidianos, solenemente ignorados pela mídia, por políticos e pela ‘Entidades Defensoras de Direitos Humanos’.

Tivemos nesta semana algumas efemérides dignas de nota: o Dia do Exército, 19 de abril, que deu o que falar. Não sei como alguém em sã consciência observa um Presidente indo ao encontro do povo, discursando que dele (o povo) emana o poder, que não há acordo com o estabilishment (pau neles) e consegue acusá-lo de ditador ou golpista. Só na mente criativa de nossa pseudo-imprensa. Dia 21 de abril tivemos Tiradentes, mártir de nossa independência, data a muito esquecida em importância, lembrada apenas por ser feriado, algo sem relevância nos tempos de COVID.

Mas tivemos em 17 de abril a data em que se comemora a Tomada de Montese pelos Pracinhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira), na Itália, durante a Segunda Grande Guerra. Heróis de verdade lutando pela pátria. E, neste dia, o Pracinha Ten. Ermando Armelindo Piveta se recuperou do tal COVID-19, mortal segundo nossa imprensa. O Pracinha de 99 anos nos mostrou, de novo, que o bicho não é tão feio quanto pintam e que, se quisermos vamos derrota-lo, sem precisar desta corja de oportunistas. E, mais, curou-se com Hidroxiquinona. Querem mais?

Lembrei-me do Ten. João, pracinha da FEB, com 100 anos de idade, que vive em Pelotas e que está sempre presente, em qualquer cerimônia que exalte os valores da pátria, da família e do dever. Gosto muito de conversar com ele, lúcido, experiente e bom de papo, transforma qualquer conversa numa aula inigualável. As vezes levo meu filho para conversar com o Ten. João, aprender com quem tem, realmente o que ensinar.

Ademais o Ten. João lutou na Itália ao lado de meu saudoso avô João Sainz Ovalle. Meu avô, espanhol de origem, brasileiro de registro, lutou com a FEB na Itália. Arriscou sua vida pela minha, pela nossa liberdade. É destes heróis, esquecidos da grande população, que estou falando.

A tomada de Montese levou alguns dias para ocorrer, os brasileiros atacaram e tentaram subir e tomar a cidade entre 14 e 17 de abril. Muitos brasileiros deram ali suas vidas, em prol da liberdade, na luta contra o Nazi-fascismo (que embora enlouqueçam os esquerdopatas eram sim Regimes de Esquerda). Dentre estes heróis se destaca a histótia de 3 soldados mineiros.

Durante a tomada de Montese, estes três brasileiros saíram em patrulha pela região. Seus nomes eram Geraldo Baêta da Cruz, de 28 anos, vindo de Entre Rios de Minas, Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, natural de Rio Preto na Zona da Mata, e Arlindo Lúcio da Silva, de 25 anos, proveniente de São João del Rey.

Era 14 de abril de 1945 quando os três pracinhas se depararam inesperadamente com uma companhia inteira do Exército alemão. Os alemães estavam em aproximadamente 100 homens, completamente armados, e ordenaram aos brasileiros que se rendessem. Em meio à sangrenta batalha pela tomada de Montese, que durou quatro dias, os brasileiros optaram honradamente por não se render, e lutaram com bravura até a munição acabar e serem, após horas de combate, mortos pelos alemães. A coragem dos brasileiros foi tamanha que o comandante nazista mandou enterrá-los e posicionou sobre a cova uma placa com o escrito “Drei Brasilianische Helden”, “Três Heróis Brasileiros“.

Em um país como os EUA seriam heróis conhecidos e mostrados como exemplos nas Escolas. No Brasil foram esquecidos e, acredito que a maioria dos professores de história brasileiros sequer ouviu falar dos 3 heróis mineiros e, se ouviu não deu bola, nada que não venha de Marx lhes importa.

Mas por incrível que o pareça há uma música, Rock Heavy Metal (eu curto) de uma Banda Sueca chamada SABATON, que conta a história e homenageia os 3 brasileiros (vejam os suecos conhecem nossa história, nós não). A música se chama SMOKING SNAKES (Cobras Fumantes, em alusão ao símbolo da FEB). Abaixo coloco o link para um vídeo com a música.

