CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Ainda bem que a teoria não se casa com a prática. São diferentes na maneira de agir. Por isso o mundo é diferente. Embora haja conflitos, hipocrisia encobrindo verdades e falsificação de ideologias.

Como surgiram muitos disfarces no modo de governar uma nação, a política estabeleceu formas de governo. Adotou regimes para comandar a sociedade, dirigir um povo, controlar a economia.

Então, ao longo da história aconteceram transformações políticas. Feudalismo, Absolutismo, monarquias e ditaduras.

Aristóteles, na sua clareza de definir as ideias, foi direto ao ponto. Classificou as formas de governo sob três parâmetros específicos. Monarquia, oligarquia, democracia.

Monarquia representa o governo de um só mandatário. Cabe ao monarca governar o país, como chefe de Estado. A transmissão de poder neste sistema ocorre por hereditariedade. Passa de pai pra filho de maneira vitalícia.

A oligarquia é definida como o poder exercido por um privilegiado grupo de gestores. A transmissão de poder geralmente é obtida por linhagens sanguíneas. Na prática, trata-se de detonar corrupção no meio aristocrático. No Brasil, no período entre 1894 e 1930, rolaram sinais de concentração de poder.

Na aristocracia rural surgiu a fase do coronelismo. Grandes latifundiários ostentavam a patente de coronel para comandar com enormes poderes os seus agregados que obedeciam até na época de eleição. Votar no candidato indicado pelo patrão. Era o voto de cabresto.

Das formas de governo, a Democracia é o regime político mais popular. Permite ao indivíduo participar do governo diretamente ou através de representantes eleitos, via voto nas urnas. Cabe aos gestores, em nome do povo, batalhar pelo desenvolvimento do país, criar leis, manter a ordem. Democraticamente, o cidadão tem participação direta e ativa nas tomadas de decisões governamentais. Reza a regra.

Pelo menos, o enunciado assegura a garantia de igualdade e de liberdade, já que todos são considerados iguais perante a lei. É a forma de governo mais popularizada no mundo ocidental.

Cada país adota a sua sistemática de democracia. No Reino Unido, reina a soberania parlamentar, dando ênfase à independência judicial. Nos Estados Unidos, prevalece a separação de poderes desde o século dezenove. Na Índia, considerada a maior democracia do mundo, o ponto central é manter a soberania parlamentar sujeita à constituição.

No entanto, independente de ideologias políticas, a democracia se rege sob três princípios fundamentais. Liberdade individual, liberdade de expressão e igualdade de direitos políticos.

A ideia de democracia pintou na Grécia Antiga, por volta de 510 a.C.. O líder progressista, Clístenes, comandou uma revolução contra o tirano que governou Atenas.

No Brasil, a democracia pintou no governo de Getúlio Vargas, entre 1934 e 1937, com breves alternâncias. Tudo começou com a Revolução de 30, que riscou do mapa a República Velha. O regime democrático vigorou até 1964, quando os militares tomaram o poder. Foi instituída a Ditadura Militar que durou até 1980. Foram duas décadas de processo de democratização, até 1984, quando o país, pressionado por crises, econômica, social e política, retomou a marca de republica presidencialista, após a decretação da nova constituição.

Desde 1988, o país vive sob a determinação da Constituição Federal que assegurou ao brasileiro o direto à cidadania, a busca de igualdade e de justiça social. Situações que não foram solucionadas porque os problemas sociais e políticos permanecem enfurecendo o brasileiro com tantos exemplos de corrupção e safadeza.

Sob o manto de total proteção aos corruptos, o Legislativo e o Judiciário envergonham a sociedade. A Justiça mantem debaixo da toga a cambada de corruptos que estraçalharam as finanças brasileiras. Concede-lhes total liberdade para agir, conforme seus critérios.

Embora a democracia seja a forma de governo mais proclamada, o fato é que o brasileiro perdeu a confiança nos políticos e nos governos. Tanto faz ser de direita ou de esquerda. A repetição dos péssimos exemplos de desgovernos, enchem o brasileiro de decepção. Então, calejado de desilusões, o cidadão prefere ficar na dele. Longe da sujeira, assistindo diariamente lamentáveis cenas nas barbas do poder.

O maior vício dos governos populistas é defender os interesses dos capitalistas, enganar a sociedade. O resultado, como sempre, é deixar a democracia (Estado Democrático) totalmente debilitada. Sem condições de se sustentar em pé.

Os exemplos da democracia na Grécia Antiga são claríssimos. As mais importantes decisões excluíam os escravos e os pobres dos seus direitos específicos.

Se bem que nas democracias modernas os parlamentares e governos vivem dominados pelos interesses dos investidores que financiam suas campanhas. Os financiamentos de campanha têm finalidades. Receber apoio no futuro. É a abertura de portas para a corrupção.

O Brasil adota um sistema de democracia indireta. Quem fala pela sociedade nas decisões políticas são os seus representantes eleitos pelo voto nas urnas.

De lá pra cá, a democracia ainda permanece conturbada. Enfrentando crises. Em 2013, o povo, insatisfeito, se manifestou nas ruas contra a desorganização. O transporte público, a saúde, a corrupção e os altos investimentos públicos para o Copa do Mundo de 2014.

Naquele ano a raiva popular era enorme, explosiva. Enfurecida, a multidão carregava cartazes, com os seguintes dizeres: “O povo unido, não precisa de partido político”, “Fora os partidos políticos”.

Atualmente, as agressões entre presidentes viraram rotina. As trocas de farpas de ambos os lados enchem o saco do povo, ansioso apenas por dissipar o nevoeiro carregado de perigosas turbulências que escurece e denigre o cenário do país. A imagem do Brasil no cenário internacional anda manchada. Embora não submissa.

Tá na cara, os maremotos de ataques e defesas políticas tem objetivos determinados. Desviar a atenção da sociedade que só quer encontrar o Norte para colocar o Brasil no seu merecido lugar. Arrumadinho, competente e fortalecido.

Sem endeusar pessoas que se julgam o dono da verdade. Disparando iras para se manter no poder. Esquecendo que o seu tempo passou e o país agora navega em outras marés.

Os absurdos acontecem. Pelo menos, os registros provam. Em 2012, o STF aprovou a Lei da Ficha Limpa. Antigo sonho do brasileiro, descrente e ansioso por mudanças. Porém, a tão propalada transparência ainda não apareceu. Não entrou no contexto político.

Diante de tantas provas de ilegalidade, o que menos funciona é a inelegibilidade. A cassação de mandatos é uma falácia. Todo dia surgem novidades. Mas, os autores são guardados a sete chaves para se livrarem de punições. Permanecerem ativos, praticando os mesmos crimes.

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