ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Profundamente solitário desde a mais tenra infância, o sentimento de inadequação ao mundo que nos cerca sempre me acompanhou durante toda minha vida. Desde o início até os dias presentes.

O nome que as pessoas davam (e dão) a esse tipo de gente variou muito ao longo desses anos todos (“Misfit”, “Outsider”, “freak”, “runaway”, e por aí segue), mas o conceito sempre foi o mesmo: pessoas que, ao contrário da maioria, preferem visceralmente a solidão à balbúrdia de incontáveis vozes balbuciando platitudes e imbecilidades. Pessoas para as quais o termo idiota (idios = o mesmo) se aplica com perfeição à maioria absoluta das pessoas que o cercam.

Assim, desde cedo preferi a companhia dos livros à das pessoas. Só assim me punha em contato com pessoas iluminadas de outras eras e lugares. Pessoas com as quais, de outra forma, eu muito dificilmente teria contato.

Logo me dei conta de fazer parte de uma confraria especialíssima daquelas raras pessoas para as quais, ao contrário de todo o restante da humanidade, a busca pela sensação de “belongness” não fazia nenhum sentido. Pessoas marcadas com o “sinal de Caim”, segundo as palavras de Herman Hesse.

Por falar nele, a grande descoberta da adolescência, além de músicas absolutamente maravilhosas, foi a leitura do livro “O Lobo da Estepe”. Para aqueles que tiverem interesse em conhecer esta obra magistral, basta clicar na imagem abaixo: 

Daí para a frente, a trilha musical de minha vida se desdobra. Primeiro, os Beatles:

NOWHERE MAN

Em seguida, as pungentes canções de Paul Simon e Art Garfunquel:

THE BRIDGE OVER TROUBLED WATERS

De todas, creio que a grande “descoberta” tenha sido a belíssima poesia de Jim Croce, precocemente falecido, exatamente quando conquistava corações e mentes de toda uma geração.

I GOT A NAME – Jim Croce

Junto com o “menestrel maldito”, Bobby Dilan, com sua descrição perfeita da minha estranha psicologia.

IT AIN´T ME, BABY

No meio do caminho, a “descoberta” das sublimes músicas de Charles Aznavour.

JE N’AI RIEN OUBLIÉ

E agora, já na reta final, o grande Paulinho da Viola expressa de maneira soberba o sentimento que me domina.

NOVOS RUMOS

ALLWAYS LONELINESS

As I´ve mentioned thousands of times…
I´m ALONE!
Deeply and miserably… Alone!
From the moment I was born, to the moment I will die… Alone!
The bigger is the crowd, the deeper is my loneliness.
No matter how hard I try,
Pretending and cheating myself that I have something in common
With this ugly people that surrounds me.
The maximum of sympathy I can reach,
Even using all the strength of my mightier will power,
Is to stand their bad smell of cheap perfumes,
Is to bear poker face to their bad manners and ugly faces,
Is to stay idle in front of paroxysms of stupidity,
Is to keep my mouth shut
And stay quiet without saying a word.

Teresina – Piauí
11/07/2009

P.S. Peço desculpas a todos os colegas fubânicos que não falam ou entendem inglês ou francês por ter escrito esta crônica quase toda nestas línguas. É um desabafo intimista para o qual espero contar com a compreensão de todos. Tentei encontrar as músicas legendadas, mas infelizmente, não as encontrei todas. Bom domingo!

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