CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

O tempo passa e para aperrear a humanidade, transfere as pestes, além do avanço da tecnologia e dos conhecimentos, para a posteridade. Tem sido essa a rotina ao longo dos séculos. Situação adversa que preocupa a ciência, mas, por outro lado, estimula os cientistas a se infiltrar nas pesquisas para combater as epidemias que forem surgindo. E na maioria das vezes, os resultados científicos têm sido satisfatórios. Os êxitos são frequentes.

A primeira notícia sobre o aparecimento de uma pandemia, aconteceu na Europa do século XIV. A Peste Negra, também conhecida como Peste Bubônica, foi de lascar. Matou gente à vontade. Deu enorme baixa na população da época. Exagerou nas mortes.

Registra a história que a quantidade de óbitos causado pela Peste Negra pode ter chegado a 200 milhões de pessoas na Eurásia. Um terço da população da Europa. O grosso da mortalidade ocorreu justamente na parte formada pelo conjunto dos continentes europeu e asiático. O pico dessa peste ocorreu entre os anos de 1347 e 1351.

Aliás, contam os historiadores que foi justamente nesse período que ocorreram diversas crises. As mais conhecidas foram o aumento da violência, as alterações climáticas, a fome e as revoltas.

O surto da Peste Negra foi exagerado. A doença era transmitida pelo contato do homem com as pulgas. Os diminutos insetos voadores, por se alimentarem do sangue de mamíferos e aves, transmitiram a doença.

Devido à facilidade de contaminação, o surto dessa pandemia desaconselhava a aglomeração de pessoas, inclusive nos enterros. Os ricos, em especial, se distanciavam do convívio social, priorizando o isolamento.

No entanto, o novo coronavírus não tem sido menos violento. Por onde passa, o Covid-19 pinta miséria. Transmitido através de gotículas, e como são pesadas, não giram no ar. Ficam depositadas nos pisos ou em superfícies.

Mas, de todas as epidemias, uma das mais torturantes foi a gripe espanhola. Essa, foi de arrasar. No espaço de três anos, de 1918 a 1920, infectou mais de 500 milhões de pessoas, um quarto da população mundial da época. Cerca de 50 milhões de vítimas foi a óbito.

O estranho é o nome atribuído à gripe. Gripe espanhola. A Espanha, na Primeira Guerra Mundial, era um país neutro. Os Estados Unidos, para não alvoroçar a população e os soldados, censuravam qualquer notícia a respeito da doença. No entanto, como a imprensa espanhola deitava e rolava no noticiário da doença, a frequência dos noticiosos resolveu batizar a doença como gripe espanhola.

A gripe espanhola foi tão violenta que é chamada de a mãe das epidemias. A origem da doença pode ter acontecido pela mutação do vírus da influenza. Vinda provavelmente das aves para as pessoas. Aliás, duas pandemias foram originadas pelo vírus influenza H1N1. A gripe espanhola e a gripe suína, datada de 2009.

Como no mundo fervia a Primeira Guerra Mundial, no instante a pandemia da gripe espanhola se espalhou. Todavia, foi nos Estados Unidos onde surgiram os primeiros casos. Pelo menos, a primeira pessoa contaminada foi o soldado cozinheiro Albert Gitchell que, imediatamente, contagiou milhares de soldados do Fort Riley.

A partir do envio das tropas norte-americanas para combater na Europa, o contagio foi se irradiando. A gripe espanhola existiu em três fases. A primeira, foi branda. A fase mortal da gripe espanhola foi a iniciada no começo de 1919. Contudo, a segunda onda, principiada em agosto de 1918, foi a mais contagiosa.

Da mesma forma que o Covid-19, a gripe espanhola forçou a proibição de aglomerações. A recomendação era pelo isolamento social. O comércio sofreu consequências. Muitas lojas fecharam as portas, inclusive os correios passaram a atrasar a entrega de correspondências. Motivo, falta de funcionários porque caíram doentes.

Os funcionários pobres sofreram na pele. Como não havia legislação trabalhista em vigor, os trabalhadores tiveram de amargar redução de horário de trabalho e o consequente rebaixamento de salário.

O novo coronavírus foi divido em quatro etapas: epidemia localizada, aceleração descontrolada, desaceleração e controle. Pela quantidade de internações e óbitos, muitas regiões do Brasil passam pela fase aceleração.

Entretanto, após a passagem da pandemia, o mundo terá de se renovar nas atitudes, costumes e modos de trabalhar. Lançar novos métodos de funcionamentos, bem mais aperfeiçoados. O tempo dirá a necessidade de mudanças.

Deixe uma resposta