A PALAVRA DO EDITOR

Até a Segunda Guerra Mundial, a fome era um seríssimo problema que afetava a população. Os países que mais sofriam com a falta de alimentação eram localizados na parte sul do Deserto do Saara e na região da Ásia Meridional.

Para escapar da desgraçada fome, a Guerra, além de matar gente à beça, prestou excelente ajuda à humanidade. Desenvolveu a tecnologia, descobriu sementes de plantas realmente germinativas, avançou na produção de fertilizantes para combater pragas, inovou na plantação de cereais e tubérculos.

O início da agricultura aconteceu de fato há 12 mil anos com as primeiras civilizações. O local onde surgiram as primeiras práticas agrícolas ficava nas áreas férteis banhadas pelos rios do Oriente Médio. Depois que o homem enjoou viver somente da caça e da pesca, resolveu partir para outra atividade. Topou com a agricultura e se apaixonou.

Porém, insatisfeito com as limitações de terras disponíveis, o homem prosseguiu nas pesquisas até achar novos métodos de administração rural. Os estudos permitiram avançar no emprego da irrigação e na utilização de implementos agrícolas. O resultado acabou no lançamento de plantadeiras e colhedeiras para substituir a falta de mão de obra especializada na agricultura.

Com o andar da carruagem, o agricultor acabou lançando uma espécie de revolução, intitulada a Revolução Verde. A base da Revolução Verde concentrou-se na descoberta de variedades de sementes e de práticas agrícolas que deu aquele gás na produção agrícola e expandiu a colheita de alimentos ao redor do mundo, a partir da década de 1960.

Foi graças à atitude do pesquisador norte-americano Norman Borlaug na pesquisa do trigo, iniciada em 1930, que a evolução no campo engrenou rápido e partiu para novas batalhas. Uma delas, a da resistência aos contratempos. Com isso, descobriram que as variedades da planta tornavam o trigo mais resistente às doenças. A solução para vencer as barreiras foi a descoberta das sementes transgênicas que permitiu avançar na produtividade.

De repente, de importador de trigo, o México passou a ser autossuficiente na plantação da gramínea. Atualmente, o trigo é o segundo cereal mais cultivado no mundo. O campeão é o arroz, tendo o milho como o terceiro cereal mais plantado em todos os continentes.

A agricultura no Brasil deu os primeiros passos foi no Nordeste, com a implantação das Capitanias Hereditárias. Era o século 16, quando começou o cultivo da cana de açúcar. A base da atividade agrícola brasileira foi baseada em três pilares. Monocultura, mão de obra escrava e grandes latifúndios.

Até a década de 50, o Brasil não passava de um simples importador de alimentos em função da precária prática agrícola. A soja, atualmente a rainha do agronegócio nacional, era desconhecida. O trabalho no setor, era puramente braçal. Pouquíssimas fazendas tinham máquinas agrícolas. Na época, a tradição mandava usar enxada, pá e foice. Tecnologia no campo e fertilizantes eram palavrão. Sonhos futuros.

A ineficiência predominava na lavoura. Máquinas agrícolas só na fazenda de doutô. Casas de farinha eram simples e imperfeitas para a produção. A ordenha era manual. Enfim, no campo predominava a precariedade, muitas vezes, a improvisação. Coisa de louco.

As mudanças começaram a surgir durante a década de 1960/70. Neste período, aconteceram três positivas inovações. A urbanização, a industrialização e o crescimento econômico. Porém, fraquinha, a agricultura permanecia inexpressiva. Fomentava a importação de grãos. A pobreza imperava na zona rural.

O empurrão veio com a mudança de políticas agrícolas, no ano de 1980. Governos investiram em pesquisas e desenvolvimento, em extensão rural e crédito subsidiado para aumentar a produção e a produtividade.

Estimulados com as iniciativas, produtores rurais começaram a empreender. O agronegócio tomou fôlego. Com a abertura comercial de 1990, as exportações foram dinamizadas.

Em 2016, o agronegócio registrou forte participação no PIB nacional. Marcou 26,6% no Produto Interno Bruto Nacional. Deu um grande salto, iniciado em 1990. O feito, representou quase a metade do saldo comercial das exportações do país, empregou 19 milhões de pessoas no campo. A inclusão do feijão e da soja nas vendas externas do arroz, milho e trigo foi providencial.

Em 40 anos de exploração do agronegócio, o Brasil pulou da categoria de simples importador de alimentos para se tornar um fantástico exportador de grãos para o mundo. A notoriedade começa na produção. Ocupa a terceira posição, depois da China e dos Estados Unidos.

O Brasil é sortudo. As exportações de grãos são crescentes, apesar das estiagens. No entanto, graças à tecnologia em evolução e as terras em disponibilidade, o cerrado em extensão, os estados que mais produzem grãos no país são Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Para a safra de grãos de 2020/2021, a previsão é de 265,9 milhões de toneladas. Uma representativa colheita, está prestes a se realizar.

E se de tato a estimativa se concretizar, estiver dentro das projeções do Ministério de Agricultura, confirma os estudos a indicar que o agronegócio brasileiro tem tudo para deslanchar nos próximos anos.

As estimativas são maravilhosas. Na próxima década, caso não ocorram acidentes políticos, o país se manterá como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos para o mundo, ao lado dos EUA. Nas vendas de frango para o exterior, será um líder.

Outro benefício para o país, será o incremento do mercado interno no consumo de grãos. Entre 2029/2030, 50,4% da produção de soja será para abastecer apenas o mercado interno. No milho e no café, o consumo será maior, respectivamente 69% e 56,6%. Outro dado significativo das estimativas. Em 2030, segundo as projeções, 52% das exportações de soja no mundo, serão brasileiras.

4 pensou em “GRÃOS

  1. Uma pequena, mas importante correção.

    O Brasil é o terceiro maior produtor de grãos do mundo. Perde para os EUA e A China. Em produção e exportação de soja é o 1º e na exportação de grãos em geral é o 2º.

    Até 2030 estima-se haverá um incremento de 50% na produção de grãos, enquanto EUA e China ficarão estagnados, alavancado o Brasil para 1º lugar na exportação de grãos, ficando com 1/3 do mercado. Isso tudo sem cortar uma árvore da Amazônia.

    Temos uma oportunidade de ouro pela frente. É só deixar Bolsonaro trabalhar e não deixar a esquerda voltar ao poder. Vide Argentina.

  2. Caro João Francisco sua correção foi fantástica. É isto mesmo que deve acontecer no futuro, com a produção de grão brasileiro, salvo se não tocarem fogo na plantação de soja. Boa observação.

  3. Carlos, você afirmou que a guerra, além de matar gente a beça, retirando desse mundo milhões de bocas consumistas, também, prestou excelentes ajuda para a humanidade. Uma perguntinha que não quer calar, por acaso, você perguntou aos milhões de mortos e as suas famílias se eles ficaram felizes em prestar esse inestimável serviço e ajuda para o progresso tecnológico ?

  4. Caro Paulo Terracota, contra a ganância humana não se pode lutar. Mesmo por cima de pau e pedra, embora trucidando pessoas o homem vai à luta, pensando em vitórias. As guerras matam gente à beça, mas avançam em tecnologia para favorecer os que permanecem vivos.
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