Um detalhe que pode passar desapercebido no final do vídeo. Aparecem um soldado alemão e um oficial alemão reprendendo o soldado por ter enterrado os brasileiros. É uma ficção pois os alemães contaram depois de rendidos que foram os oficiais alemães, reconhecendo o heroísmo dos brasileiros que mandaram sepultá-los. Mas no vídeo o oficial ao final prende o soldado e o ameaça de Corte Marcial dizendo você é igual a eles. O soldado responde, em português, ‘não sou não, eles são heróis’.

O fato de um soldado alemão falar português é outra passagem de nossa história que desconhecemos. Centenas de jovens, filhos e netos de imigrantes alemães forma estudar e trabalhar na Alemanha pouco antes da guerra. E lá quando do início do confronto foram incorporados, à força ou voluntariamente, as tropas do Reich. Outros tantos brasileiros foram enviados por suas famílias para lutar pela Alemanha antes do Brasil entrar na guerra.

Tínhamos brasileiros lutando do lado alemão também. Certos ou errados eram brasileiros, é nossa história, temos de conhece-la. Muitos voltaram para casa depois da guerra e aqui viveram até sua morte. Perto da casa de meu avô vivia um destes soldados, o conheci através de meu avô. Eram amigos apesar de terem lutados em lados opostos na guerra.

Mas nada, nada mesmo, macula o heroísmo dos três mineiros: Geraldo Baêta da Cruz, Geraldo Rodrigues de Souza e Arlindo Lúcio da Silva. Hoje, mais que nunca precisamos de seus exemplos.

Precisamos de Líderes e de Heróis!

Espero que curtam a música no vídeo abaixo.

4 pensou em “HERÓIS ESQUECIDOS

  1. Nunca soube disso, mas acredito que não houve registro por parte do exército, isto é, a história deveria ser relatada, mas ressalvo que se foi, realmente, ficou distante das salas de aula

    • Meu caro professor Maurício, a área de humanas foi tomadas por canhoteiros que tem como heróis somente quem tem por distintivo a foice e o martelo. Eles falam sobre, Maringhella,o porco The Guevara, Allende, Dilma “Roscof” e tantos outros “eróis” das esquerdas. Por isso é que a grande maioria do nosso povo, sequer tomou conhecimento dos soldados, Geraldo Baêta da Cruz, Geraldo Rodrigues de Souze e Arlindo Lúcio da Silva.

  2. No RJ temos o monumento aos pracinhas inaugurado em 1959.

    Em Brasília não foram capazes de destacar um único pracinha no horrível Panteão dos Heróis nacionais feito em 1986 por Niemayer, já dentro de um esquema socialista de poder.

    No tal Panteão tem lugar para Brizola, Arraes, Ulisses Guimarães, Tancredo, Zumbi. Só não cabem os pracinhas.

    Uma pena

  3. Olá Rodrigo,Livre Pensador

    Muito bom o seu texto, que traz verdades sobre o triste tratamento que damos a nossos bravos heróis, não só estes três valentes, mas todos os demais que morreram ou, se sobreviveram colocaram suas vidas em risco e voltaram a duras penas, quando não com graves sequelas, muitos aleijados e om a mente em frangalhos,

    Certa vez vi nesta ótima Besta Fubana um vídeo de uma cerimônia cívica lá em Montese, na Itália, onde crianças de uma escola, uniformizadas, cantavam, diante de uma enorme bandeira da nossa pátria, a canção do Expedicionário, segurando bandeirinhas do Brasil e da Itália, homenageando assim o nosso Exército Brasileiro.

    Fiquei admirado, feliz e um pouco envergonhado, pois nunca vi nada disto em nossas escolas, nem mesmo no dia do Expedicionário, que sempre passa sem que alguém lembre, exceto talvez os pracinhas remanescentes, cada vez menos numerosos.

    Também os nossos políticos, tão eficientes na gastança, não lembram de quem merece ser lembrado e homenageado, uma vez que morto não vota e patriotismo não rende.

    Vamos sempre que possível procurar avivar a memória de nosso povo para as pessoas realmente importantes na nossa história e na nossa vida. Seu belíssimo artigo é um ótimo exemplo. Parabéns.

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