GRÉCIA

Em 2010, sem alternativas, a Grécia caiu em desgraça. Desesperado com a dívida pública que só fazia crescer, que na época ultrapassava a casa de 200 bilhões de euros, enquanto a arrecadação despencava e o risco da moratória circundava pelos ares gregos, o país entregou os pontos. Reconheceu ter sido vencido pela crise da economia e das finanças.

Na tentativa de contornar o embaraço e aconselhado pelo FM e a União Europeia, a Grécia, cujo governo era criticado internacionalmente, adotou antipáticas medidas de austeridade. Programou controlar os gastos públicos, excessivos, resolveu congelar o salário de servidores de empresas do governo e estudou demitir em massa a quantidade de funcionários de empresas estatais.

No entanto, revoltada com as prometidas decisões que seriam implementadas, a população radicalizou contra a redução do salário, o aumento de impostos, a inflação que começava a incomodar, o corte de crédito, o fechamento de bancos durante sete dias corridos, a limitação de saques a no máximo 60 euros diários e, sobretudo, com o plano de privatização preste a vigorar.

Sem perder tempo, o povo ganhou as ruas para protestar. As manifestações realizadas de modo violento, geraram conflitos entre a polícia e manifestantes, cujo resultado findou em mortes. Até parece que o brasileiro já viu este filme, algumas vezes, pois fatos semelhantes rolaram e acontecem por aqui. Com as mesmas características.

Todavia, acontece que a ajuda financeira, os vultosos empréstimos concedidos ao governo grego só fizeram atrapalhar os planos. O impacto das fortes medidas repercutiu negativamente. Travou a economia, encolheu. A atividade produtiva recuou por causa da recessão. O PIB desmoronou de 5% obtido em 2004 para apenas 0,14% em 2014. Os negócios enfraqueceram drasticamente em função de retração, impondo a taxa de desemprego atingir a temerosa marca de 26,5%. Deixando, enfim, mais da metade da população jovem desocupada. Curtindo estressante ociosidade.

Nos nove anos de intensa luta, a Grécia ainda sofre as consequências. Nem as ajudas financeiras foram suficientes para vencer a dura crise. Apesar de se tornar viável, a dívida deixou marcas profundas.

A população, obrigada a cortar despesas no lazer e nas compras necessárias para levar uma vida confortável, perdeu a confiança no governo. Depois, então que a dívida pública subiu para mais de 100% do PIB, a rígida reforma nos impostos, na aposentadoria e no salário do servidor, fez o caldo entortar mais ainda.

Hoje, atribui-se a tormenta sofrida pela Grécia aos erros econômicos cometidos por diversos gestores públicos e pela maldita herança do capitalismo, que temendo calotes, sugou os recursos gregos até enquanto pode. Os governos gastavam mais do que os cofres públicos conseguiam arrecadar. Não combateram a corrupção com punhos de ferros. Não impediram a evasão fiscal. Não evitaram a economia encolher.

Adotar medidas de austeridade é fácil, basta ter a caneta na mão. Mas, recuperar a economia, na sua plena atividade é dificílimo. Cortar gastos públicos não custa nada, porém cumprir a promessa, fechar a mão é outra coisa completamente diferente.

O ato mexe com a vaidade e o egoísmo pessoal. Afinal, nem todos os gestores tem coragem para tomar audaciosas medidas. Por outro lado, é mais lucrativo aumentar impostos do que promover reformas na política, na área tributária, na previdência e no mercado de trabalho. É realmente duvidoso porque chega a tirar o sono das autoridades que não tem aquilo roxo.

A experiência que a Grécia sofreu com a crise de economia e finanças foi dolorosa. Além do povo enfrentar duradoura depressão, ainda teve de amargar outros graves problemas. Com a força de trabalho desempregada, as demissões, as greves gerais, o tesouro saqueado, o corte de salário e pensões, o penhor de moradias, o grego penou demais. O esgotamento mental, o abatimento físico abateu o grego por várias gerações. Levou muita gente ao suicídio.

Todavia, o importante é que a tormenta passou. A Grécia respira mais aliviada, depois de atravessar uma fase penosa de estabilidade econômica. Afinal, o pior já passou. Após nove anos de completa baixa, vencido os efeitos dos destruidores ciclones, para 2018 as estimativas apontam que a economia cresceu a uma taxa de 2,8%. Foram nove anos de braba recessão. Tempos de tristezas e sofrimento em virtude das duríssimas medidas de austeridades comandadas pelos seus credores.

O ruim é que os últimos acontecimentos gregos parecem um ato de déjá vu. O curioso é que outros povos vivenciaram, passaram por semelhantes e nebulosas atitudes. De rachar o cano. Sem tirar nem por. Parecendo comer farinha do mesmo saco.

O certo é que apesar dos sofrimentos, o povo grego pode servir de exemplo para os brasileiros. Com sacrifícios, soube superar os entraves verificados nas questões previdenciária e no problema fiscal.

Na questão previdenciária existe semelhança entre a Grécia e o Brasil. Os dois países são pareia. É a população jovem que sustenta os velhos aposentados e mais da metade da aposentadora feminina passa a valer com menos de 55 anos.

Os gregos também reclamam da falta de mão de obra qualificada, a taxa de desemprego beira os 18%, em função da carência de bons programas educacionais e a enorme dificuldade para atrair investimentos.

Tomara o Brasil encontre luz para iluminar a sua trajetória favorável nesta nova jornada. De modo a trilhar novos caminhos daqui pra frente. É fé na cabeça e força nos pés para desbravar novos horizontes.

6 pensou em “GRÉCIA

  1. Prezado Carlos, em 2010 a Grécia pagou porque sonhou que estava de volta ao tempo de Alexandre o Grande, ou quando foi o berço da civilização ocidental na filosofia e nas artes.

    Um país com uma economia menor que a do RJ achou que podia gastar sem medo de ser feliz. Até uma Olimpíada sediou (aquela em que um brasileiro foi retirado por um padre irlandês no final da Maratona).

    Caiu e teve que se ajoelhar diante dos credores e teve que cortar gastos públicos, o que, ao contrário do que v. diz; não é fácil. Não basta apenas ter uma caneta na mão, pois atrapalha o interesse corporativista justamente de quem tem que votar.

    O Brasil passa por situação semelhante, porém a recessão da Grécia foi pior.

    Mas a solução apesar de não ser fácil conseguir passa por austeridade nos gastos públicos, investimento em educação e recuperação de credibilidade em relação ao mercado, que não é um bicho papão, um ente demoníaco e sim a mão invisível que rege todas as economias e da qual fazem parte todos os cidadãos.

    • Caro João Francisco a sua versão sobre a Grécia é válida, especialmente quando se reporta à austeridade que os gregos impuseram para a solução de seus problemas. .Arrocho nos gastos públicos, investimento em educação e sobretudo no que diz respeito sobre a recuperação da credibilidade. Boa lição para o Brasil, acostumado a gastar à toa, sempre. .

  2. Com a esquadra que trouxe o primeiro governador geral do Brasil, veio junto, dezenas de funcionários da coroa que deram início a uma casta de privilegiados,corporativistas é voraz em suas reivindicações, isso perdura até hoje, nenhum político tem aquilo roxo para enfrentar esse ranço brasileiro. Possivelmente, se não criarmos juízo, chegaremos nas mesmas condições enfrentada pelos gregos.

    • Caro Paulo Terracota é justamente isso que falta na cabeça do brasileiro. Juízo para terminar enxergando a luz no fim do túnel e sair do buraco.

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