A PALAVRA DO EDITOR

Uma das coisas mais curiosas da ascensão da “Nova Direita” no Brasil é a insistência de alguns de seus arautos em distinguir globalismo de globalização. Pessoas como Rodrigo Constantino, Felipe Martins e outros, dão tratos a bola para imaginar uma separação que existiria entre esses dois movimentos: a globalização seria boa, enquanto o globalismo seria ruim.

Vejamos uma curta definição das duas ideologias segundo Felipe Martins:

O globalismo é a ideologia que preconiza a construção de um aparato burocrático — de alcance global, centralizador e pouco transparente — capaz de controlar, gerir e guiar os fluxos espontâneos da globalização de acordo com certos projetos de poder.

Não há, portanto, nenhum motivo plausível para confundir uma coisa com a outra.

A globalização econômica consiste no fluxo global e espontâneo dos agentes econômicos que não só não necessita da interferência de burocratas, como funciona melhor na ausência de interferências burocráticas e é prejudicado por elas.

Como exemplo de ideologias globalistas podemos citar o desarmamentismo, o multiculturalismo, a ideologia de gênero, a liberação das drogas, apologia ao homossexualismo, ambientalismo, indigenismo, etc.

Como exemplo de globalização podemos citar a livre movimentação de capitais, separação mundial do trabalho, fronteiras abertas, tribunais internacionais, etc.

Uma das práticas mais comuns de qualquer investigação baseia-se no princípio: a quem interessa o crime? (qui bono?) E um de seus corolários é: siga o dinheiro! (follow the money!). Aplicando-se essa técnica às empresas, grupos econômicos e organizações diversas que apoiam as iniciativas globalistas, veremos que são as mesmas instituições que lucram com a globalização.

Esse “aparato burocrático de alcance global” mencionado acima por Felipe Martins, precisa destruir os Estados Nacionais Soberanos para poder assumir o controle mundial. Para isso são utilizadas as ONGs globalistas, que agem internamente às nações, de forma a destruí-las de dentro para fora. Destruídos os Estados Nacionais surgirá o Governo Mundial, que promoverá a paz em todo planeta. Não é lindo isso?

Os romanos também promoveram a Pax Romana em seu império, assim como os ingleses levaram a Pax Britannica a seus colonizados.

Reza o ditado que não há vácuo em política. O fim dos Estados Nacionais será ocupado pelo Império, agora chamado de Governo Mundial (ou Nova Ordem Mundial).

Ao contrário dos antigos impérios, o novo Governo Mundial, não será comandado por uma nação específica, mas sim pelas grandes corporações econômicas. Esse controle não será ostensivo, mas dar-se-á através de órgãos internacionais (tais como a ONU, Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, etc.) cujos dirigentes seriam indicados por eles.

Mas qual o objetivo disso? O que as grandes corporações econômicas lucrariam com o governo mundial? Ora, a resposta é óbvia: a globalização econômica! Não haveria mais os Estados Nacionais para taxar o capital, limitar as importações, promover a industrialização e, de modo geral, lutar pelos interesses e bem-estar de suas populações.

O exemplo mais óbvio disso é o famigerado George Soros, o mega-investidor fundador da Open Society Foundation que patrocina inúmeras ONGs globalistas. Não é ele um grande defensor da globalização e um dos que mais lucram com a livre movimentação de capitais?

Porque as casas reais do Reino Unido, Dinamarca, Holanda e Espanha (entre outras) patrocinam ONGs globalistas? Ora, porque têm participação nos conglomerados financeiros que lucram com a globalização.

Portanto é óbvio, para qualquer pessoa de bom senso, que o globalismo não passa de uma estratégia para promover a globalização, este sim o objetivo final.
Como essa Nova Direita não enxerga isso? Ora, porque estão cegos pela filosofia do liberalismo (livre mercado) que sempre pregou a globalização.

Vejamos o que diz o filósofo Olavo de Carvalho em artigo de 2009 intitulado A Revolução Globalista:

A idéia do livre comércio, por exemplo, que é tão cara ao conservadorismo tradicional (e até a mim mesmo), tem sido usada como instrumento para destruir as soberanias nacionais e construir sobre suas ruínas um onipotente Leviatã universal. Um princípio certo sempre pode ser usado da maneira errada. Se nos apegamos à letra do princípio, sem reparar nas ambigüidades estratégicas e geopolíticas envolvidas na sua aplicação, contribuímos para que a idéia criada para ser instrumento da liberdade se torne uma ferramenta para a construção da tirania.

Um liberal dizer que globalização é boa mas o globalismo é ruim, é equivalente a um comunista dizer que o comunismo é bom, mas a ditadura do proletariado é ruim. São indivisíveis – duas faces de uma mesma moeda.

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