A PALAVRA DO EDITOR

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu ontem (12/ago/19) políticas de liberalização econômica e pediu paciência para que as reformas comecem a mostrar resultado na recuperação do país.

“Dê um ano ou dois, dê um governo, dê uma chance de um governo de quatro anos para a liberal-democracia. Não trabalhem contra o Brasil, tenham um pouco de paciência”, disse Guedes durante um seminário sobre a Medida Provisória da Liberdade Econômica (MP 811/2019) no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Em sua fala, Guedes fez uma longa defesa de políticas liberais contra o “atraso cognitivo” que, segundo ele, nos últimos 30 anos de social-democracia, levou o Brasil de uma economia dinâmica à estagnação. “Espera quatro anos, vamos ver se melhora um pouco, nos deem chance de trabalhar também”, afirmou.

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Tá bom, Paulinho, seremos pacientes.

Mas quanto tempo devemos esperar? Vinte anos? Cinquenta anos? Antes disso o país acaba. Isto é: teremos uma convulsão social.

Mas você não verá isto acontecer porque vai para casa curtir seu fracasso em dezembro de 2022. Você será o único culpado pela derrota de Bolsonaro nas próximas eleições e o responsável pelo retorno da esquerda demagógica ao poder. Isso não te preocupa?

Não venha dizer que nossos problemas foram causados pela “social-democracia” pois nunca tivemos isso no Brasil. Social democracia é coisa de país desenvolvido. O que tivemos por aqui foi uma cleptocracia incompetente, inclusive graças a neo-liberais como seus amigos Nelson Barbosa, Joaquim Levy e Henrique Meirelles, que jogaram a pá de cal na economia no final do governo Dilma/Temer.

Veja o mal que sua teoria econômica rasteira e medíocre está causando ao país. Seu credo que o “Deus Mercado” libertará o espírito empreendedor dos brasileiros e trará a prosperidade não passa de um mito. Esse Deus Mercado não existe. Fazer uma pajelança para que investidores estrangeiros venham promover nosso desenvolvimento é também mais um culto pagão sem resultados práticos. Eles vêm, sim, mas para comprar o que já está construído, nossa infraestrutura energética, nosso petróleo já descoberto, etc. Não vão botar um tostão para criar coisas novas. Empreendedores investem para explorar mercado, não para criar mercado. Simples assim. Quem cria mercado é o Estado. Não te ensinaram isso lá em Chicago? Ou você faltou a aula nesse dia?

Se você conhecesse um pouco de economia política (e um pouquinho da história do Brasil) você saberia que sem o Estado como indutor não há desenvolvimento. Desafio você a mostrar ao povo brasileiro um país no mundo (basta um único país) que tenha se desenvolvido sem forte atuação do Estado como indutor e protetor das atividades econômicas.

Durante o período militar, mesmo com a forte influência liberal de Roberto Campos, os governantes perceberam que nada poderiam esperar da iniciativa privada e saíram criando empresas estatais para suprir o país da infraestrutura tão necessária. Não Paulinho, os milicos não eram socialistas ou comunistas. Eram de direita, mas não eram burros. Entenderam que o Estado cria o mercado e depois a iniciativa privada vem atrás para explorar este mercado. É (foi) assim no mundo todo.

Você viu o que aconteceu na Argentina ontem? (12/ago/19) É a esquerda demagógica preparando sua volta ao poder. Eles estão dizendo: “estamos aqui para limpar as atrocidades cometidas pelos liberais”. Não vão limpar nada, mas eu entendo o raciocínio dos Argentinos: melhor um ladrão que traz o desenvolvimento que um honesto que só trouxe a bancarrota.

Essa desgraça vai acontecer porque seu amiguinho Maurício também comunga pelo mesmo credo do Deus Mercado. Ele “arrumou a casa” acabando com subsídios absurdos, restaurando a confiança nos índices de inflação entre outras medidas saneadoras. Tal como você está fazendo com a reforma trabalhista, a reforma fiscal, a desburocratização, etc. Estas são medidas necessárias, mas não suficientes para alavancar o desenvolvimento. O fato da casa estar arrumada não faz que investimentos caiam do céu como um maná moderno.

Noto que sua amiga, Míriam Leitão, escreveu um artigo no GLOBO em seu apoio dizendo que a Argentina é diferente do Brasil. Não Paulinho, o efeito Orloff existe de fato. A Argentina de hoje é o Brasil de amanhã. Se as políticas neo-liberais são as mesmas, o efeito será o mesmo. Esta é uma regra científica.

Sugiro que você leia um pouco sobre economia. Que tal começar pelo básico? Recomendo o livro Sistema Nacional de Economia Política, publicado em 1841 pelo economista alemão Friedrich List. É bem primário, mas depois deste posso indicar outros autores mais modernos.

Espero que você se instruindo possa entender que um país não é uma corretora de valores mobiliários, que macro-economia é muito diferente de micro-economia. Recomendo também um pouco de humildade para copiar o que está dando certo nas economias da China, Coreia do Sul e Índia. Copiar não é motivo de vergonha. Não pense que você é mais inteligente que os orientais. Esqueça Chicago e copie descaradamente o que eles estão fazendo.

Faça isso pelo bem do Brasil ou, pelo menos, para seu próprio curriculum.

Saudações angustiadas do Dinossauro

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