HERÓIS DE GUERRA

Há fatos reais que enobrecem a raça humana, exemplos concretos contra as pusilanimidades dos descuecados que se urinam todos diante dos travestidos de donos do pedaço, borrando-se todo nas calças diante das ordens fétidas dos chefetes mequetrefes mal encarados. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando da instalação dos criminosos do III Reich no poder, um jovem dinamarquês, Knud Pederson, de apenas 15 anos, juntamente com seu irmão e mais um punhado de colegas, resolveu enfrentar os nazistas, diante das subserviências cagônicas dos dirigentes patrícios. E fundaram o Clube Churchill para enfrentarem os assassinos comandados por Adolfo Hitler, ajudando, pelo exemplo de heroísmo, a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca. Toda a epopeia dos adolescentes foi registrada em livro, no Brasil sendo editado sob título OS GAROTOS DINAMARQUESES QUE DESAFIARAM HITLER, Phillip M. Hoose, São Paulo, Vestígio, 2020, 222 p.

A história do livro acima é digna de ser lida e contada. No verão de 2000, o autor Hoose, fazendo um tour de bicicleta pela Dinamarca, fez uma visita ao Museu da Resistência Dinamarquesa, em Copenhague, capital do país. Em um dos cantos do museu, ele deparou-se com uma mostra denominada O Clube Churchill, contendo fotos, narrando a história de um grupo de adolescentes dinamarqueses da cidade de Odense, a terceira cidade do país, que promoveram uma heroica resistência ao truculento regime nazista.

Durante a visita de Hoose ao Museu, o curador do museu lhe informou que alguns dos meninos – agora idosos – ainda continuavam vivos, inclusive Knud Pedersen, o mais conhecido e o mais bem informado de todos sobre a resistência praticada pelos jovens e que atualmente o antigo resistente adolescente administrava uma biblioteca de artes no centro da cidade. E o próprio curador forneceu o e-mail do Pederson. Em setembro de 2012, o autor e sua senhora desembarcavam em Copenhague, para conhecer Pederson e iniciar uma série de entrevistas gravadas, narrando os feitos da resistência heroica acontecida.

A invasão da Dinamarca aconteceu em 9 de abril de 1940, quando, ao final da tarde daquele dia, 16 mil alemães já se haviam implantados em solo dinamarquês, prometendo dias melhores para todos, anestesiando muitos comerciantes, inclusive em Odense, onde cretinos vibraram muito em vender cerveja e tortas às tropas invasoras.

Embora pequena, a Dinamarca era muito valorizada pelo regime nazista, pois dispunha de uma malha ferroviária de primeira qualidade, que serviria para transporte de minério de ferro da Noruega e da Suécia, indispensável para fabricação do arsenal bélico do III Reich. Além disso, Hitler enxergava o povo dinamarquês como uma gente perfeitamente inserida na raça superior, imaginando a Dinamarca como uma sócia-fundadora de uma elite governante mundial.

Em Odensen, no entanto, um grupo de jovens, leitores diários de jornais, tomavam conhecimento da invasão também havida na Noruega, onde milhares de noruegueses foram barbaramente assassinados pelos nazistas, lá tendo sido implantada férrea censura aos meios de comunicação. Mas os noruegueses continuavam bravamente resistindo, diferentemente dos principais dirigentes públicos dinamarqueses, o rei Christian X e o primeiro-ministro Thorvald Stauning, que tinham se subordinados mediocremente à dominação. Tais notícias despertaram os ânimos dos adolescentes na direção da promoção de estratégias de também resistir aos assassinos invasores, muito envergonhados das suas autoridades públicas.

A leitura do livro é deveras sedutora, e também restauradora, para todos aqueles que se imaginam sem esperança nos amanhãs de uma humanidade alienada e que facilmente adere às ideologias mais esdrúxulas, histórica e amplamente superadas. E que se queda docilmente aos ditames de demagogos e populistas rabos de cabra, incultos e ananzados, capitães que jamais serão generais nas reestruturações planetárias democráticas exigidas pelas atuais circunstâncias históricas.

Os testemunhos acerca dos acontecidos valem a pena ser registrados neste canto de site:

“Esses adolescentes arriscaram tudo – e perderam muito. Esta eletrizante obra de não ficção vai agitar os corações de leitores de todas as idades.” (The Wall Street Journal)

“Um poderoso testemunho dos atos de bravura desses jovens, que se arriscaram a vida pelo seu país.” (The Washington Post)

“Uma notável história real, contada com primor.” (Kirkus Reviews)

Na contra capa uma panorâmica: “Batizando seu clube secreto com o nome do impetuoso líder britânico, os jovens patriotas do Clube Churchill cometeram incontáveis atos de sabotagem, despertando a fúria dos alemães, que acabaram identificando e prendendo os garotos. Mas seus esforços não foram em vão: as façanhas do clube e a captura dos seus membros ajudaram a desencadear uma resistência generalizada na Dinamarca.”

O autor Hoose desenvolve, no livro, uma sedutora metodologia: intercala sua própria narrativa com as memórias pessoais de Knud Peterson, que conta a história inspiradora de um grupo de jovens heróis de guerra.

Vale a pena rememorar heroísmos para execrar frouxidões e disenterias cívicas, morais e religiosas em um mundo há décadas muito apalermado por hedonismos e individualismos terrivelmente viróticos.

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